28. Beirando Infinitos

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Beirando Infinitos

 

Não era por menos que aquele lugar recebera o título de melhor restaurante da cidade; as opções eram muitas, um cardápio com base na culinária regional, italiana e experimental, combinado com a excelência no atendimento e uma vista indescritível. Maysa escolheu uma salada primavera para acompanhar o tagliatelle de abobrinha com molho especial e porção extra de queijo, que Agatha pediu. Não precisaram esperar muito para terem seus pedidos entregues.

 

Ao chegar em casa, Maysa se pegou mais uma vez observando a morena, porém, ela já não precisava fazer isso através de uma janela. Agatha movia-se pela cozinha com certa intimidade, guardou os pedidos de forma que não esfriassem rapidamente, admirava os novos desenhos feitos por Daniel nos espaços brancos da cozinha e escolheu o vinho que beberiam. E por alguns instantes, aos olhos de Maysa, era como se aquele momento fizesse parte da rotina delas. E como desejou que fosse verdade.

 

– Desculpa, eu deveria ter perguntado se podia mexer nas coisas.

– Não peça desculpas, eu passaria toda a minha vida assim, só te observando.

– Não existe nada demais em mim para que possa despertar tamanha necessidade de observação.

– Você está de brincadeira? Você é muito bonita, na alma e no físico, nos detalhes e no geral, e tudo bem que eu seja suspeita para falar, mas você pode ter como base aquelas pessoas do restaurante, só faltaram fazer como nos desenhos animados, sabe quando os olhos se esticam e acompanham a outra pessoa? __ a morena estava corada, apenas sorriu e assentiu. – Pois, estavam fazendo isso.

– Você não deve ter entendido, com certeza estavam fazendo isso por você.

– Claro que não, era por você!

– Sei lá, eu não reparo nessas coisas. Realmente não vejo nada demais em mim.

– Ainda bem que você não percebe as pessoas que babam por você, bom para mim. __ sorriu mostrando os dentes. – Mas, precisamos trabalhar isso aí, e fazer com que você enxergue a mulher maravilhosa que és!

 

O sorriso da morena se tornou ainda mais tímido, até tentou argumentar com Maysa, mas a loira estava convicta de suas análises. Ainda na cozinha, alguns beijos e carinhos foram trocados, até que por fim, saíram para apreciar o mar.

 

– É esplendoroso! Como senti falta de abrir a porta da cozinha, caminhar um pouquinho e sentir a areia sob os meus pés. __ suspirou e sentou ao lado de Agatha, que havia estendido um pedaço de tecido sobre a areia.

– Normalmente as pessoas que moram próximas ao mar acabam se acostumando e passam a enxergar toda essa beleza como algo comum.

– Você também?

– Não, eu sempre vou me sentir em paz por dormir ouvindo o barulho das ondas, por acordar com o som de gaivotas e, toda vez que venho fazer meus passeios de final de tarde, sinto-me tão maravilhada quanto a primeira vez que as águas desse mar tocaram os meus pés.

– Linda… __ a morena a olhou sem entender. – Linda de se ver, linda de ouvir, linda de se viver. Você é assim, Agatha.

 

Aquela não foi a primeira e também não seria a última vez em que Agatha seria dominada pela timidez diante dos galanteios sinceros e apaixonados de Maysa. A conversa fluiu tranquilamente, fora regada com intensas trocas de olhares e vinho.

 

O céu tornou-se ainda mais escuro, lua e estrelas desapareceram, mas elas sequer notaram. Riam ao relembrar do passado, lamentaram ter perdido a amizade, confessavam a falta que uma fez para outra… e quando se deram conta, estavam falando sobre amor.

 

– Alguém disse que tanto o amor quanto a amizade, são a forma de magia mais poderosa que existe. E acrescenta que, muito raramente conseguimos nos livrar de seus efeitos.

– Acho que concordo com isso. Não, eu concordo plenamente com isso! Você já amou alguém?

– Depende… __ a morena percebeu que despertara a curiosidade da outra. – Eu acreditei mesmo que amava. Só que não foi esse amor poderosamente magico, mas quando chegou ao fim, parecia que minha vida tinha acabado, a dor era grande demais. Mas não morri, recomecei minha vida e aprendi sobre a importância de ser ímpar e feliz antes de ser par. Não era a primeira vez que precisaria me refazer, possivelmente não foi a última.

– Entendo você. __ a loira ficou pensativa, a forma como colocava o queixo sobre a mão lembrava o filho. – Sei que você é bem resolvida e feliz, que escolheu viver a vida a sua maneira, mas preciso saber se isso significa que não teremos um futuro?

– Maysa… __ segurou o queixo da loira e a olhou com ternura. – Saber ser feliz sozinha não quer dizer que desejo passar toda a minha vida em completa solidão.

 

A loira desviou o olhar, apesar das palavras terem um sopro de esperança, havia certo temor nos olhos de Agatha. Era nítido que algo a incomodava, todo aquele medo de se entregar obviamente estava ligado ao último relacionamento da morena. Maysa desejou falar um pouco mais sobre aquele assunto, mas, ficou apreensiva. Afinal, toda vez em que suas conversas eram direcionadas para aquele âmbito, Agatha parecia entrar em modo de defesa. Engoliu com certa urgência a última dose do vinho e, de dentro do repentino silêncio que se instalou entre elas o ronco de um trovão fez-se ouvir.

 

– Nossa, que susto! __ a morena praticamente jogou-se no colo da outra. Não que ela tivesse medo de trovões, mas aquele a surpreendeu.

– Agatha, sei que escolhemos não dar nomes ao que nos acontece, mas temos um relacionamento.

– Sim, temos uma relação.

– É… e eu havia prometido inúmeras vezes que não iria me envolver com mais ninguém, que seria apenas eu e o Dan. Quando te reencontrei, eu prometi para mim que não deixaria o que sinto por você dominar a minha razão, mas esse sentimento é muito forte. Eu não sei controlar o que sinto, Agatha!

– E mais uma vez te peço para que me compreenda. __ ajeitou-se no colo da loira e pousou as mãos em seu rosto.

– Eu entendo. Eu juro que entendo a sua necessidade de que as coisas aconteçam devagar, isso é bom para mim também. Mas, a verdade é que estar com você e não criar expectativas não é uma batalha fácil ou justa, pois todo o dia, o que mais desejo é levar nossa relação para um nível mais sério. Essa ideia de não fazer planos para o futuro, se fosse com qualquer outra pessoa eu não me importaria, mas sendo com você… essa ideia não me satisfaz. __ Agatha apoiou sua testa na testa de Maysa e fechou os olhos, talvez fosse a hora de lhe revelar toda a verdade.

– Não posso prometer um futuro, embora eu deseje isso tanto quanto você. Mas, você precisa saber que eu não sou exatamente o que você acha que sou…

– Agatha, você ainda não entendeu? Você é quem eu sempre quis, e isso nunca mudou. Independentemente do que possa ter acontecido, você é a mulher que eu sempre quis e quero.

 

Seria impossível esconder as lagrimas que tanto loira quanto morena deixaram escorrer com aquela declaração. As mãos de Maysa enlaçaram Agatha, fazendo com que o resto de espaço que havia entre seus corpos fosse eliminado. O abraço estava formado e Agatha encontrou toda a paz que precisava ao abrir os olhos e mergulhar naquele par de esmeraldas marejadas que brilhavam de amor por ela. Sorriu e recebeu o beijo carregado de carinho e desejo que a outra lhe entregava, o céu rasgou-se em gotas d’água, as poucas pessoas que estavam pela praia foram embora, excetos elas.

 

– Ma… May… Maysa!

– Hum?

– Está chovendo!

– Eu sei…

 

O novo beijo foi intenso e exigente, a modo que Agatha se sentia incapaz de resistir, negar ou conter as reações que aquele ato provocou em seu corpo.  Os carinhos ganharam formas, os arranhões faziam-na o corpo arrepiar, e os gemidos deixaram de ser tímidos para ganhar certa sonoridade.

 

A doce Maysa que declarava juras de amor enquanto levava a morena ao ápice de um prazer delicado, cedeu lugar para uma amante devassa e faminta. Pelo ar, a misturar-se com a chuva, exalava o cheiro de uma selvagem excitação, de desejos cálidos e urgências. Imerge as sensações que lhe transcorria o corpo, Agatha agarrou-se em Maysa, a beijando com desespero. Que toda sua sanidade e pudores fossem para os ares, assim como sua blusa acabara de ir, desejava a culminância daquele momento tanto quanto a outra.

 

O gemido da morena fora rouco, ao sentir as mordidas e chupões que Maysa distribuía-lhe pelo pescoço e colo. As mordidas mais fortes eram pela total necessidade que a loira tinha de sentir o sabor da pele bronzeada. Os gemidos de Agatha a deixava enlouquecida e a ideia de possui-la naquele instante tragou o resquício de controle que ela tinha.

 

– Você não faz ideia do que causa em mim! __ foi lampejo de voz de quem buscava ar. – Eu desejo te fazer minha, aqui e agora. __ os olhos de Maysa ganharam um tom mais profundo e um calor que não aqueceu apenas o corpo, mas também a alma de Agatha.

– Ah Maysa, só causo em você o mesmo que você me causa. __ sentia o corpo ensaiar movimentos involuntários no colo da loira. – Eu quero que me faça sua, agora, aqui e sempre. __ engoliu a seco e pressionou a boca contra a boca de Maysa, fazendo-a entreabrir para recepcionar aquele beijo, as línguas brincavam, e a loira sentiu o borbulhar do sangue sob a pele, quando Agatha começou a tirar-lhe as roupas, e permitindo-se também perder a última peça de tecido.

 

A morena arqueou o corpo, dando livre acesso para a loira, que começou sua avida jornada de distribuição de beijos, até alcançar o colo e tomar-lhe os seios. As mãos tremulas de Agatha marcava e apertava o corpo da loira enquanto perdia-se entre gemidos e pedidos.

 

– Maysa… __ sentiu a mão da loira alcançar seu sexo e aperta-lo, por instinto e prazer abriu mais as coxas. – Por favor… __ os dedos da loira deslizaram pela umidade até encontrarem a fenda qual desejavam adentrar.

 

O gemido da morena poderia ser igualado ao trovão que ecoou nos céus, agarrou-se aos cabelos loiros e molhados, sentia as gotas de chuva caindo em seu rosto e o bailar do corpo que se movia de acordo com o ritmo definido pela loira. Não havia nenhum controle ou calma naquele ato, o beijo entorpecido pela paixão, o barulho do mar agitado, das ondas batendo violentamente nas rochas, faziam com que tanto loira quanto morena, se sentissem completamente livres.

 

Agatha nunca sentiu seu corpo daquela forma, estava tão desperto, completamente vivo. Aquela cavalgada era de fato, um ato de liberdade. Liberdade, desejo e amor. O coração de Maysa parecia querer sair do peito, aquele momento só denotava o quão longe elas estavam da racionalidade.

 

Os movimentos tomaram ritmo mais acelerado, o universo orbitava em torno delas, dando a impressão de que as gotas que caiam do céu tinham cores múltiplas. A morena viu-se forçada a segurar com mais força os cabelos da loira, e entre palavras falhas, entregavam-se a explosão total do prazer, alcançando novos mundos.

 

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Mohine Yamir

Mohine Yamir

Baiana, sagitariana, nascida no ano de 1991, e bruxa. Sim, uma bruxa que ama ler e escrever; sou fábrica de poesias sem rimas e divagações literárias, é escrevendo que eu respiro.
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4 Respostas para 28. Beirando Infinitos

    • Olá, Kelly

      Fico grata pelo teu comentário.
      Parece que estamos em fases iguais, mas, se me permiti lhe dizer algo;
      Este também é o momento em que acontece um amor lindo, puro e verdadeiro, o amor a si mesma. Não deixa de ser uma espécie magia, aprender a ser ímpar e feliz, ímpar e descobrir-se, ímpar e viver a liberdade de ser quem és, para que então, possas compartilhar isso com outrem. Desejo-te sorte nesta jornada.
      Mais uma vez, obrigada.

      Beijos

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