Capítulo 2 – Primeiro dia de aula

Capítulo 2 – Primeiro dia de aula

Como em todos os dias desde sempre meu despertador tocou às 05:50h e eu já levantei indo para o banheiro. Saí vestindo um short largo e uma camisa de mangas curtas, calcei meus tênis de corrida e desci as escadas. Erika estava me esperando, como sempre, na cozinha com um copo de vitamina; a de hoje era de banana com aveia e mel (minha preferida). Dou um beijo de bom dia no rosto da minha mãe e pego meu copo enquanto ela bagunça meus cabelos. Depois de tomarmos a vitamina saímos de casa e começamos nossa corrida matinal. Todas as manhãs, uma hora de corrida de casa até um parque a 14 quadras de distância. Dávamos 10 voltas na pista de corrida e ciclismo do parque e voltávamos para casa.

Subo para tomar meu banho e me trocar. Hoje é o primeiro dia de aula do meu penúltimo ano no ensino médio. Vesti uma regata branca por baixo de uma camisa social verde clara de mangas compridas, coloquei um jeans azul e calcei meu converse marrom. Desci a escada abotoando a gola da camisa e encontrei minhas mães aos beijos na cozinha. Alex tinha chegado em casa na noite anterior, era sempre assim quando ela voltada de viagens, as duas ficavam mil vezes mais melosas do que o normal.

– Bom dia mãe – falei tentando não corar com a cena de Alex com os braços em volta da cintura de Erika enquanto tinha os braços da morena em volta de seu pescoço.

– Bom dia Arty – disse Alex soltando Erika e vindo me abraçar, ela já era 3 cm mais baixa do que eu.

Abracei minha mãe e ela me apertou um pouco dizendo que estava com saudades. Eu apenas ri e dei um beijo estralado no rosto dela antes de nos separarmos e sentarmos para tomar café. Três canecas foram cheias, havia pão e frios, suco de laranja, torradas, geleia de morango e manteiga. Ia ser 7:45h quando terminamos e deixamos tudo na pia. Erika me daria carona até a escola e então ia para a academia, mas eu estava achando que hoje ela iria me deixar e voltar pra casa. Erika tinha uma Chevrolet Colorado verde com cabine estendida, não era a mais nova, mas já estávamos acostumados com ela e nós dois gostávamos.

Cheguei na porta da escola e já vi James junto de um grupinho de jogadores, todos usando a jaqueta do time, mesmo que não estivesse frio o bastante para isso. Apear de estarmos na Califórnia, nossa cidade ficava num nível bem acima do mar o que deixava o clima mais ameno. Olhei em volta vendo as mesmas pessoas de sempre, alguns calouros chegando de ônibus escolar, alguns valentões do time assustando eles, nada incomum. Os vidros escuros impediam que os outros vissem a mim e a minha mãe dentro do carro.

– Tudo bem Arthur? – ela me perguntou colocando uma mão no meu ombro.

Olhei nos olhos azuis que eram iguais aos meus e sorri colocando os óculos que estavam sobre o painel e ajeitando eles antes de sorrir mais uma vez.

– Tudo bem, só pensando que quero meu carro de volta logo – disse brindando e ela segurou minha cabeça me puxando para deixar um beijo na minha testa.

– Assim que os últimos reparos ficarem prontos você pode voltar a usar ele – ela me garantiu sorrindo e eu me despedi descendo do carro e logo fechando a porta.

Meu carro era o velho Dodge Challenger 1970 que tinha sido do meu pai. Quando fiz 16 anos Erika começou a arrumá-lo para que eu pudesse finalmente usar o carro e eu mesmo decidi o que seria feito nele. Na semana passada fomos testar o novo motor e um problema na bomba no sistema injetor levou ele de volta para a oficina, por isso aqui estou vindo de carona. Meus pensamentos foram interrompidos pelo meu querido, e único, amigo que chegou passando um braço pelos meus ombros e me sacudindo ao perguntar como eu estar.

– Estava melhor antes de você me sacudir – respondi quando ele me soltou e eu pude ajeitar a mochila nas minhas costas.

– Não sabia que você estava sem carro ainda – ele disse ao ver a caminhonete de Erika virar a esquina – Teria passado pra te pegar se soubesse.

Eu teria respondido que não tinha problema, mas nesse instante o sinal soou nos informando que o primeiro dia de aulas estava começando. Como todos os anos os alunos tinham que seguir até o campo, exceto os calouros que iam até o auditório. Depois de um discurso do diretor nós fomos enviados para nossas salas. Meu primeiro período era química e eu fui o primeiro a entrar, acabei sentado numa bancada mais à frente. As pessoas começaram a entrar e foram se sentando, James não ficou na minha turma nesse ano, o que era uma pena.

Assim que estavam todos sentados o professor entra, mas logo atrás dele entra uma garota. Jeans azul claro com os joelhos rasgados, um coturno nos pés, uma jaqueta jeans preta fina por cima de uma regata azul. As mangas da jaqueta estavam dobradas até os cotovelos. Seu cabelo era preto e estava cortado curto nas laterais, apenas um pouco maior na parte de cima; era um corte masculino. Ela tinha um piercing no lábio, vários nas orelhas. Seu rosto era quadrado e qualquer um poderia achar que era um rapaz se não fosse possível notar as alças do sutiã aparecendo perto da gola da camisa.

O professor ia dizer algo a ela, mas a garota simplesmente deu as costas à ele e passou ao lado da minha mesa para ir até o fundo da sala. Quando ela me olhou pude notar os olhos verdes de um tom que eu nunca tinha visto antes, mas não mantive o olhar por muito tempo porque ela caminhou direto por mim indo se sentar numa das últimas cadeiras livres no fundo da sala. As aulas seguintes transcorreram calmamente até a hora do almoço.

Sentei-me numa mesa do lado de fora e vi a mesma garota sair pela porta do refeitório e caminhar com uma lata de algo na mão até o gramado que ficava na minha frente à umas 7 mesas de distância. Logo depois James chegou ao meu lado roubando um pedaço do meu lanche.

– Olhando a garota nova? – ele perguntou ao notar a direção do meu olhar.

– Sim, ela é diferente – comentei voltando minha atenção a minha comida.

– Bem – comentou meu amigo olhando discretamente na direção da garota que agora tinha várias pessoas em volta – Creio que ela jogue no mesmo time das suas mães, então se seu interesse for além de apenas olhar eu te aconselho a se desinteressar – disse ele rindo.

– Eu já percebi que ela tem um estilo mais masculino, mas isso não quer dizer nada sobre em que time ela joga – falei rindo um pouco da mente fechada do meu amigo – Veja só seu exemplo – comentei e ele me encarou irritado.

– Não é a mesma coisa, eu não falo para não sofrer preconceito, ela simplesmente parece não ligar pra isso – ele comentou olhando para ela mais uma vez.

– Talvez ela realmente não ligue – falei dando de ombros e terminando de comer.

James voltou para a mesa dos jogadores e eu me mantive lendo um livro de ficção que eu tinha comprado recentemente. Logo voltamos e a sequência de aulas continuou, meu último período dessa segunda feira seria Literatura, a única aula em que eu realmente gosto de prestar atenção. Sentei em um dos lugares da primeira fila, como sempre, e esperei o professor iniciar a aula. A garota nova estava na mesma turma que eu outra vez e, como no primeiro período, ela se sentou numa das cadeiras do fundo. A aula transcorreu bem, mas o novo professor era irritante, então deixei de prestar atenção. Quando as aulas terminaram eu peguei o ônibus que passaria perto de casa já que James teria uma reunião do time e não poderia me dar uma carona. E assim acabou o meu primeiro dia de aula do ano.

Leia outros capítulos desta história<< Capítulo 1 – ApresentaçãoCapítulo 3 – Acontecimentos incomuns >>
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Me chamo Alini e tenho 24 anos.
Meu primeiro projeto público se iniciou em 2012; no final 2013 disponibilizei o primeiro projeto com foco em um casal homoafetivo.
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