Capítulo 33 – Alinhavando alianças

Capítulo 33 – Alinhavando alianças

Capa: Tattah Nascimento

Revisão: Isie Lobo e Nefer

Texto: Carolina Bivard


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Capítulo 33 – Alinhavando alianças

A nave Béris estava parada e Decrux monitorava a transmissão, bloqueando os sinais, além de monitorar a nave auxiliar que se aproximava da comporta de detritos. Multiplicou sinais ao redor da nave e, também, próxima a ela para disfarçar o sinal da nave auxiliar.

– Ultima ejeção de detritos há uma hora e cinquenta e sete minutos. Processo de incineração terminado e início da descontaminação de detritos.

– A postos.

Bridget respondeu. Estavam com a porta da nave auxiliar aberta, esperando a autorização de Decrux para liberação. Trajavam a vestimenta pressurizada com jatos, para poderem chegar até a comporta da nave Béris. Chegaram com a nave auxiliar relativamente perto, mas não poderiam se aproximar demais, para que o sinal específico da nave não chamasse atenção da equipe de segurança. Teriam que ser rápidas. As naves estavam invisíveis e assim que saíssem, estariam expostas até entrarem na área de carga de lixo. Este era o ponto falho do plano.

– Aferição das roupas pressurizadas terminada e liberada. Aferição de jatos de propulsão terminada e liberado.

– Todas prontas para a abordagem ao seu sinal, Decrux.

– Entendido. Liberação de detritos em um minuto. Lembrem-se a liberação leva em torno de trinta segundos e terão cerca de um minuto e meio para a abordagem.

– Entendido.

Quando a ejeção de detritos começou, colocaram-se a postos ao lado da porta de saída da nave auxiliar para liberá-la, assim que a descarga terminasse.

– Dez segundos para termino da ejeção, nove, oito, sete…

Decrux fazia a contagem regressiva. O coração de Helga acelerava. Apesar de ter feito defesa pessoal, seu trabalho nunca dependeu de intervenções como aquela. Já tinha se colocado nesse tipo de ação duas vezes, depois que se libertou, e a única coisa que passava por sua mente era que, se não fizesse, sua vida e a de muita gente estaria acabada.

– Um. Liberado. Menos de um minuto e vinte oito segundos.

Bridget abriu a porta do compartimento de despressurização da nave auxiliar e acionou seu jato. Lançou-se em direção ao compartimento de ejeção de detritos. Torcia para que a imagem delas não fosse captada por nenhuma câmera da nave Béris.

Quando entrou, olhou para trás e viu que Helga teve dificuldade para controlar a direção do jato, desestabilizando o corpo no espaço.

– Helga, dê um toque bem sutil no botão…   

Tranquilizou-se. Helga foi pega por Kara pela cintura.

– Desligue o jato, Helga. Deixa que eu te conduzo.

– Certo.

– Se apresse, Kara. A comporta fechará logo. – Bridget a alertou.

Entraram. Esperaram mais alguns segundos e a comporta fechou. Sentiram o ambiente pressurizar e seus trajes pesaram. Retiraram o capacete.

– Desculpa, gente, mas nunca usei essas roupas de verdade. Há anos que fiz o curso de abordagem.

– Fica tranquila. Por isso que Kara veio atrás de você. Me alegro que ela tenha nos convencido a vir junto.

– Que bom que se convenceu, porque você estava um saco com isso.

Kara caminhou até a válvula de abertura da porta interna do compartimento. Tentou acioná-la.

– Ei! Calminha aí, Kara? A gente precisa ter cuidado. Deixa eu tirar a roupa primeiro.

– Como eu pensei. – Falou Kara.

– O que pensou?

– Ela não funciona. Foi por isso que eu quis vir.

– Não funciona?

– Imaginem um jato incinerador acima de mil e quinhentos graus aqui dentro, várias vezes ao dia e depois, um jato constante de fluido de limpeza geladíssimo para arrefecer e quebrar a zona de vapor provocada pelo calor. Essas válvulas manuais vão pro cacete.

– E você espera a gente chegar para falar isso?

– Calma, minha amada namorada. Esqueceu que eu era da manutenção da nave? – Sorriu, retirando algumas ferramentas presas ao traje. – Segundo você, entrar por aqui era a nossa melhor chance. Estou aqui para resolver isso.

– O problema é que só temos… – Bridget olhou para o cronômetro – Uma hora e cinquenta e seis minutos. Se demorar, não teremos tempo de retornar sem que nossos trajes se incinerem.

– Então não posso demorar, não é mesmo?

Kara respondeu, cínica, enquanto injetava uma substância por uma canícula na válvula. Trocou o tubo que tinha em sua mão, por uma pequena pistola de luz verde. Verificou o pistão da válvula e “setou” alguns parâmetros na pistola. Disparou a luz na direção da canícula. Um sinal apitou e ela parou o processo, verificando o pistão. Enganchou uma chave eletrônica no pistão.

– Agora vamos retirar os trajes que, depois que eu acionar a chave, a porta abrirá e teremos que ficar atentas, para a gente não esbarrar com alguém.

– Quem passearia perto da comporta de lixo?

Helga falou, displicente, retirando o traje pressurizado.

– Nem te falo. Já peguei gente transando na Decrux dentro das passagens de ar. Não se espante. – Riu.

– O quê?!

– Sem críticas, Brid. Nós já fizemos entregas que durou um mês. O povo sobe pelas paredes.

– Você não subia pelas paredes.

Bridget afirmou, pretendendo ver a reação da namorada. O ciúme a tomou, imaginando se Kara teria feito algo como aquilo.

– Eu não queria confusão. Não era exatamente que não quisesse dar uma, de vez em quando. – Respondeu rindo. – Aliás, você sabendo que Decrux fazia a dobra estática, não te agoniava o tempo que a gente levava de uma galáxia a outra, não?

Elas conversavam, enquanto ajeitavam a roupa que traziam por baixo dos trajes.

– Viajar daquele jeito era tortura… Mas fazer o que? – Bridget, conferiu sua arma e a colocou no coldre. – Estão prontas?

– Sim.

Quando olharam Helga, ela já tinha tomado a forma do assessor da embaixatriz.

– A única coisa que podem estranhar na nossa roupa, são nossas armas. Não tinha como arrumar iguais as deles, assim que, tenta caminhar com a mão apoiada na coronha para não perceberem, Kara.

– Certo. Posso abrir?

– Agora temos uma hora e quarenta e sete minutos. Vamos.

Kara abriu. Olharam com cuidado para fora e se esgueiraram pelo corredor, até chegarem a uma ala de trânsito normal na nave.

– Brid, você tem ideia do que fazer se esbarrarmos com Ivar no trajeto até o alojamento?

Helga perguntou num sussurro.

– Tenho. Vocês ficam quietas e eu apago os guardas que estiverem junto a ele.

– Que ótimo! – Respondeu irônica.

Chegaram ao corredor que dava acesso para os alojamentos e, antes de virarem na ala em que era o quarto da embaixatriz, guardas vieram em sua direção.

– Assistente Ivar, deveria estar no alojamento.

As três pararam tensas. Helga se aprumou e olhou o nome descrito na lapela do oficial.

– Fui na guarda pedir que disponibilizassem agentes para permanecer dentro do alojamento da embaixatriz, coronel Istar.

– Bem pensado, senhor. Estes alarmes podem ser apenas defeito no sistema, mas temos que ficar atentos. – Olhou Bridget e Kara. – Não conheço vocês.

– Somos novos na guarda, senhor. É nossa primeira expedição. Por isso estávamos na sala da guarda. Mandaram que ficássemos só em alerta. – Falou, Bridget.

– Não quer agentes mais experientes, assistente?

Perguntou o coronel diretamente para Helga.

– Não é necessário. Já tem a guarda da porta. Eles são apenas uma precaução.

– Está certo. Assim que tudo se normalizar, seguiremos viagem.

– Aguardaremos.

Bridget bateu continência e Kara a seguiu no gesto. O oficial seguiu e elas caminharam no sentido oposto.

– Se saiu muito bem, Helga.

– Isso porque você não está escutando meu coração bater na boca.

A Olaf respondeu para Bridget e se calou de imediato, assim que chegaram ao corredor e os guardas olharam, assustados.

– Senhor, como saiu do quarto sem que víssemos?

A pergunta as pegou desprevenidas. Isso indicava que o assessor Ivar estaria no mesmo alojamento da embaixatriz, ou eles a mudaram de alojamento.

– Temos rotas de fuga no alojamento, mas isso agora não importa. Fui buscar agentes para permanecerem no quarto conosco. Abra a porta, por favor.

Helga falou com um tom de ordem e o guarda se virou, colocando o polegar no leitor, abrindo a porta. Entraram rápido e imediatamente Bridget acionou o botão manual para fechar a porta, não dando tempo dos guardas olharem para dentro. Sacou a arma.

– Mas o que é isso?!

– Por favor, senhores. Sem gritos. Não viemos machucar ninguém. Só queremos conversar.

O olhar de Ivar e Aditi era de assombro perante a imagem de um outro Ivar no quarto. Helga se transmutou, assumindo a sua imagem original.

– Helga? – Falaram ao mesmo tempo.

– Perdoem-nos pela forma como abordamos a nave, mas não tínhamos outra alternativa. Eu precisava falar com vocês e como a comandante Bridget Nícolas está sendo caçada pela República, era o único jeito de nos receberem.

A embaixatriz, apesar de conhecer Helga, desconfiou da ação.

– E por que acha que confiaremos em qualquer coisa que fale para nós? Está acompanhada de uma procurada por nossos aliados.

– Tenho certeza que a aliança com a República é sólida, Aditi, mas confia em todos do comando? Não acredito. De qualquer forma, quando verem o que lhes mostraremos, acho que considerará esta conversa. Isso se você e o ex-presidente Ivar forem as pessoas que conheci.

– Ver o quê?

Helga estendeu um pequeno dispositivo.

– Acessem estes dados, vejam os arquivos e aí, perguntem o que gostariam de saber. Estes arquivos têm apenas algumas partes do que ocorreu, mas são significativos.

Ivar pegou o dispositivo, receoso. Bridget e Kara ainda apontavam as armas para os dois.

– É só o que quer? Que vejamos estes arquivos?

– Sim, mas gostaria imensamente de conversar com vocês.

– Então peça para que elas abaixem as armas. – Insistiu Ivar.

– Se eu pedir para elas baixarem as armas, não gritarão e verão os arquivos?

– Dou a minha palavra. – Respondeu Aditi.

Helga perscrutou os dois com seus sentidos. Estavam com medo e apreensivos, mas havia um sentimento de confiança e verdade no tom da voz.

– Baixem as armas, meninas. Está tudo certo.

***

– Isso é monstruoso, Helga!

Após dez minutos de transmissão dos arquivos e uma conversa de poucos minutos, em que as tripulantes da nave Decrux contaram o que aconteceu para libertação de Helga, os dois membros da delegação de Béris estavam estarrecidos.

– Isto é uma guerra interna, em que Phil se aproveita e deflagra uma guerra externa para expansão do espaço delimitado. O pior é que agora tem aquiescência dos planetas da Liga. Nessa briga toda, Cursaz saiu na liderança da expansão, com meu sequestro. No entanto, também estão com conflitos de liderança internamente. Sei que a posição de Béris é neutra. Por isso recorremos a vocês.

– Não enganarei vocês. Apesar de não querermos esta guerra, será difícil conter. A maioria dos planetas da Liga estão apoiando. Ele teceu ao longo do tempo, uma rede de confiança com os planetas.

– Pensamos em algo mais radical. Usar esses arquivos para convencer quem não é seguro dessa guerra. Será uma quebra de forças na reunião. Quero entrar no QG juntamente com vocês.

– Como? Todos lhe conhecem, Helga.

– Não se eu assumir uma outra forma e acompanha-la como uma assistente para alinhavar estes enlaces.

– Temos apenas trinta minutos, Helga.

Bridget advertiu, preocupada com o delongar da conversa.

– Qual a resposta de vocês?

Perguntou Helga, tentando apressar a embaixatriz. Eles não entendiam a pressa dos visitantes, mas Aditi olhou para Ivar, inquisitiva.

– Nunca quisemos essa guerra, Aditi.

O assessor respondeu à pergunta implícita no olhar da embaixatriz.

– Penso da mesma forma, Ivar. Só teremos que fazer uma conferência com o presidente. Não é tão simples assim. Dependendo da decisão que tomarmos, poderemos trazer conflitos para Béris, se acaso falharmos e essa guerra acontecer.

– Acha que com essas provas não conseguiríamos? Temos aliados e eles também não querem isso. – Retrucou Ivar.

– Eu sei. – Voltou o olhar para as invasoras. – De qualquer forma, é nossa obrigação falarmos com o presidente.

– Certo. Fiquem com esse comunicador. Ele tem transmissão direta para nossa nave. Assim que decidirem, peço para nos contatar para traçarmos nosso rumo. Seja em direção ao QG, ou num sentido contrário.

Bridget estendeu o comunicador.

– Vocês são nossos convidados. Poderão sair pelo hangar da nave.

– Desculpe, embaixatriz, mas prefiro sair por onde entrei. Seu comandante não gostará, nada, de ter sido invadido e, até que a situação se estabeleça, quero garantir a segurança da Olaf Helga. – Bridget retrucou.

– Tudo bem, comandante.

– Só peço para que o senhor Ivar saia do campo de visão da porta. Falamos para os guardas que ele havia saído pela rota de fuga do alojamento.

– O alojamento não tem rota de fuga. – Respondeu a embaixatriz.

– Ah, tem sim. Só não identifiquei, senão, teria entrado por ela.

Bridget sorriu, cínica, recebendo um sorriso de volta.

– Esqueci que você foi condecorada com a ordem de oficiais de elite da República.

Bridget reparou no sutil olhar que a embaixatriz deu em um canto do quarto.

– Eu sabia! – Bridget exclamou vitoriosa. – Aquela parede estava muito espessa para dividir o alojamento do lastro. Desculpe-me, embaixatriz, mas o tempo está curto. É pela sua rota de fuga que sairemos, pois sei exatamente onde ela dará e fica mais fácil para nós.

Bridget se encaminhou até o pequeno vestíbulo ao lado da porta do banheiro. Olhou a volta e viu uma peça em diamante encrustada, ornando o portal.

– Poderia fazer as honras e colocar seu dedo aqui?

Apontou, recebendo um menear de cabeça e um riso em troca.

– Vocês são treinados, mesmo. Percebeu onde era o portal porque olhei, não foi?

– Eu estudei a planta da nave também, embaixatriz.

Aditi levantou, indo até o portal e colocou seu dedo no diamante encrustado. Uma porta de pouco menos de um metro deslizou, abrindo a passagem.

– Boa sorte!

Despediram-se.

***

Assim que a nave auxiliar atracou no hangar da nave principal e elas desembarcaram, Decrux se adiantou, abraçando e beijando Helga.  Bridget e Kara olharam para as duas e enquanto a engenheira ria da ação da IA, a morena balançava a cabeça.

– Vou ter que me acostumar com isso, não é?

– Acredito que sim, Brid. Pelo visto, Decrux é do estilo…

– … Gosmenta.

Kara gargalhou.

– Ia dizer carinhosa.

As outras duas mulheres se separaram e Decrux sorria para a Olaf. Desviou o olhar para Bridget.

– Você fica com inveja.

A comandante apenas sorriu. Apesar da implicância, estava feliz que Decrux tivesse descoberto esse tipo de sentimento. A IA desalojou-se dos braços de Helga, mantendo apenas um dos braços em torno da cintura da Olaf.

– Escutei tudo que falaram e foi uma boa jogada dar o comunicador para Aditi, Brid. Assim podemos acompanhar o que decidem.

– É. Eu imaginei que se ele deixava o canal aberto para você nos escutar, também seria útil, caso eles decidam que não vão nos apoiar.

– Isso se ela deixar próximo, quando estiverem conversando com o presidente.

– Com certeza, Helga, mas vamos torcer para dar certo, pois desperdiçamos nossa chance de sequestra-la. Vocês sabem minha opinião. Por mim, tinha partido pra dentro. Estamos numa situação desesperada.

– Ela poderia retaliar depois, Brid, sabe disso. Ninguém confia em uma pessoa que sequestra a gente, mesmo que as intenções sejam boas.

– Concordo com Kara. Do jeito que fizemos, por mais que o presidente de Béris queira seguir o acordo com Phil, a embaixatriz alinhavará algo com os outros representantes que ela conhece. Pode ter certeza.

– Acha mesmo, Helga?

– Sim. Ela e Ivar ficaram chocados, de verdade, com as provas que apresentamos. Eu tive a percepção dos sentimentos deles. Estavam revoltados e agoniados. O fato é que também estão vinculados a Liga e, consequentemente, a República.

– Tudo bem, mas vamos rever agora nosso plano. Phil não vai escapar dessa. Decrux, já conseguiu entrar no sistema de segurança da República?

– Ainda não, Brid, vai demorar um pouco mais. A proteção deles é pesada.

– Posso te ajudar nisso, Decrux. Uns tempos atrás, andei conversando com uns amiguinhos nas camadas baixas da rede. – Kara sorriu. – Achei algumas coisas interessantes que podemos utilizar para quebrar os firewalls deles.

– Mãos à obra então, meninas. – Bridget decretou.

***


Nota: Pessoal, hoje saiu tarde, mas está aí! Boa leitura!

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Carolina Bivard

Carolina Bivard

Escritora de histórias homoafetivas femininas, postando seu trabalho desde 2009 na internet. Casada desde 1999, residente em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Adora viajar e compartilhar as horas vagas com amigos e família.
A literatura sempre atraiu, levando a um momento de ruptura, onde ler não era mais o suficiente. Colocou suas ideias no papel, a princípio e depois, páginas de word, para mais adiante vazarem para o mundo virtual.
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3 Respostas para Capítulo 33 – Alinhavando alianças

  1. Ufa! Que tensão! 😰Ainda bem que não foi preciso sequestrar a embaixatriz, já imaginou? Acho que seria outra confusão.
    Kara é o cara mesmo, não é? rs, ela pensou em tudo e que bom que convenceu Brid em deixá-la ir. Sou fã da orelhinha, hehehe. Na verdade, todas estão de parabéns pelo bom êxito na abordagem 😁
    Ansiosa pelo próximo.
    Beijo, Carol!

    • Olá, Carla!
      Muito obrigada pelo elogio e pelo carinho. Espero continuar, sempre, chegando até as suas expectativas. Fiquei muito lisonjeada com as suas palavras.
      Um beijo grande para você e quando quiser, venha deixar suas impressões.

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