Capítulo 40 – Andros, você gosta de tortura?

Capítulo 40 – Andros, você gosta de tortura?

Capa: Tattah Nascimento

Revisão: Isie Lobo e Nefer

Texto: Carolina Bivard


Capítulo 40 – Andros, você gosta de tortura?

A freyniana retirou a blusa, expondo o dorso nu. Os seios revelados de frente à visão da morena, não deixou que ela pensasse em outra coisa, a não ser suga-los com vontade. Passeou a língua no bico, enquanto abarcava todo o seio com a boca, extraindo gemidos enrouquecidos da loira que se empurrava mais de encontro ao corpo da comandante.

Bridget se afastou retirando a própria blusa. Queria sentir na pele, a tez macia da namorada e estremecia na possibilidade de suga-la. Não tinha mais medo. Parecia perceber quando Kara se doava ou quando, na relação, a engenheira-médica transmutaria. Segurou os quadris da loira, enquanto se deliciava nos carinhos que fazia nos seios e empurrou-a, suavemente para que trocassem de posição. Recostou-a na chaise, abrindo o botão e zíper da calça. Kara arfava e segurou o rosto da morena entre suas mãos, trazendo a boca da comandante para beija-la. As línguas se entrelaçaram, num beijo guloso.

– Me chupa, vai…

Kara pediu entre os lábios, a incentivando, sabendo que este era do desejo da namorada. Retirou a própria calça, juntamente com a roupa íntima, separou as pernas, colocando os pés no chão, cada um de um lado da chaise, expondo mais o sexo úmido. Bridget olhou todo o corpo revelado sem qualquer empecilho, olhos turvos de desejo. Baixou o rosto, beijando o pescoço, passeando a língua, descendo centímetro a centímetro, até chegar à púbis de pelos aparados e capturou o clitóris túrgido, arrancando um urro grave e abafado da freyniana. Brincou entre os lábios da vulva e a fenda da loira, sentindo o gosto acre-doce embeber a língua, já ávida pelo gozo. Burilou o bulbo latente, atormentando os sentidos de Kara, até que ela não suportasse mais pedindo:

– Me faz gozar, Brid. Não brinca… me faz gozar.

Bridget não se recusou. Seu próprio corpo clamava por sentir o corpo da namorada lasso em seus braços. Burilou mais rápido e a preencheu com os dedos, no momento que sentiu que a engenheira gritava o orgasmo. O líquido escorreu por seus dedos e os retirou, capturando com a língua o gosto da amante. Deixou que os tremores que tomaram a freyniana acalmassem e a abraçou, deixando que a respiração dela voltasse ao normal.

– Seu enjoo passou?

Kara sorriu aberto, sem forças para gargalhar diante da troça da namorada.

– Completamente. Mas eu tenho para mim que você sabia como fazê-lo passar, ou não?

Kara respondeu ainda sorrindo.

– Como comandante da nave, devo sempre zelar pelo bem-estar dos meus tripulantes. – Bridget respondeu jocosa.

– E como sua namorada, devo lhe advertir sobre o que acontecerá a você se for zelosa deste jeito com outra pessoa.

Kara revidou, encarando Bridget com uma expressão de falsa contrariedade. Segurou a mão da morena, e sem lhe dar chances, arrastou-a para a cama, jogando-a de costas sobre o colchão.

– Em agradecimento e como médica da nave, cuidarei de seu bem-estar, agora!

****

– Mandaram outra mulher? Mudar de uma mulher para outra, não fará diferença.

– Cala a boca, Andros. Você irritou minha amiga. Estava tão solícito antes de vir para cá e agora resolveu dar uma de “macho alfa”, se recusando a nos dar informações. Resolvi fazer essa visita.

Bridget tinha levado consigo a pistola e colocou no modo “paralisante”. Levou também, alguns instrumentos que havia pego no centro médico. Kara tinha contado como ela e a androide o fizeram falar, sob algumas torturas bem características. A julgar pela forma como Kara e Decrux o interrogaram, para que ele soltasse a língua novamente, e o mercenário se recusou, decidiu que partiria para algo mais radical. Andros conhecia a comandante, mas antes de se encontrar com ele, Bridget colocou uma máscara polarizada, modificando o rosto e sintonizou para mudar o tom de voz, um pequeno vocalizador, que havia pedido para Decrux. Sacou a pistola do coldre.

– Olha, não sei quem são vocês, mas acho melhor não dar mole. Se derem um vacilo que seja, eu arranco a pele de cada uma.

– Aviso recebido. Agora se afasta para o fundo da cela.

Ao contrário do que Bridget pedira, o mercenário deu um passo à frente, quase colando o corpo na cortina energizada que o prendia dentro da cela. Encarou-a arrogante. Bridget não esboçou nenhum sinal, fosse de contrariedade, ou de ironia. Estendeu a mão até o controle lateral do portal e acionou um botão, fazendo descargas elétricas dispararem do lado de dentro. Andros rugiu de dor, arqueando o corpo e quando ela soltou o botão ele cambaleou, arfante.

– Vá para trás. – Ordenou mais firme.

O homem se afastou, ainda encurvado e tropeçando, esbarrando com as pernas na cama. Ela liberou a energia do portal e, antes mesmo de entrar na cela, atirou com a pistola paralisante na direção do mercenário. Ele caiu sobre a cama sem se mexer. Bridget foi até um armário próximo da cela e pegou algemas, sem tirar os olhos do bandido. Entrou e prendeu os braços dele a um suporte metálico, que havia na parede, na direção da cabeceira. Retirou as calças dele antes de prender os pés com algemas de tornozelo em outro suporte. Colocou uma pequena maleta em cima da mesa de refeições e a abriu, retirando um bisturi laser e luvas esterilizadas. Pegou a cadeira que estava em um canto, sentando-se de frente para ele e colocou as luvas.

– Você deve conhecer essa arma paralisante. Pode deixar que os efeitos já, já, passam. Pelo que entendi, você só deu informações, quando minha amiga quase o castrou… – Ela olhou para cima, fingindo rememorar algo. – Ah, lembrei! Não foi por quase o castrar, foi por quase o enrabar.  Fiquei surpresa pela criatividade dela e confesso que gostei do estilo. Se prepare, porque a minha forma de interrogar não será uma tortura. Não tenho tanta paciência, e acredito que um bisturi para uma castração rápida, faça mais minha cabeça.  

***

A engenheira, depois que acordou e viu que Bridget não estava no quarto, tentou chama-la sem sucesso. Saiu para procura-la, indo até a ponte.

– Onde Bridget está, Decrux? Tentei acioná-la pelo comunicador, mas ela não responde.

– Ela foi conversar com Andros e pediu para que eu desabilitasse o comunicador.

– O que Bridget está aprontando? Você desabilitou? E se ela precisar de ajuda?

– Fica calma, que só desabilitei para chamadas no áudio aberto da nave. Ela só quer respostas dele e, pelo visto, está feia a coisa pro lado do Andros. Ele só berra. Tô escutando tudo. Ela o ameaçou com um bisturi e parece que vai capa-lo de verdade, pois na primeira pergunta que ela fez, Andros deu uma debochada boa. Depois só ouvi o cara gritando.

– Deixa eu ouvir. Coloca no áudio aqui da ponte.

Depois que Decrux colocou no áudio, escutaram o mercenário dar todas as instruções para chegarem até um planeta aberto, em que havia vários bancos. Andros tinha um cofre, onde guardava todas as informações que reunia das conversas com Phil, ou melhor, todas as ações dele em relação a qualquer transação que fizesse. Depois ele deu outros locais, em que guardava backups.

Helga tinha chegado na ponte, pouco antes de escutar o termino da declaração de Andros e a última frase de Bridget.

– Muito bem. Já que você foi bonzinho nos últimos cinco minutos, deixarei essa loção antisséptica e analgésica. Se eu for até lá e não tiver nada no banco, prepare-se para se despedir “dele”.

– O que ela quis dizer com isso? – Helga perguntou.

– Não queira saber, meu amor. Talvez você sinta uma dor profunda entre as pernas, por pura empatia.

– Decrux!

Helga ralhou com a namorada, corando pela exposição de sua intimidade. Kara sorriu cinicamente, dando um tapinha no ombro da Olaf, saindo em direção à porta.

– Relaxa, Helga. Brid não está aqui. Se ela ouvisse, aí sim, você “tava” ferrada.

Kara riu, pouco antes de sair da ponte. Assim que virou a esquina do corredor em direção ao elevador, viu Bridget vindo ao seu encontro. Lançou um sorriso aberto.

– Você é má. – Falou brejeira. – Não quero nem pensar o que vou reparar no corpo daquele nojento.

– Quem disse que vai reparar alguma coisa?

– Quer deixa-lo sem cuidados?

– A dor servirá para ele se lembrar o que pode acontecer, caso nos tenha dado informações erradas, além do que, impede de pensar em formas de tentar fugir. Tome nisso como uma apólice para controla-lo, doutora.

Bridget respondeu de forma irônica, passando os braços pela cintura da namorada, rebocando-a de volta à ponte.

Passaram pela porta e se depararam com Helga apoiada no console de comunicação, com Decrux colada a ela, beijando-a. A comandante paralisou diante da cena. A IA estava colada à Olaf, com uma das coxas elevadas, apoiadas no quadril da estadista. O vestido subira e a freyniana acariciava a pele exposta da coxa e glúteos. Elas se acabavam, num beijo guloso.

– Eu não acredito. Acabei de torturar um homem e não me diga que não escutou, Decrux. Como podem estar se devorando desse jeito?

Decrux terminou o beijo com os olhos embaçados. Olhou de soslaio, quase como se estivesse desprezando o que escutara de sua comandante.

– Você não me torturou e sim, a ele. E depois, ele merecia.

– Você está parecendo adolescente.

– Se pensarmos a nível de idade de época de concepção, eu sou adolescente, Bridget. Considerando o tempo que levou para meu sistema ser totalmente construído e os anos aqui na nave, tenho só dezessete anos.

– Rodan concebeu você numa idade adulta, já. Tem rosto e corpo de trinta e, várias civilizações embutidas na sua cabeça.

– Considerando que ela acabou de saber o que é sexo, concordo com Decrux. Nesse quesito, Brid, ela é realmente uma adolescente. O que me espanta é minha ex-cunhada e Olaf, também se comportar assim… – Arrematou Kara.

– Ah, para! Vocês estão ficando duas chatas. – Decrux reclamou.

Bridget revirou os olhos.

– Vamos trabalhar.

Bridget falou séria e se sentou na cadeira de comando da ponte.

– Decrux, verifique as condições de habitabilidade de “Qoppa” para um humano desarmado e apenas com suplementos de sobrevivência.

Decrux e a Olaf se recompuseram; a IA tomou seu lugar ao lado da comandante, assumindo uma postura, séria e diligente. Recuperou no banco de dados as informações mapeadas do planeta, cruzando com a sondagem que fazia na superfície.

– Condições razoáveis. A análise de superfície identificou alguns animais de maior porte, outros venenosos e algumas plantas venenosas, também. Não posso identificar todos, pois o que tenho na base de dados, são informações que vocês mapearam na época da descoberta e perfis fisiológicos que tracei num cruzamento de dados. Nada que cuidados de sobrevivência não possam superar. A temperatura do planeta em áreas tropicais, no ciclo de verão, não passa de quarenta graus de dia e a noite baixa a vinte e cinco em média.

– Quanto tempo para podermos fazer o próximo salto?

– Para fazermos a dobra com segurança, onze horas.

– Tudo bem. Vamos comer algo e descansar. Teremos que deixar Andros lá, para não nos preocuparmos com ele.

– Quer deixar Andros num planeta desabitado, sem qualquer suprimento e sem armas?

– Deixarei suprimentos e barraca de sobrevivência. Colocaremos um implante de rastreamento para o encontrarmos depois. Só não deixarei armas com ele.

– Pode deixar que vejo um local seguro, com água potável e fácil de montar acampamento. – Decrux tranquilizou as freynianas.

– Vamos traçar um plano para pegar os arquivos de Andros.

*****

A Nave sobrevoava a superfície do planeta, dando uma visão panorâmica das regiões. Kara e Helga olhavam embevecidas. Em algumas regiões, o planeta tinha vegetação fechada, enquanto outras eram mais áridas e, noutras ainda, havia montanha e regiões mais geladas. Eram três continentes separados por oceanos extensos. Decrux colocou na tela uma região que Bridget indicara e que ela mapeara para deixar o mercenário.

– Esta região é tropical e embora tenham animais maiores, não ultrapassam o tamanho de um cavalo. Há rios e lagos com água potável, e em alguns deles, formas de vida agressiva. No entanto, consegui detectar um local, onde a água é livre de peixes agressivos. São menores e parecem ter uma composição proteica nutritiva. Caso o suprimento de Andros termine, antes de voltarmos, ele não passará necessidade.

– Isso se ele souber pescar. – Afirmou a Olaf.

– Ele se vira. Não gosta de retalhar os outros, de roubar e contrabandear? É inteligente e talvez use a inteligência para alguma coisa que preste. – Bridget rebateu. – Não o deixaremos sem nada. Ele terá equipamentos de sobrevivência.

– Bem, aqui também tem alguns abrigos naturais como cavernas. – Decrux continuou a explanar. – Nesse local que escolhi não detectei nenhum sinal de vida com um nível de periculosidade alto, salvo um animal da família dos ofídios que circula por essa região, mas ele circula mais em cavernas. Todas as informações pertinentes para que ele identifique perigos, salvei em tablet, como você pediu, Bridget.

– Obrigada, Decrux. – Pegou o tablet da mão da IA. – Sei que não choraria se acontecesse algo com ele, mas também não quero ir até o banco do cretino e ver que ele nos enganou.

– Não seria mais fácil mantê-lo na nave, Brid?

– Seria se eu não fosse desconfiada. – Voltou-se para Kara. – Olha, sei que parece extremista, mas eu mesma já fugi duas vezes da carceragem de uma nave, na época da República em exercícios que fazíamos. Também, teve um criminoso que fugiu, quando eu o escoltava para uma prisão. O cara quase acabou com a tripulação. Não quero ter esse peso e quero saber que esse cara estará ao nosso alcance.

– E o que fará depois? – Helga questionou.

– Se ele nos contou tudo sobre os arquivos, quando a gente sair dessa encrenca, resgatamos e o entregamos para as autoridades, ok? Até lá, espero que Freya já tenha recomposto oficialmente o governo, mesmo que ainda não tenham se assentado no planeta.

– Quer que o governo de Freya o julgue?

A Olaf perguntou, elevando uma de suas sobrancelhas.

– E quem mais poderia julgá-lo como deve ser? Eu o conheço e depois dos arquivos que abrimos de Phil, sabemos que ele tem a ver com os piratas que nos atacaram para roubar seu módulo. Não sabemos a que nível e ainda não temos provas suficientes, mas isso já garante uma corte pelas leis freynianas, ou não?

– Está bem! Não discuto mais contigo sobre este assunto.

Kara não queria admitir, mas gostara da ideia da comandante.

– Decrux, plaine sobre o lago e jogue a mangueira de sucção. Os filtros estão ativos?

– Tudo certo com os filtros e a depuração de ion.

– Então vamos pegar a água e largar esse cara aí.

***

Helga estava em seu quarto, estudando os arquivos do mercenário. Via vídeos, estudava o comportamento e maneirismos para tomar a forma dele. Havia entrado em contato direto com o homem, pouco antes dele desembarcar e sabia que não haveria problemas para assumir a forma dele, mas tinha que saber como se portar e também, conhecer pessoas mais próximas a ele. Decrux não conseguiu achar muitos arquivos na rede, mas conseguiu invadir o sistema bancário e baixar arquivos do complexo do banco. Ouviu o sinal da porta e a voz de Decrux.

– Posso entrar?

– Lógico! Entre.

A Olaf afastou a cadeira da mesa de trabalho e olhou a namorada entrar pela porta. Elevou uma das sobrancelhas, estendendo a mão para Decrux. Apesar de nunca ter contato com uma estrutura biológica como a de Decrux, começava a se familiarizar com substâncias, por ela secretada, em situações específicas. Uma das coisas que mais fascinava a Olaf em relação à mulher era que, no início, quando se conheceram, seus instintos e dons conferidos pela genética alomar, não conseguiam detectar as reações dela.

A IA pegou a mão, fez um carinho de leve, mas se soltou, sentando na beirada da cama, causando mais estranheza na Olaf.

– Aconteceu alguma coisa?

– Não… – Decrux pausou um momento, antes de continuar. – Para falar a verdade, aconteceu sim. Eu sei que tudo tem sido arriscado, mas essa coisa de você assumir outra identidade, novamente, e ainda mais desse cara, tá me deixando…

A IA se calou, baixando a cabeça. As coisas que começou a sentir depois que se descobriu amando aquela mulher a confundia. “Eu sou uma IA! Não posso perder a objetividade.” Estas frases tornavam-se constantes em sua mente.

– Eu também estou com medo, Decrux, mas é a melhor forma de sairmos disso. Este risco ainda é o menor diante de tudo que tem acontecido. O banco não opera com agentes de carne e osso, a não ser na segurança e serei orientada digitalmente, quando estiver dentro do banco.

– Sim, mas ele tem um sistema de segurança bem assustador. Eles monitoram você inteira, ao longo de todo trajeto e se os scanners não reconhecerem em algum momento, eles vedam as saídas dos corredores até a equipe de segurança chegar para prendê-la. Não esqueça que te paralisam também.

– Sabe que as chances disso acontecer são de cinquenta por cento. Tudo bem que tenho que aprender a andar como o Andros, contudo, transmutada é mais fácil.

– Mas essa chance existe e cinquenta por cento é um percentual bem ruim. – Decrux levantou a mão, cortando o que Helga iria rebater. – Não é só isso. Estou com medo das mudanças que percebo em mim, também.

Helga estreitou os olhos, sem entender o que a namorada queria lhe dizer.

– Que mudanças?

– Fisiológicas e psicológicas. – A IA suspirou e se jogou de costas na cama com os braços abertos. – Eu não falei nada com Brid para não preocupa-la. Só que hoje, mais cedo, quando estávamos discutindo como pegaríamos os arquivos de Andros e ela disse para eu ver uma forma de monitorarmos você constantemente, pois ninguém poderia ir junto, senti meu corpo diferente… Alguma coisa aconteceu.

Decrux se referia a uma reunião que fizeram para traçar um plano de abordagem no banco e de fuga, caso algo ocorresse. Continuou a falar, com o cenho enrugado e uma expressão pesada no rosto.

– Achei que algo estava errado no sistema da nave e eu fiz uma varredura, mas não encontrei nada. Foi quando a minha percepção de medo aumentou e eu senti novamente.

– Sentiu o que?

– Meu corpo gelou e minha bomba de fluidos acelerou.

– Sua bomba de fluidos é igual a nossa, então acho que pode começar a chama-la de coração. Seus fluidos são orgânicos, embora sejam diferentes, mas ainda assim são orgânicos, então pode chama-lo de sangue.

– Um sangue de cor leitosa…

– Os arturianos tem a coloração do sangue prateada e nem por isso eles chamam de fluidos. – Retrucou Helga.

Decrux levantou, sentando-se na cama com as pernas cruzadas, encarando a Olaf. Mordia o lábio e a expressão era assustada.

– Sim, eu sou orgânica, mas fui construída e tenho attochips para controlar meu sistema junto com a nave. Como poderei continuar IA da nave, se não consigo controlar emoções? Droga, Helga! Eu tive uma descarga adrenérgica que nunca ocorreu antes! Eu tive pavor de perder você! Tá certo que tenho glândulas, mas a maioria estava inativa. Meus attochips sempre regularam meu sistema e agora, as minhas glândulas começaram a trabalhar e com todo o conhecimento em meu banco de dados…

– … seu cérebro. Nós temos cérebro e você também, aliás um cérebro magnífico, que permite a você acumular mais conhecimento que a maioria. Você não ouviu Kara explicar que sua rede neural estava se completando? Seu cérebro também é orgânico.

– Que não vai me levar a algum lugar bom, se meu sistema límbico estiver me pregando peças. Para ser uma IA, tenho que ser objetiva, Helga! Eu sei o que sente por mim, mas não pode me desculpar quando falhar no meu papel.

– E quem disse que irá falhar? Olha para mim. – Helga pegou as mãos da IA entre as dela. – Não acredito que Rodan quisesse que você fosse uma pessoa cega diante das emoções. Você é tão filha dele como a primeira filha. Ele sabia que, em algum momento, seu organismo maturaria.

– Ele maturaria, sim, mas não consigo regular meus hormônios e também não consigo controlar minhas emoções.

– É como se estivesse passando pela adolescência, Decrux. Brincamos com isso, mas essa é a verdade. Seu azar é que está acontecendo no exato momento em que estamos enfiadas nessa confusão. Eu estarei aqui, junto com você, para passar por isso e tenho certeza que Brid e Kara também.

– A gente ainda tem muita coisa a fazer, antes que eu possa parar para me preocupar com isso!

Decrux respondeu nervosa e impaciente. Não conseguia transmitir a dimensão do desespero que estava sentindo.

– Nós temos algumas horas até o próximo salto. A República e Cursaz demorarão alguns dias para chegar ao espaço de Ugor. Eles só contam com a dobra normal e ainda tinham que se organizar para a investida. Eu sugiro que aproveite este meio tempo para deixar Kara avaliar seu sistema fisiológico.

– Eu já avaliei.

– Mas como você disse, suas emoções estão vindo à tona. É bom ter a opinião de outra pessoa que entenda disso.

Decrux fez um gesto de aquiescência com a cabeça e acariciou o rosto da Olaf, encarando-a. O receio ainda estava presente em seu olhar e Helga aproximou o rosto, depositando um beijo suave nos lábios da IA, afastando-se ligeiramente, após o beijo. Olhavam-se bem próximas e Decrux voltou a beijar a namorada, mais intensamente. Suspirou entre os lábios, resignada e falou num sussurro:

– Você tem razão. Melhor ver isso agora do que acontecer algo no meio da coisa toda.

– Viu como não perdeu a objetividade?

A Olaf piscou, provocando, e Decrux riu, empurrando-a. Levantou-se e caminhou em direção à porta. Desta vez, a estadista não estranhou a atitude da IA. Ela estava com as emoções em reboliço e talvez desaglutinar fosse algo que a deixasse mais confusa, naquele momento.


Nota: Pessoal, acredito que passarei as postagens para quarta-feira mesmo. Quando conseguir, solto capítulo extra na semana. 

Beijão!

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Carolina Bivard

Carolina Bivard

Escritora de histórias homoafetivas femininas, postando seu trabalho desde 2009 na internet. Casada desde 1999, residente em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Adora viajar e compartilhar as horas vagas com amigos e família.
A literatura sempre atraiu, levando a um momento de ruptura, onde ler não era mais o suficiente. Colocou suas ideias no papel, a princípio e depois, páginas de word, para mais adiante vazarem para o mundo virtual.
Carolina Bivard

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6 Respostas para Capítulo 40 – Andros, você gosta de tortura?

  1. Carol deu peninha do Andros sou de humanas tenho coração mole rsssss, mas ele merecia e kara que não me escute sou apaixonada na Brid por isso relevei o fato… rssss
    A Helga e Decrux estão cada dia mais unidas e fofas apesar dos problemas.
    Bjinhos mestra e até o próximo capítulo. 🌹😘

  2. Caroll!!!
    Como tá, mulher??

    N sabe, é um tal de esquecer senha que vc n tem noçao, tive q refazer outro dia…kkkkkk. A partir de agora, colocarei as senhas iguais aos outros sites e face!!

    Brid é uma mulher de raça, tomele Andross, tá pensando que tá lidando com amadoras, Brid é miseravona!!!!

    Tadinha da IA, cheia dos HORMÔNIOS, fase de se descobrir..estudou tantas coisas, mas nao imaginou que fosse passar com ela, é assim ou que ao longo dos anos, poderia sofrer mudanças em seu sistema orgânico.

    Adoro quando Brid chega e ver Olaf e a IA se pegando….fico rindo!!

    Uai, vc escreveu bastante, gostei muito!!

    Andros que se prepare!!!

    Quanto a mudar o dia das atualizaçoes, no hay drama, um dia menos,nao enlouquece ninguém!!
    Fica com Deus!!!

    Beijaooo

  3. Como é bom ver/ler esses casais se curtindo, aproveitando o momento mais calmo na nave. Brid aprendendo a ler as entrelinhas de sua amante, perdendo o medo fazendo com que o momento íntimo seja curtido pelas duas, com total entregada.
    Decrux tentando se entender em meio a tantos sentimentos novos e apavorantes, realmente uma adolescente, mas Helga está lá , cheia de experiência de vida e amor para ajudá-la, e isso é lindo, rs.
    É Andros… se ferrou!

    Li 3 capítulos de uma vez, rs
    Estória fantástica, Carol!
    Beijão

  4. Ual . Adoro essas cenas quentes, é muito bom. Hahaha o machao do Andros se curvou pra Brid, ela é pior q a orelhinha.
    Ounn momento quente de Decrux e a Olaf 😍😍😍
    Eitaaa Decrux fase adolescente? So Zeus na causa …
    Hahahah e as emoções nao param
    Muito bom o capitulo Bivard. Xero bem grande 😘😘😘

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