Capítulo 47

Capítulo 47

Ainda era manhã de terça feira, quase hora do almoço, e Maia estava em seu escritório lendo alguns papéis enquanto olhava para a ampla janela esperando ver algum movimento que indicasse o carro da fazenda chegando com seu melhor amigo. O voo de Enzo deveria ter chegado perto das oito horas da manhã e, do aeroporto em outra cidade até ali, eram mais quatro horas de viagem com pouco transito. Pouco tempo antes Alicia havia feito uma rápida ligação entre um atendimento e outro pedindo para adiantar a visita que ela faria para preparar o envio das amostras de DNA para o teste de Argentum. Combinaram da veterinária chegar ao Rancho na manhã seguinte.

Logo antes de Antonieta subir lhe chamando ela viu o carro na estrada que chegava a entrada do Rancho. Largou seus papéis sobre a mesa, pegou sua muleta e saiu da sala descendo a escada no seu ritmo lento. Pode ouvir o carro estacionar quando estava no último degrau e continuou seu caminho em direção à sala. Mal havia entrado no ambiente e viu seu melhor amigo entrando pelas amplas portas abertas. Enzo tinha uma mala azul de tamanho médio na mão e uma pequena mochila que provavelmente continha seus equipamentos eletrônicos.

Quando se viram os dois abriram largos sorrisos e o rapaz soltou a mala no chão próxima a porta indo em direção a ela. Maia teve tempo apenas de encostar sua muleta no sofá enquanto Enzo soltava a mochila sobre o mesmo antes de abrir os braços recebendo o amigo. Enzo a abraçou pela cintura enquanto ela envolvia o pescoço do rapaz num abraço apertado cheio de sorrisos.

– Ai que saudades de você meu anjinho – disse ele balançando ambos de um lado a outro sabendo que não poderia girá-los pois estavam dentro de um local com móveis muito próximos.

– Que saudades de você, Enzo – respondeu ela também apertando o amigo naquele abraço que não acontecia a mais de dois anos, quando o amigo afrouxou o aperto e eles começaram a desfazer o abraço ela voltou a falar – Como foi de viagem? Deve estar exausto, sei o quanto odeia aviões.

– Um pouquinho, mas nada que uma ótima noite de sono não resolva – respondeu ele com um largo sorriso segurando o rosto dela com ambas as mãos e encarando os olhos verdes – O clima do campo tem mesmo lhe feito maravilhas, está ainda mais linda – disse ele sorrindo e recebendo um pequeno tapa na mão fazendo com que soltasse o rosto dela.

– Vamos, Antonieta deve estar a terminar o almoço e não reclame que longas viagens lhe tiram a fome – falou ela pegando a muleta numa das mãos e estendendo a esquerda para o amigo – Quando provar a comida de Dona Antonieta lhe garanto que vai comer até demais. Deixe suas coisas aqui que levamos pro seu quarto depois – instruiu ela puxando-o para a sala de jantar.

Ambos seguiram para a grande sala onde a mesa já estava posta e encontraram Maria terminando de trazer as travessas com o almoço. Como previsto por Maia, Enzo comeu mais do que deveria e quase passou mal, mas saiu da mesa dizendo que valeria cada segundo. A dona do Rancho havia pedido que preparassem o último quarto do corredor, ela não conseguiu colocá-lo no quarto que Alicia costumava usar e estava acreditando que nunca conseguiria deixar outra pessoa ocupar aqueles aposentos. Após um café servido na sala ambos seguiram para o escritório dela.

Sentada atrás de sua grande mesa de madeira maciça ela viu o amigo fechar a porta antes de se sentar em uma das cadeiras do outro lado, de frente para ela. Pela expressão no rosto dele já sabia qual seria o assunto e sabia também que não conseguiria fugir dele. Por isso mesmo, apenas se resignou recostando-se ao estofado da cadeira e cruzou os dedos sobre seu colo esperando que Enzo começasse seu interrogatório.

– Certo, não consigo mais me conter. Vamos, me conte da sua veterinária – pediu ele parecendo uma criança animada com os presentes de natal que iria desembrulhar.

– Eu realmente não tenho muito a dizer sobre ela, Enzo. E Alicia não é “minha” veterinária – resmungou com os olhos verdes rolando, mas no fundo quis rir do jeito afobado do amigo e acrescentar um ‘ainda’ ao final da sua frase.

– Não acredito nisso. Algo há para dizer sim – reclamou Enzo dando de ombros e cruzando as pernas – Vamos, me diga as qualidades dela.

Maia voltou a rolar os olhos e cruzou os braços, mas um pequeno sorriso estava disfarçado em seus lábios. No fundo ela tinha muito a dizer sobre Alicia, mas estava com receio de parecer muito boba falando sobre a mais velha. Mas a vontade de compartilhar os pensamentos que tinha sobre a veterinária foram mais fortes que sua vergonha e ela acabou por sorrir ao começar a falar.

– Ela é incrível, Enzo – disse Maia já ganhando um brilho diferente no olhar – Completamente incrível. Dedicada, completamente apaixonada pelo que faz. Ela é a pessoa mais atenciosa e gentil que eu já conheci. Parece nunca medir esforços para ajudar os outros. E eu realmente já ouvi histórias do quanto ela pode insistir em algo por alguém. Ela também é persistente, vi isso no nascimento do Argentum. Segundo Giulio qualquer outro veterinário teria desistido do potro e tentado salvar apenas a égua, mas Alicia lutou pelos dois. Ela também ama animais, mas já vi que a grande paixão dela são cavalos. Acho até que minha repentina paixão por esses animais pode ter surgido por influência dela.

– Certo, certo – interrompeu Enzo – Agora quero saber dos defeitos dela – falou com um largo sorriso notando a forma como a amiga falava sobre a veterinária – Até porque, convenhamos, todo mundo tem defeitos.

– Concordo com você, todos têm defeitos – falou Maia com um sorriso discreto – Mas quando penso nos defeitos dela ainda consigo vê-los como um certo tipo de qualidades.

– É incrível – murmurou Enzo trazendo o foco da amiga para si – Seus olhos brilham quando fala dela. É impressionante, Maia. Eu nunca te vi dessa forma por nada.

– Eu nunca estive dessa forma, Enzo. Nunca – falou ela abraçando a si mesma – Estou numa situação desconhecida. E preciso admitir que isso me assusta na mesma proporção com que me impressiona.

– Ai minha amiga – falou ele estendendo os braços por cima da mesa oferecendo suas mãos que Maia não hesitou em segurar recebendo um aperto firme e carinhoso – Não fique assim. Tenha paciência e esperança, você não pode presumir nada ainda. Precisa decidir primeiro que postura quer tomar, mas eu quero e vou dar minha opinião sobre essa veterinária antes. Não se desespere antes da hora. Eu tenho um bom pressentimento sobre isso.

– Eu juro que não quero me precipitar, mas não sei se consigo ser esperançosa sobre o assunto – admitiu Maia – Mas sua oportunidade de vê-la foi adiantada. Alicia ligou essa manhã pedindo para adiantar a visita que tínhamos programado dela fazer na quinta para amanhã cedo. Ela ficou apenas de me confirmar o horário.

– Pois esperarei ansioso – falou Enzo ainda apertando as mãos da amiga e dando um sorriso confiante – Tenho ótimos pressentimentos sobre isso.

Maia sorriu de volta, sabia que o amigo às vezes tinha dessas coisas sobre pressentimentos. Sabia também que, nas poucas vezes que acontecia, Enzo não costumava errar. Por esse motivo permitiu-se ter um pouco de esperanças no dia seguinte. O resto da terça foi passado entre conversas, ainda no começo da tarde Enzo se recolheu para descansar e deixou Maia trabalhando no escritório. Ela preparou toda a documentação sobre Argentum e deixou tudo organizado pra o dia seguinte.

Por volta das 15 horas Enzo voltou e tirou Maia do escritório fazendo-a leva-lo para conhecer os arredores da casa e as pessoas. Todos gostaram muito do rapaz que não escondia nem modificava seu jeito de ser. Quando conheceu a cozinha Enzo conseguiu deixar Maria um tanto envergonhada pela pergunta que lhe fez. A senhora perguntou a quanto tempo ele estava noivo pois possuía uma aliança. O rapaz simplesmente respondeu que não havia sido pedido em noivado ainda pois o namorado não estava pensando em casamento no momento e que a aliança era apenas para simbolizar o compromisso. Chegou a contar rapidamente que haviam trocado as alianças depois do segundo ano de namoro.

Antonieta, Giulio e Eduardo que também estavam na cozinha na hora ficaram surpresos por alguns momentos, todos sem saber o que responder. Mas isso não durou muito pois Maria começou a ficar incrivelmente vermelha e quando Maia não mais conseguiu se conter e começou a rir os outros três a acompanharam sendo seguidos de Enzo. Claramente todos ficaram um tanto desconfortáveis no começo com a revelação, mas Enzo foi muito calmo em manter um assunto qualquer e depois, quando os presentes começaram a questioná-lo foi muito calmo e tranquilo em explicar que amava uma pessoa pelo que ela possuía em seu interior.

A conversa rendeu por quase duas horas e, quando acabou, todos pareciam concordar com os pontos apresentados pelo rapaz de que a vida era curta demais para se restringir quem se deve amar. E que o amor não vê o que a pessoa demonstra ser por fora, mas sim o que há nela por dentro. Além de que tiveram de concordar que ninguém tinha direito de opinar na vida dele pois qualquer consequência viria apenas sobre ele e não seria ninguém na terra responsável por julgar quem ele poderia ou não amar.

Quando se deitou naquela noite Maia agradeceu mentalmente por ter Enzo em sua vida. Depois encarou o teto se dando conta do quão ansiosa estava por ver Alicia outra vez. Recordou rapidamente do selinho que havia dado na veterinária adormecida, mas logo afastou a memória. Só que não conseguiu afastar a jaqueta e, quando se virou na cama, puxou o tecido para si e dormiu abraçando a peça contra seu nariz.

 

N/A: Bom dia (Boa tarde ou Boa noite, dependendo de quando estiver lendo kkkk). FINALMENTE (depois do meu voo atrasar eu perder a conexão e ter que esperar 14 horas até conseguir embarcar no único voo que tinha disponível) EU VOLTEI!! Cheguei para trazer o capítulo amado do fds de todos aqui kkkkk.
Espero que gostem do Enzo (pq eu adoro ele).

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Me chamo Alini e tenho 24 anos.
Meu primeiro projeto público se iniciou em 2012; no final 2013 disponibilizei o primeiro projeto com foco em um casal homoafetivo.
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