Capítulo 81 – Telefonema preocupante

Capítulo 81 – Telefonema preocupante

Erika vinha numa cadeira de rodas sendo empurrada por uma enfermeira com uma roupa branca. Assim que notou a aproximação da namorada Alex se desencostou da parede ao lado da porta e ficou de frente para a morena que vinha ainda na metade do corredor. Erika deu um sorriso quando já estava bem perto da namorada e, assim que estavam bem perto, a menor suspirou vendo que a lutadora parecia um tanto melhor.

– Você é a acompanhante da senhorita Anderson?? – perguntou a enfermeira sorrindo amigavelmente.

– Sim, sou eu – confirmou Alex desviando os olhos da morena para  a enfermeira, uma jovem de uns 26 ou 27 anos, rosto calmo com aparência de cansaço que tinha os cabelos presos num coque alto e bem feito.

– O médico pediu para que ela ficasse essa noite em observação, apenas para confirmar que o medicamento usado pra dor fará o efeito necessário ou se será preciso aumentar um pouco a dose. Ela está perfeitamente bem e ficará no quarto provavelmente apenas por essa noite. Como é um quarto particular é permitido que até duas pessoas passem a noite aqui com ela, eu passo mais tarde para pegar os nomes de quem vai ficar aqui – disse a enfermeira e Alex concordou com a cabeça, então a mulher voltou a empurrar a cadeira e Alex rapidamente abriu a porta.

Lá dentro Katerine e Angeline estavam sentadas na poltrona perto da janela, a loira de lado no colo da ruiva, enquanto conversavam baixinho com sorrisos uma pra outra. Ao verem Erika entrar as duas se levantaram e Kat já pegou o celular para ligar para Melissa e contrar tudo. A enfermeira parou a cadeira ao lado da cama e Erika se levantou e se deitou quase sem ajuda nenhuma fora o amparo de Alex que manteve uma mão firme na cintura da morena. A enfermeira saiu logo depois reiterando que voltaria em alguns minutos para pegar os nomes de quem passaria a noite com a lutadora.

– Atenção – disse Katerine se aproximando da cama com Ange logo ao seu lado e colocando o celular sobre o colo de Erika – Melissa no viva-voz.

– Oi Mel – disseram todas juntas.

Oi gente – disse a voz de Mel vinda do aparelho – Erika como é que você está hein mulher???

– Eu to bem Melissa, sério mesmo – respondeu a morena rindo – O médico só achou prudente me deixar em observação essa noite pra saber como vai ser minha resposta ao analgésico, se não vai ser preciso alterar a dose e essas coisas.

– Então as suas costelas estão bem??? – perguntou Angeline curiosa e preocupada.

– Sim, Ange, estão ótimas – falou a morena – Otimamente doloridas, mas as fissuras não parecem ter aumentado muito, parece que alguns milímetros apenas e nada muito grave pra quem saiu de uma luta como a minha.

– Você sabe que quando suas costelas não estiverem mais doendo eu vou bater muito em você não sabe?? – avisou a guitarrista num tom irritado e ameaçador – Só por me deixar preocupada desse jeito.

– Sim eu sei – comentou Erika com um pequeno sorriso e depois se virando para o telefone onde a voz de Melissa concordava com Alex – Em resumo eu ficarei muito bem desde que continue em repouso. Cinco ou seis dias e a dor já deve passar quase completamente, segundo o médico, desde que eu não faça nenhum esforço que provoque instabilidade no osso.

– Por falar em repouso, é melhor a senhorita deitar direito e se prepara para dormir – disse Alex puxando do bolso seu celular – Mel, pode deixar que eu cuido dessa cabeça dura aqui. Ela já fez merda uma vez, não vou deixar fazer de novo.

Acredito em você Alex – disse Melissa com um tom serio – Bom, Erika sua lata-velha está lá na sua casa estacionada certinho. Eu vou ai amanhã de manhã pra saber as novidades.

– Precisa não Mel – disse a morena olhando a namorada que parecia procurar algum numero na agenda – Vai lá em casa amanhã, melhor, na casa da Alex. Eu vou pra lá assim que me derem alta amanhã cedo.

– Ok então – concordou a garota e se despediu recenbendo boa noite de todas as presentes no quarto.

– Certo – disse Alex com o celular ainda nas mãos – A enfermeira disse que até duas pessoas podem ficar a note aqui com a Erika, então eu queria saber se alguma de vocês vai….

– Poupe-nos Alex – disse a ruiva passando um baço em volta da cintura da loira que estava rindo baixo – Nenhuma de nós duas tem vocação pra ser vela. Só você aqui já é tudo o que a Erika quer e precisa e eu tenho certeza disso.

– Ela não deixa de ter razão – concordou Erika num sussurro olhando para a janela e corando levemente fazendo as outras três segurarem o riso pela morena ter admitido isso em voz alta.

– Eu e Ange vamos indo pro hotel dela – disse a loira sorrindo de um jeito tão feliz que Alex até desconfiou que algo estava diferente – Ligamos pra saber notícias amanhã cedo e talvez nós também cheguemos a ir até a sua casa pra ver vocês, mas não contem muito com isso – ela disse rindo e guardando o celular no bolso.

Logo depois as duas se despediram e saíram do quarto desejando uma boa noite para Erika e Alex. As duas, quando sozinhas, se encararm por alguns instantes até que a menor suspirou e disse que procuraria a enfermeira para saber se era possível trazerem alguma comida para ambas. Erika concordou e disse que ficaria esperando calmamente deitada e que não faria nenhuma tentativa de se levantar. A morena já sentia os analgésicos fazerem efeito e a dor começava a diminuir, mas ela não queria fazer nada que preocupasse ainda mais a namorada.

A guitarrista voltou só mais de meia hora depois com uma sacola plástica nas mãos. Como já passava das 11h da noite a cozinha do hospital já não estava mais aberta e todas as refeições já tinham sido servidas, mas Alex, falando com a enfermeira que deixou Erika no quarto, soube que poderia comprar algo em algum dos restaurantes em volta do hospital e levar para o quarto já que Erika não tinha nenhuma restrição a respeito de alimentação. Assim a menor voltou com dois sanduíches enormes de peito de peru com queijo cheedar, alface, tomate e azeitona e duas garrafas de 500ml de suco de laranja.

Alex se sentou na poltrona enquanto Erika comeu sentada na cama mesmo. Depois de terminarem Alex pegou o lixo das duas e foi jogá-lo na pequena lixeira no canto oposto ao da cama da morena. Erika encarou as costas da namorada caminhando até lá e parando em frente ao lixo para soltar o que tinha nas mãos. Antes que Alex se virasse a voz da morena ecoou receosa e baixa.

– Me perdoa Alex – disse a lutadora sem mais conseguir encarar as costas da guitarrista – Me perdoa por hoje, por ter te preocupado.

– Você me deixou completamente desesperada Erika, não foi só preocupação – murmurou a guitarrista num tom muito baixo, mas o silencio no quarto permitia que Erika ouvisse cada palavra.

– Eu sinto muito pequena, eu juro pra você que sinto muito ter te feito passar por isso – disse a morena com a voz soando ressentida e arrependida – Eu não queria que você tivesse se sentido assim, mas eu simplesmente…..

– Precisava – completou a menor antes que Erika conseguisse terminar de falar, antes que a morena notasse Alex já tinha parado ao lado da cama da mesma – Eu sei….. Eu sei disso Erika – disse a guitarrista segurando as mãos da lutadora entre as suas e atraindo o olhar culpado da maior – Eu sofri muito vendo você lá naquele octógono e com isso eu tive certeza de algumas coisas. Você é a mulher mais louca, pirada, maluca mesmo, inconsequente também – falou Alex com um toque de irritação na voz, então a menor suspirou e voltou a falar de um jeito calmo e carinhoso – E determinada, decidida, compenetrada, corajosa e linda que eu conheço – Alex tocou o rosto da namorada que a encarava com um sorriso e o puxou até encostar as testas das duas – Nunca mais, e eu falo sério, nunca mais mesmo me fassa passar por isso de novo porque eu não vou aguentar outra vez. Mas eu tenho muito orgulho e admiração por você ter conseguido, meu amor.

As mãos de Erika se soltaram da mão da guitarrista e seguraram o rosto da menor enquanto a morena sorria de um jeito aliviado, além de um tanto envergonhado e grato. A lutadora tocou aquele rosto que tinha os olhos fechados apreciando cada curva que ele possuía com a ponta dos dedos e os olhos antes de falar algo.

– Eu amo você. Eu amo mesmo, amo muito – foi o que a lutadora finalmente falou em um sussurro terno e carinhoso.

– Eu sei que ama – riu a menor dando de ombros e logo depois roubando um selinho rápido – Eu também te amo minha morena maluca, mas agora chega de conversa, precisamos é dormir. Eu e você.

– Deita aqui comigo – convidou a lutadora com um sorriso calmo.

– Sério isso Erika??? Você com essa roupa fina de hospital e me pede pra deitar com você??? – perguntou a menor tirando a jaqueta jeans que usava na inteção de se cobrir com ela – Olha, essa cama não tem espaço, mas mesmo que tivesse você não pode fazer esforço, então desiste de me seduzir hoje.

– Besta – riu Erika puxando um travesseiro e acertando na cabeça da menor que riu enquanto colocava a mão no lugar acertado e fingia sentir dor – Eu só quero dormir abraçando você Alex, por favor.

– É óbvio que eu não te deixaria dormir sozinha meu amor – respondeu a guitarrista sorrindo e se aproximando ainda mais da cama da morena – Vai, chega um pouquinho pra lá que eu vou deitar aqui e segurar você nos meus braços pra dormimos um pouco.

– Vem cá sua guitarrista abusada – disse a lutadora rindo e logo depois Alex estava deitada com as costas contra os travesseiros e Erika deitada sobre o lado direito do corpo e com a cabeça apoiada no peito da guitarrista enquanto abraçava a cintura da namorada.

 

—Dia seguinte—

O som estridente de uma musica ecoou pelo quarto naquela manhã e Erika foi a primeira a acordar realmente. Ela olhou pra cima e sorriu vendo o rosto adormecido da namorada que não havia se movido quase nada desde a noite anterior deixando-a dormir do modo mais confortável possível, mas o mesmo som ecoou outra vez fazendo a lutadora se lembrar do motivo por ter aberto os olhos. Ela se ajeitou na cama e olhou em volta, em cima de um pequeno armário ao lado da cama a morena encontrou a fonte do barulho.

Era seu celular que tovaca algumas repetidas vezes alertando para notificações de mensagens recebidas. Quando o pegou e destravou a tela Erika viu 4 chamadas perdidas de Beth na noite anterior e mais uma durante a madrugada. Agora eram duas mensagens da velha amiga que piscavam no espaço das notificações. A lutadora não perdeu tempo em abrí-las e se surpreendeu com a intensidade e a forma curta, rápida e direta com que Elizabeth havia se comunicado.

 

05:05am – Erika, por favor me atende. Tenho q falar com vc, é assunto sério. Pfvr retorna a minha ligação

 

06:45am – Erika vc tá bem?????Me liga logo, PFVR!

 

Assustada com o motivo daquelas mensagens tão cedo, já que em Oregon o fuso horário era algumas horas a menos, a morena se sentou mais rigidamente e discou o número da amiga. Foi nesse momento que Alex acordou e percebeu a expressão séria e preocupada da lutadora. Sem dizer nada a guitarrista saiu da cama ficando em pé e recolocando os sapatos enquanto esperava para ver pra quem Erika estava ligando.

Erika!!! Graças a Deus que você atendeu!!!! – falou a outra suspirando aliviada.

– Beth o que foi que houve, mulher? – perguntou a morena já completamente preocupada com a situação – O que aconteceu pra me ligar tanto? Você tá bem? O bebê tá bem?? Elizabeth o que foi que aconteceu??

Amiga eu….por favor eu não quero falar disso por telefone – disse a outra num tom mais triste e preocupado – Estamos bem, mas…..é por enquanto.

– Meu Deus Elizabeth, não me assusta – murmurou Erika colocando uma mão na testa e ficando incrivelmente preocupada, percebendo isso Alex se aproximou da cama e colocou uma mão sobre a perna da namorada.

Erika, por favor….é importante….eu… – um longo e cansado suspiro foi ouvido do outro lado da linha – Erika por favor, vem pra cá o quanto antes. O mais rápido possível. Sei que você tem seus compromissos, e o campeonado, e tudo o mais. Mas eu preciso de você aqui amiga, de você e daquela intrometida irritante da sua namorada.

– Embarcamos o mais rápido que conseguirmos – falou a morena séria desistindo de perguntar e exclarecer as coisas – Estaremos ai o mais rápido que for possível, não se preocupa.

Obrigada – agradeceu a voz de Elizabeth com um suspiro aliviado e as duas se despediram de forma até rápida.

– Algo aconteceu? – perguntou Alex com um tom curioso e preocupado – Algo com a Beth ou o bebê??

– Não sei, parece que sim. Mas vamos descobrir logo – falou a lutadora com um semblante sério e preocupado – Vamos pra Oregon assim que eu sair daqui e conseguirmos comprar as passagens.

Leia outros capítulos desta história<< Capítulo 80 – NamoradasCapítulo 82 – A Gravidez de Elizabeth >>
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Me chamo Alini e tenho 24 anos.
Meu primeiro projeto público se iniciou em 2012; no final 2013 disponibilizei o primeiro projeto com foco em um casal homoafetivo.
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