Capítulo 82 – A Gravidez de Elizabeth

Capítulo 82 – A Gravidez de Elizabeth

O avião pousou perto das 18h do dia seguinte ao da ligação de Elizabeth para Erika já que, por causa das orientações médicas, as duas só puderam viajar no dia seguinte. Erika tinha alugado um carro enquanto Alex comprava as passagens. Assim, logo depois de desembarcarem, as duas não demoraram a colocar suas malas dentro do veículo se dirigindo o mais rápido possível para a cidade de Erika. Antes das 21h as duas já estavam estacionando em frente à loja de Beth e desciam do carro para encontrar com a mesma que as esperava em frente ao portão que levava ao andar superior.

As três se abraçaram muito, Erika e Alex tocaram, beijaram e encostaram seus rostos contra a enorme barriga de Elizabeth enquanto a futura mamãe ria do jeito bobo com que as duas falavam com o bebê. Só então a lutadora e a guitarrista arrastaram as várias malas que tinham levado, porque Beth havia pedido para que ficassem até o nascimento do bebê.

– Certo, agora senta ai e nos explica o que foi que aconteceu – exigiu Erika impedindo a amiga de seguir para a cozinha e guiando-a para o sofá onde a fez se sentar.

– Isso mesmo, você nos deixou incrivelmente preocupadas, agora explique o porque – apoiou a menor parando ao lado da namorada, ambas de braços cruzados e com expressões sérias.

– Acho que….vocês deveriam sentar – disse Elizabeth suspirando de um jeito cansado a colocando as mãos sobre a barriga que já estava mesmo enorme.

As duas olharam de uma para a outra e então, como se concordando sobre algo, se sentaram cada uma de um lado de Beth no sofá. Quase que ao mesmo tempo elas passaram, cada uma, um braço por trás das costas de Elizabeth e a outra mão de cada uma pousou levemente sobre as mãos da outra. Não demorou nada para que Beth fechasse os olhos e começasse a chorar baixinho enquanto era abraçada e amparada pelas duas que ficaram ainda mais preocupadas e receosas pela reação da amiga.

– Desculpa gente, desculpa mesmo – disse Elizabeth depois de alguns minutos conseguindo finalmente se acalmar – Certo, antes de tudo, eu quero que prometam que não vão vir direto brigando comigo por não ter conversado com vocês sobre isso antes.

– Beth….é algo muito sério, isso dá pra perceber – disse Alex de um jeito tranquilo tentando se acalmar e também acalmar a amiga que ainda parecia estar se recuperando da crise de choro – Já conseguimos presumir também que o que aconteceu vai fazer a gente reclamar porque você deveria ter dito antes.

– Mas entendemos que você deve ter tido seus motivos – continuou Erika com um sorriso gentil enquanto afastava uma mecha do cabelo castanho escuro do rosto da amiga – Mas agora é hora de contar pra gente, então vamos ir direto ao ponto para que Alex e eu possamos ajudar você de verdade.

Beth olhou de uma a outra, até que seu olhar se fixou nos olhos azuis de Erika. Olhos azuis escuros, tão profundos quanto os de Phillip haviam sido e que agora também tinham o mesmo brilho calmo, tranquilo, confiante e alegre que os olhos do homem que ela amou um dia tiveram. A memória da tranquilidade que um simples olhar de Phill lhe causava fez Elizabeth sorrir e então ela suspirou se preparando para contar tudo.

– Vocês se lembram de eu comentar que não queria a sua mãe nas consultas comigo, não é Erika? – perguntou Elizabeth e as outras duas concordaram – Bom, Judith estava sendo mesmo insuportável com seu excesso de precauções e essas coisas. Mas…..eu tive outro motivo para evitar que ela fosse nas consultas com meu médico. Por que…. bom, por que em uma dessas consultas. Em uma delas meu médico disse que eu provavelmente enfrentaria muitos problemas.

– O que você quer dizer com isso Beth? – questionou Erika num tom calmo segurando as mãos da amiga entre as suas enquanto Alex mantinha as mãos sobre os ombros de Elizabeth.

– A minha gravidez é uma gravidez de risco – contou Elizabeth abaixando a cabeça e suspirando de forma cansada – Durante os exames de rotina o médico descobriu algumas complicações relacionadas a minha saúde. Eu estou tomando vários remédios, suplementos, vitaminas e tudo o mais que ele me passou – se apressou em dizer ela ao notar as expressões surpresas e preocupadas da guitarrista e da lutadora – Eu e o bebê estamos bem, por enquanto. Eu chamei vocês aqui porque…… Eu estou no fim do sétimo mês e o médico acha que…..talvez meu organismo não aguente levar a gestação até o final. No entanto…por conta dessa minha…condição física menos propícia….quanto mais prematuro meu bebê nascer menor são as chances dele sobreviver. Eu já decidi a muito que….se for pra escolher entre mim e ele eu prefiro ele e deixei isso muito claro pro meu médico.

– Beth!!! Mas isso é……..Isso……isso é loucura!! – falou Erika se levantando e começando a andar de um lado a outro enquanto explodia de preocupação e desespero – Tem que haver uma forma segura pra vocês dois!! Pelo amor de Deus, tem que ter um jeito de que nem você nem o bebê corram riscos!!!

– Não tem – disse Elizabeth num tom cansado – Eu mais do que ninguém queria que tivesse, mas…. – a voz dela falhou e Erika rapidamente voltou a se sentar abraçando a amiga logo em seguida sendo acompanhada por Alex que fez o mesmo – Erika eu juro que ainda não acredito que isso tá acontecendo – continuou Beth quase chorando de novo – Eu escondi isso de vocês nos últimos meses tentando descobrir um jeito, torcendo pra algo mudar, desejando e rezando pra que o meu quadro se revertê-se, mas não aconteceu.

– Por isso nos pediu pra vir pra cá não é? – perguntou Alex de um jeito calmo e gentil enquanto continuava a abraçar a amiga e a namorada juntas.

– Eu preciso de vocês aqui – falou Beth erguendo o rosto do ombro de Erika – Quando Judith descobrir……Porque agora já está praticamente impossível esconder e com certeza deve ficar ainda mais. Quando ela souber eu sei que ela vai querer controlar cada passo que eu dou, mas….. o que não posso mesmo deixar acontecer é.. – Beth respirou fundo e fez uma expressão séria – Se o pior acontecer comigo, eu não quero, de jeito nenhum, que meu bebê acabe com ela. É sua mãe Erika, mas meu filho não merece ser criado por uma mulher tão preconceituosa e egoísta quanto Judith Anderson. Se seu pai estivesse vivo eu não me preocuparia com isso Erika, juro que não…..Arthur era um bom homem…..apesar de tudo, ele estava arrependido de ter mandado você embora e sei que um dia acabaria aceitando você de volta……mas…

– Era orgulhoso demais para vir atrás de mim e admitir isso – murmurou a morena com um mínimo sorriso – Eu sei Beth.

– Mas ele também se foi então…. – Elizabeth se afastou um pouco das duas e as encarou por alguns segundos enquanto limpava um pouco o rosto das lágrimas, ela então segurou uma mão de cada uma e as juntou sobre sua barriga – Se esse bebê perder a mãe biológica, eu quero que ele ganhe duas mães ao invés de só uma avó – disse ela fazendo os olhos das duas mulheres se arregalarem.

– Beth….eu…..Meu Deus Elizabeth – murmurou Erika colocando a outra mão sobre a boca, Alex apenas encarava a amiga com os olhos arregalados e a boca aberta.

– Eu me recuso a deixar uma única brecha para que Judith fique com minha criança – falou Beth com um olhar decidido e firme apesar do rosto úmido por causa das lágrimas – Se nada sair como deveria…..se tudo der errado e…..e eu não sair das salas daquele hospital – ela falou soltando as mãos das duas e alisando com carinho a sua enorme barriga onde seu bebê parecia dormir já que estava quietinho – Eu sei….sinto….que Phill iria querer isso também. Erika, se não for eu a criar essa criança, se não for eu a vê-la crescer e a educa-la….. Então a única pessoa a quem eu posso confiar essa tarefa é você – Beth encarou os olhos azuis de Erika, tão parecidos com os de Phill, e sorriu erguendo uma mão pra tocar o rosto da amiga e cunhada – Eu sei que você cuidaria dele tão bem quanto eu. Erika, você é uma parte do Phill que nunca vou encontrar em nenhum outro lugar. Nenhuma das minhas memórias ou das histórias que eu tenho pra contar podem reproduzir tão bem como era ter Phillip Anderson por perto quanto você existindo pode fazer. Vocês podem ser completamente diferentes, mas na essência sempre foram iguais. E eu quero mais do que tudo que meu bebê tenha esse contato com você. Com a tia que pode, melhor do que ninguém, mostrar pra ele como era o pai.

O olhar de Erika era triste e feliz ao mesmo tempo. Ela sabia que se tudo desse errado e sua mãe ficasse com a guarda de seu sobrinho ou sobrinha isso significaria que ela nunca seria capaz sequer de chegar perto dessa criança. E ela conhecia a própria mãe, sabia que se essa pequena vida fosse criada por Judith Anderson nada impediria que sua mãe transformasse essa criança em alguém tão preconceituoso e egoísta quanto ela. Mas havia um medo pior em Erika. O medo de que esse bebê, ao crescer, pudesse passar pelo mesmo que ela passou. O medo de que aquele pequenino ser não se tornasse o que Judith queria que fosse e, por isso, ela passasse a trata-lo como tratou Erika na infância.

Com um suspiro Erika desviou o olhar dos olhos castanhos de Beth e encarou os castanhos esverdeados de Alex. A morena achou compreensão e apoio naquele olhar e isso a fez sorrir. Ela então tomou uma respiração profunda e fechou os olhos por alguns segundos. Ao abrí-los ela já não tinha duvida do que faria dali pra frente. Por isso se afastou de Beth, se inclinou para frente e colou a testa na barriga da amiga que sorriu. Em seu lugar Alex sorria também, mas não se moveu por saber que Erika faria algo.

– Hey você ai – sussurrou a morena com um mínimo sorriso – Não sei se você lembra de mim, era menor ainda da ultima vez que falei com você sabe – ela riu baixinho – Mas não liga não, agora vou ficar aqui bem pertinho de você pelos próximos meses. Sua tia aqui veio pra ajudar sua mamãe a cuidar de você. Então não se preocupe que vamos fazer dar tudo certo – ela terminou sorrindo e então colocando ambas as mãos sobre a barriga de Beth ao lado de onde estava sua testa, ela então beijou a barriga de Elizabeth por sobre a blusa e, surpreendendo ambas, o bebê se moveu contra uma das mãos de Erika que riu alto – Ele mexeu Alex – disse ela rindo e mantendo a mão no lugar – Isso ai, eu to aqui, eu e sua outra tia doida – disse a morena e novamente o bebê se moveu contra a mão dela.

Beth deixava algumas lágrimas caírem, mas agora eram de felicidade. Erika também deixou uma lágrima escorrer enquanto continuava a conversar com o bebê que estava se movendo bastante ao som da voz dela e passou a ficar ainda mais agitado quando Alex resolveu conversar com ele também. Mas a noite só acabou quando Beth reclamou que as duas estavam fazendo o bebê se mover demais e bater contra suas costelas que começavam a doer.

– Certo certo – falou Alex rindo e aproximando o rosto da barriga de Beth – Sua mamãe está incomodada com sua agitação. Coisa normal das mães, você vai ver – Alex piscou um olho – Elas sempre ficam assim quando a gente começa a aprontar. Mas então vamos te colocar pra dormir, o que acha??

– O que você vai fazer?? – perguntou Erika vendo a namorada levantar.

– Leva a mamãe barriguda pra cama que eu encontro vocês três lá – falou a guitarrista piscando um olho para a morena e indo na direção das malas das duas que estavam perto da cozinha.

Erika entendeu rápido e puxou Beth pela mão que seguiu a amiga tentando olhar para trás sem entender nada.

– Deita ai, você já está mesmo pronta pra dormir. Agora você deita e descansa que Alex e eu nos viramos com as malas e tudo o mais, já somos de casa mesmo – falou a morena ajudando Beth a deitar e se cobrir já que o clima estava levemente frio na cidade.

Então Alex entrou no quarto com seu violão verde nas mãos e um enorme sorriso no rosto. Ela se sentou aos pés de Elizabeth que sorriu para a guitarrista sem entender nada. Erika foi logo se sentando do lado da amiga e de frente para Alex, encarando a namorada e esperando para ver o que ela faria.

– Você vai se surpreender por eu saber tocar esse tipo de musica, mas tudo bem – falou a guitarrista com um sorriso nervoso – E nem comentem o fato de eu cantar ela, ok? Você principalmente Erika. Sei que adora a minha voz, mas você sabe que eu não sou vocalista.

 

Erika não disse nada, nem tempo teve na verdade porque Alex começou a tocar logo em seguida. As duas amigas se surpreenderam com o estilo da musica, mas o ritmo era calmo e a voz de Alex soava tranquila. Erika entendeu rápido o porque dela ter escolhido aquela musica. Entendendo o que Alex queria a morena colocou uma das mãos sobre a barriga de Beth e começou a acariciar a parte lateral.

Elizabeth sorriu e acariciou a própria barriga também, sentindo seu bebê inquieto continuar a chutar. No terceiro refrão Erika aproximou o rosto da barriga da amiga e, por conhecer a letra começou a cantar junto com Alex e, pouco a pouco, a frequência de chutes conta sua mão foi diminuindo. Antes mesmo das duas terminarem a canção Elizabeth sentiu que o bebê já estava quieto novamente, como se dormindo outra vez e acabou por pensar: “Não existe lugar melhor pro meu filho do que com essas duas se ele não estiver comigo”.

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Me chamo Alini e tenho 24 anos.
Meu primeiro projeto público se iniciou em 2012; no final 2013 disponibilizei o primeiro projeto com foco em um casal homoafetivo.
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