Capítulo XXIV

Capítulo XXIV

(29 de agosto de 2017, Segunda-feira)

Camila arrumava-se para ir ao trabalho e Alessandra a observava. Ela ama fazer aquilo. Decidiu que ficaria em casa. A milionária andava pelo quarto, vestindo aquelas roupas sexys, mas sabia que tinha o olhar da noiva sobre si. Ela também adorava ser admirada. As duas iriam lutar para não estragar o que tinham. Claro que algumas coisas mudaram. Mas elas se amavam, e isso era o suficiente para saberem que poderiam passar por isso. Camila se olha uma última vez no grande espelho e se dá por satisfeita. Virando para a noiva.

– E então…

– Linda. Eu não posso deixar você sair assim. – Ela trajava um vestido preto colado. Esse que marcavam todas as suas curvas. E aquele salto agulha era a perdição da morena.

– Assim como?

Alessandra a encara, sabendo que a outra entendeu o que ela disse. Então ela levanta deixando sua camisola de seda vermelha escorregar por seu corpo. Paralisando os olhos de Camila naquele pedaço de mal caminho.

– Meus olhos estão aqui em cima. – Ela diz sorrindo.

– Eu sei. Não quero mesmo olhar para seus olhos agora.

– Eu criei um monstro. – Ela para em frente a noiva.

Camila a encara, abraçando sua cintura com cuidado para não amassar sua roupa.

– Eu amo você, amo mais do que possa imaginar.

– Eu sei princesa. E agradeço todos os dias por isso. Eu te amo mais que a mim mesma. Sua felicidade é a minha prioridade. Nunca se esqueça disso.

Camila beija os lábios da noiva. Precisava daquele contato. Sua segurança e sua felicidade estavam nos braços daquela mulher.

– Eu preciso falar de algo delicado com você.

– Devo me preocupar? – Camila pergunta já preocupada.

– Não. Eu prometi não mentir e não esconder nada de você. Então o farei. Meu pai. – Camila suspira. Ainda tinham esse assunto. – Ele ainda acha que estamos com o plano. Preciso saber o que você quer que eu faça.

– Eu… eu não sei Ale. Ele é seu pai. Apesar de tudo é o seu pai. Sua família.

– Minha família é você. Você é a pessoa mais importante para mim. – Alessandra diz ao beijar de leve os lábios da noiva. – Você, apenas você.

– O que pensou em fazer?

– Nada, apenas deixar como está.

– Você acha que ele vai se convencer?

– Ele não pode fazer nada. Só eu poderia te fazer algum mal. E eu nunca faria isso. E como você já sabe que ele não presta é só evitá-lo.

– Certo. Tudo bem. E as mensagens?

– Eu não sei o que fazer. Eu não faço a mínima ideia de quem seja.

– E se for… – Ela não termina de falar.

– Eu já pensei nisso. Se for um dos meus… casos antigos, eu terei que esperar.

– Ok. – Ela dá um selinho em sua noiva. – Eu tenho que ir.

– Ok. Eu ficarei em casa hoje. Minha perna ainda dói um pouco. Farei companhia a Marta.

– Certo. Não force a perna. E qualquer coisa me ligue. Até mais tarde.

Ela dá um último beijo na noiva, pega as chaves do carro e sai. Aparentemente nada mudou, e ela lutaria para continuar da mesma forma. Elas tinham uma sincronia incrível. Ela entra não Corolla e sorri.

– Pare de pensar nela Camila. – Ela se repreende, porque a verdade era que toda a sua vida agora girava em torno de Alessandra Ferraz.

………………………………………….

– Já arrumou tudo?

– Sim. Só vou colocar alguns livros na caixa e tudo pronto. Pedro irá me ajudar a organizar essas coisas no apartamento. – Emily responde à mãe, que a ajudava a colocar todas as roupas em malas.

– Quando começa a dar aula?

– Semana que vem. Também começarei um cursinho. Tentarei primeiramente o ENEM. Se não der certo, optarei pelas particulares.

– Estou tão orgulhosa de você.

– Eu sei mãe. E prometo não decepcioná-la.

– Eu sei querida. Eu só queria que você ficasse mais feliz com suas escolhas.

– Eu estou feliz mãe. Eu juro. Eu só… não dá para esquecer de um dia para a noite. Mas eu vou conseguir, eu prometo.

– Tudo bem. Eu sempre estarei aqui por você.

– Eu sei. – Então elas se abraçam. Maria sempre apoiaria os filhos.

Emily iria fugir. Poderia ser covarde da parte dela. Mas a esperança que ela tinha, se perdeu na noite anterior. Ela amava Fernanda com todo o seu ser. Mas sofrer daquela forma, era insuportável para qualquer ser humano. E seu masoquismo acabou no dia em que sua ex patroa decidiu voltar para o Brasil. Na verdade, ali ela soube que nunca teria Fernanda Braga para si. As duas se separam ao ouvir a voz de Pedro. Ele gritara que já acabara de colocar as malas e caixas dentro do carro. Esse que foi empestado pela patroa para fazer a mudança. Ela fecha a última mala e leva para o irmão. Depois coloca todos os seus livros em uma caixa e faz o mesmo. Era o seu recomeço.

– Se precisarem de ajuda me liguem.

– Mãe, nós podemos arrumar uma casa sozinhos. E seu filho só quer ir porque já vai arrumar um dos quartos do jeito dele.

– Claro, se você vai morar sozinha, eu tenho direito a um quarto. – As duas sorriem. Ele apesar de já ter 18 anos, sempre foi um “crianção”.

– Tudo bem. – Ela abraça a filha mais uma vez. – Me ligue, por favor. Todos os dias.

– Eu vou, eu prometo.

Elas se apertam mais. Quando Emily olha para a janela do quarto de sua amada, ela estava lá, a observando, deixando as lágrimas caírem. Ela não queria aquilo, mas não podia evitar. Sua sede por vingança era maior que qualquer coisa. Por enquanto.  Emily desvia o olhar, não era esse sentimento triste que queria levar para a nova casa.

– Vamos, Emy. Você vai morar a vinte minutos daqui. Não é do outro lado do mundo.

– Vai, antes que ele atropele você.

– Até mais mãe, depois que terminar de me instalar eu aviso. E poderemos passar nossos fins de semana juntas.

– Certo. – Ela beija a testa da filha. – Eu amo você e se cuide.

Emily olha uma última vez para a janela. A ruiva já não estava lá. Era o seu adeus. Seu recomeço. Sua nova vida. Ela entra no carro e o irmão dá a partida. Era sua renovação.

Leia outros capítulos desta história<< Capítulo XXIIICapítulo XXV >>
Raquel Amorim
Raquel Amorim

Latest posts by Raquel Amorim (see all)

Deixe um comentário

Este site apresenta conteúdo erótico, sendo indicado somente para maiores de 18 anos. Permanecendo no site, você afirma ter idade requerida, eximindo a administração do Lesword de qualquer responsabilidade legal mediante a quebra das leis de Censura e de Proteção ao Menor e Adolescente. Literatura Lésbica. Cultura Lésbica. Histórias Lésbicas.