Entrevista com a escritora Mohine Yamir

Entrevista com a escritora Mohine Yamir

Entrevista Mohine Yamir

1) Quando começou a escrever, imaginava que postaria suas histórias na internet?

 

R: Não mesmo, tudo era guardado a sete chaves. Até porque comecei a me arriscar no mundo das letras ainda aos doze para treze anos, compondo poesias, e por ser muito tímida, não tinha coragem de mostra-las. Apenas uns quatro anos mais tarde, é que eu embarquei no fantástico mundo dos romances e contos, que é onde vivo até hoje. E foi perdendo uma aposta, que acabei publicando meu primeiro conto.

 

2) Qual de suas histórias considera seu maior trabalho??

 

R: Das histórias publicadas, eu tenho um carinho especial por A Magia do Amor. Ela é a segunda história que compartilho, e me sinto muito mais segura, a ponto de abordar tema como o paganismo, que a crença qual sigo (de uma forma mais leve e dentro da rotina de uma das personagens, a Agatha).

 

“Existe magia, e essa afirmação não é mera divagação, principalmente quando nos tornamos testemunhas de um arco íris colorindo o céu, de flores desabrochando pelos campos e jardins, a canção da natureza que é entoada pelos pássaros e levada aos quatro cantos do mundo através do vento. E as estrelas… ah, tem coisa mais linda que admirar estrelas?”

                                               (A Magia do Amor)

3) Já teve dificuldades para terminar alguma história?

 

R: Com certeza, tem uma história que tento dar seguimento há uns dez anos. E ainda não consegui, embora eu saiba exatamente como quero trabalhar nela, o que desejo abordar e até mesmo sei qual o final, as palavras não vêm.

 

4) Existe algum assunto sobre o qual você não escreveria?

 

R: Existem assuntos quais eu não estou preparada para abordar de forma mais complexa. Como, por exemplo, relacionamentos abusivos, pedofilia e tráfico humano. São temas super delicados e de uma carga emocional muito pesada, e eu ainda não me arrisco a escrever sobre eles. Porém, acredito que de forma geral, é quase que uma obrigação do artista (independe de qual seguimento: pintura, escrita, canto…), abordar todos os temas, trazê-los para as rodas de discussões, mostrar o que acontece nos bastidores e muitos não veem ou preferem fingir que estão vendo.

 

“Era a enésima vez que declinava de um convite dos amigos. Não se sabia o porquê, mas ela andava dando mais valor a solidão que o comum, parecia haver algo de encantador ali

                                                       (Um Drink Chamado Destino – Mohine e Dama da Noite)

 

5) Você tem um blog. Qual o nome, como o iniciou e porquê?

 

Relicário de Escritos. (https://relicariodeescritos.blogspot.com.br/)
Bom, eu havia me “retirado” das plataformas de publicação de textos, precisava de um momento apenas meu, uma auto analise (digamos assim). Mas, resultou que pouco tempo depois houve pedidos para que eu retornasse. E esses pedidos misturaram-se com a minha necessidade de escrever, então, nasceu o Relicário de Escritos. E logo depois, o convite para ser parte da família Lesword.

 

 

6) Como vê a literatura com temática LGBT no cenário brasileiro e mundial?

 

R: Infelizmente, quase nula. Uma literatura marginalizada, principalmente a lésbica, pois ainda existe uma certa facilidade em encontrar livros com personagens gay ou transexual, a exemplo, O Terceiro Travesseiro do escritor Nelson Luiz de Carvalho que em pouco tempo acabou se tornando um best-seller. Falo isso a nível Brasil. Embora a luta seja árdua para ter um pedacinho de lugar ao sol, a estrada parece ainda muito longa e cheia de percalços. Não há um real apoio das entidades governamentais, vivemos em um país mascarado (atualmente nem tanto) pelo preconceito. E a nível mundial, não existe uma diferença tão grande assim se comparado ao Brasil, porém, não serei injusta, existem países (principalmente os taxados como países desenvolvidos) que estão mais abertos para acolher a temática LGBTQ+ dentro da literatura, o que já é um grande avanço e símbolo de esperança para todos nós.

 

“Aquele dia estava mais tedioso que o comum, foi então que surgiu a ideia: piquenique no parque, talvez tivéssemos a sorte de encontrar um lugar perto do lago. Mas a verdade é que o tédio do nosso dia estava dentro de mim, os últimos acontecimentos abalaram tanto que estava difícil decidir por roupas, cores, lugar..”

                                                       (PRIMAVERA DE 50′ – Mohine e Jullie Veiga)

7) Quais seus projetos futuros?

R: Bom, atualmente estou trabalhando em dois livros: ao que tudo indica um estará pronto ainda esse ano, é uma antologia chamada: Encontro Poético pela Editora Uny. O outro ainda não tem data e se trata de uma reunião de contos inéditos de minha autoria. E a longo prazo (mais não tão longo assim) eu e minha parceira de ideias estamos elaborando alguns scripts para a montagem de curtas metragem. Há alguns outros planos, mas esses ainda estão engavetados.

Carol aproveito a oportunidade para te agradecer mais uma vez pelo convite para fazer parte desta família, que ganhou um espaço todo especial em meu coração. É realmente um prazer e satisfação ser uma das escritoras do Lesword! Também agradeço pela concessão desse espaço e momento, foi muito bom e até mesmo divertido parar a correria diária para responder essa entrevista.

Beijão para você e toda a família Lesword.

Nós do Lesword é que agradecemos o imenso carinho e simpatia com que nos recebeu!

 

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