VIII – Que os jogos comecem

VIII – Que os jogos comecem

Paloma passou a manhã toda olhando para o celular, nenhum sinal da morena, ela disse a si mesma que se ela não mandasse ao menos uma mensagem para até depois do almoço iria atrás, sabia bem onde encontrá-la. Ela saiu da empresa ao meio dia e se encaminhou para a mansão, o lugar que se tornou solitário e a cada vez que entrava, seu coração apertava, pois sempre via a imagem do pai caído ensanguentado no chão. Ela queria sair dali, ir embora, vender, mas ao mesmo tempo não conseguia, pois aquelas imagens eram que lhes davam força para continuar, precisava sentir aquela sensação de raiva, de ódio, de medo, para saber que poderia enfrentar tudo para completar seu objetivo. Depois do almoço e um bom banho, ela voltaria para a empresa para uma reunião com seu sócio, isso a deixava mais irritada.

– Bom, essa parceria seria essencial para nosso nome internacionalmente. – O homem disse, ele sempre teve vontade de expandir o negócio para fora do país. Um fato que o falecido sócio nunca aceitou, agora ele tentaria com Paloma.

– Certo. Devo concordar que é interessante. – Ela fala séria. – Na sua experiência de negócios, o que acha?

– Não podemos recusar, essa empresa de metal, alumínio e madeira é a maior da América Latina, se nós estivermos interessados realmente em ficar com a licitação das obras da Argentina, devo dizer que esse negócio nos trará grandes lucros e facilidades. Afinal a sede é lá, nos poupará tempo e dinheiro, além de nos dá notoriedade internacional.

– Ok. – Ela fala ao fechar a pasta e deixar em sua mesa. – Vamos marcar uma reunião com eles, estaremos abertos a negociação.

– É a melhor decisão. – Ele arruma seus papéis e depois olha fixamente para a mulher.

– Algum problema?

– Quero falar com você sobre outro assunto, mas não é profissional é pessoal. – A loira já esperava por isso.

– Devo imaginar do que se trata e quanto antes falarmos mais fácil será. Pode fazer suas perguntas.

– Não sou um homem grosseiro ou antiquado, sempre soube que minha filha tinha um gosto diferente, ela se envolve tanto com homens quanto com mulheres. Eu não me importo com isso, sempre fomos sinceros um com o outro, então com todo respeito que tenho por você, peço que não brinque com ela, se você já a conhece só um pouco, sabe que Clara é uma garota sensível, cheia de sonhos, uma mulher que idealiza a pessoa perfeita em sua vida. Não sei quais suas intenções e nem vou perguntar, mas ela é o meu bem mais precioso, eu faço qualquer coisa por ela, para protegê-la, até… matar. – O homem fala firme.

– Isso é uma ameaça?

– De forma alguma, é um aviso. Sei que ela dormiu com você na noite passada e não sei por qual motivo ela chegou chorando em casa, não sei o que aconteceu, mas vê-la daquela forma não é uma opção. Era isso que queria dizer, espero que tenha entendido. – Ele se levanta com a maleta na mão. – Tenha uma boa tarde Paloma. – E sai.

A loira trava o maxilar, tudo que o homem falou se dissipou em sua mente depois que ele confidenciou que a mulher chorou, ela poderia ter muitas reações, mas chorar? Então Paloma se lembra do modo como Clara agiu ao acordar em seus braços.

– Será que ela já foi traída por alguém? – Ela se pergunta. – Merda Clara, o que você está fazendo comigo?

Essas foram suas últimas palavras antes de pegar a sua bolsa, a chave e sair daquele lugar, apenas uma direção poderia ser tomada. Durante o caminho ela liga para o celular da outra, porém apenas chamava, só poderia estar em dois lugares, ou na faculdade ou em casa, resolveu ir logo na segunda opção.

– Oh, olá senhorita Marrie, entre. – A empregada fala sorridente. Quando estão dentro do local a mulher uniformizada continua. – O senhor Fonseca não está…

– Eu não quero falar com ele, na verdade, gostaria de ver Clara.

– A senhorita se sente indisposta, pediu que ninguém a incomodasse.

– Eu não sou ninguém, onde ela está? – A mulher pergunta, mas não obtém resposta. – Se não quer me falar eu descubro. – Ela fala e sai em direção à escada. Estava fazendo uma grande merda, mas agora já era. A empregada iria impedi-la, mas sente um braço a segurando firme.

– Deixe que ela vá. – Priscila disse. – Eu sabia que ela viria. – A mulher olha a loira subir a escada rapidamente, foi mais rápido do que ela esperava.

Paloma olhava cada porta, tentava adivinhar qual seria a do quarto da mulher, abriu uma estava vazia, tentou abrir outra e estava trancada, então na terceira ela tem a cena da morena encolhida em uma cama, usava fones de ouvido e tinha os olhos fechados. Uma cena única para a loira. Paloma se põe para dentro do local e deixa sua bolsa no chão, sem pensar direito no que fazia ela tira seus sapatos e se encaminha para a cama. Clara se assusta, ela não dormia, apenas relaxava sua mente, nem precisou olhar para saber de quem se tratava, aquele perfume era único.

– O que está fazendo aqui? – Ela pergunta ao sentir os braços fortes da mulher em sua cintura.

– Eu disse que viria atrás de você.

– É, você disse.

Paloma coloca seu nariz na nuca da morena e sente a mão de Clara por cima da sua na barriga.

– Foi tão ruim passar a noite comigo? – Clara fecha os olhos com força evitando as lágrimas, aquela pergunta só tinha uma resposta, mas era tudo tão complicado.

– Não é isso. – Mais respostas evasivas, Paloma suspira e a aperta mais.

– Então fale comigo, me explique, eu estou perdida aqui, para mim a noite foi maravilhosa, mas se não foi para você podemos parar agora, eu sou uma pessoa que sempre tem o que quer Clara, mas não sou masoquista ou mal caráter, se você não me quer, apenas diga, eu sairei da sua vida.

Paloma fala tudo de uma vez, o que deixa a morena atordoada, não se tratava só dela, Clara tinha que fazer aquilo, ela precisava.

– Não! – A morena vira o corpo. – Eu quero você, Deus! Eu quero muito você Paloma, mas…

– Diga-me querida. Apenas fale. – A loira acaricia seu rosto.

– Eu… eu vou me apaixonar por você, eu tenho certeza.

– Mas isso será normal Clara, se vamos nos envolver amor pode ser uma consequência.

– Para mim, não para você e esse é o problema.

– Você acha que não posso amar você?

– Eu tenho certeza disso. – Ela disse direta.

Paloma analisa a outra, seu olhar era duro, firme, forte, tudo que ela sempre quis em uma mulher, a loira queria poder acreditar nas palavras da morena, mas sentia que não era verdade, mais cedo ou mais tarde ela se veria completamente apaixonada pela outra, e aí sim, aquele jogo poderia estar perdido, porque ela nunca faria mal a Clara, não se a amasse.

– Você pode estar certa, mas também pode estar errada. Sendo amor ou não o que eu sinto por você é algo especial e você sabe disso.

– Não sei se será suficiente para mim.

– Talvez não hoje ou amanhã, mas um dia sim. Vamos ter que arriscar se quisermos que dê certo.

– Você tem certeza disso? – Clara a encara, querendo que ela dissesse não, seria a sua única saída, se Paloma dissesse não tudo acabaria, e mesmo que ela quisesse um sim, o melhor para as duas seria um não, mas a loira queria fazer aquilo, ela queria uma chance de ter a mulher e concluir a sua vingança.

– Sim Clara, eu tenho certeza.

As duas se encaram por longos minutos sem dizer uma palavra. Agora era tudo ou nada.

– Ok, vamos nos dá uma chance.

Paloma sorri e puxa o corpo da morena para si, beijando seus lábios com força e vontade. QUE OS JOGOS COMECEM.

Leia outros capítulos desta história<< VII – Medos que dominamIX – Além de Sexo >>
Raquel Amorim
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