XXIII – Algumas verdades parte 3

XXIII – Algumas verdades parte 3

FLASHBACK (Dia da conversa entre Paloma e Clara)

– Nós nunca teremos um futuro Clara. É isso que você quer ouvir? Porque desde o primeiro dia que nos encontramos você repete isso. Não temos futuro, não podemos nos amar, isso é errado. E eu?  Eu apenas tento te entender Clara, ok, você quer a merda da verdade? Vamos lá, vamos colocar as cartas na mesa. – Ela se afasta de Clara, andando de um lado para o outro da cozinha. – Vamos dizer a verdade Clara, não só eu, mas nós duas.

            Elas se encaram por longos minutos. As respirações das duas estavam descontroladas e os corações disparados. Era hora da verdade.

Elas agora estavam na sala, sentadas no sofá uma de frente para a outa.

– Eu amo você Paloma, amo mais do que eu deveria…

– Não me venha com essa de novo Clara, se você me ama tanto, porque diabos estava passando informações minhas para alguém?

– Eu… eu não aguento mais isso, eu vou te contar tudo, só por favor… não interrompa. Por favor.

– Eu só quero a verdade.

– Ok. Certo. Faz mais ou menos cinco meses, um pouco antes da morte do seu pai, minha mãe veio falar comigo. Ela estava nervosa e chorava muito. Eu não entendi nada. Ela chegou em casa com os cabelos bagunçados e um pouco da roupa rasgada, eu fiquei preocupada, disse que iria ligar para o meu pai, mas ela se negou. Então depois de uns minutos ela se acalmou. Então ela me disse que tentaram estuprá-la.

– Oh meu Deus!

– Eu sei, eu sei. Foi assim que eu reagi. Eu disse para irmos na delegacia, mas ela disse que não podia, porque isso iria destruir o meu pai. Então eu perguntei o que aconteceu, e ela… – A mulher fica receosa em falar, mas era hora da verdade. – Ela disse que tinha sido seu pai.

Paloma prende a respiração por um tempo e arregala os olhos.

– Ele não…

– Pense bem Paloma. Olha o que vem descobrindo dele ultimamente. Eu só sei o que vi, minha mãe estava acabada. Ela chorava desesperadamente, eu nunca a vi daquela forma.

– Isso não pode ser. – A loira já tinha lágrimas nos olhos.

– Eu… eu não sabia o que fazer, ela não queria ir para a delegacia, disse que não valia a pena e também ele não chegou a fazer, só tentou. Ela me falou que estavam saindo da garagem na empresa e ele a empurrou para dentro do carro. Sem mais detalhes, apenas isso.

– Eu… meu Deus!

– Me deixa continuar. – A loira assente. – Então ficou assim mesmo, eu fiquei com nojo do seu pai, mal conseguia olhar para o meu pai e minha mãe parecia entrar em depressão, mas então um dia ela veio falar comigo e disse que queria se vingar. Disse que iria machucá-lo onde mais doía. – As duas se encaram por um instante.

– Eu!

– Sim Paloma, você.

A loira sentia muita ironia naquilo, até demais.

– Ela me propôs me aproximar de você, fazer você se apaixonar e então teria você para mim. Eu neguei, mas então as semanas se passaram e ela só piorava, minha família estava se destruindo. Eu só poderia fazer algo, então aceitei. Eu iria entrar nesse maldito jogo. Mas tudo aconteceu rápido, seu pai morreu e… eu pensei que ela tivesse esquecido, mas então ela veio falar comigo e disse que se vingaria tirando o seu dinheiro. Eu não entendi mais nada. Aquilo era muito errado, mas… era a minha mãe, a minha família e sem eu saber ela marcou aquele jantar, ela me falou de última hora, eu só tive que descer e me apresentar, mas então… – Ela para e olha para baixo.

– Você também sentiu não foi? Sentiu todas aquelas sensações novas, estranhas, mas boas. – Clara volta a encará-la.

– Porque você tinha que ser tão linda? Tão… eu olhei seus olhos avermelhados, eles me diziam algo, eles me deixavam intrigadas e…

– Clara eu me encantei com você no primeiro momento. – Paloma fala sincera.

– Eu sei, eu também. Mas eu não podia, se eu fizesse minha mãe poderia achar que eu estava concordando com esse plano absurdo. Mas foi impossível ficar longe de você, então eu só tive uma saída, fingir, eu comecei a fingir que estava do lado dela, mas então ela me pediu algo, pediu para eu te trair e você ver. Ela queria ver o tamanho do seu sentimento. Ela queria ver como você se comportaria tendo outra pessoa me tocando.

– Eu odeio sua mãe, odeio de verdade. – A loira fala fechando os olhos com força.

– Eu recusei, claro, mas…. Amor, eu preciso que você seja forte agora. – Clara se aproxima e segura sua mão com força. Muita forma. – Olhe para mim, eu quero que saiba que eu descobri isso há pouco tempo, e nem consegui acreditar quando vi, eu só…. Ela me levou a uma pessoa.

– Que pessoa Clara? – Paloma tinha medo da resposta, mas aquela era a hora da verdade.

– Sua mãe amor, sua mãe está viva.

A loira se afasta e levanta de olhos arregalados. Seu coração estava disparado, seu corpo tremia e sua respiração falhou.

– Por favor respira, por favor. – Clara se aproxima e segura o corpo da mulher, sentando-a novamente no sofá. – Respira devagar.

Paloma controla seus sentidos, mas seu peito ainda ardia e agora as lágrimas foram inevitáveis. Clara a aperta em seu peito, ali eram seus lugares, uma no colo da outra.

– Continua, apenas continua. – A loira disse sem se afastar.

– Ela me contou que fingiu a morte porque seu pai a maltratava, abusava dela e a traía com muitas mulheres, então começou a tomar remédios e comprou médicos para dizer que estava com câncer. Então ela fugiu, foi embora. Mas a partir daí eu comecei a desconfiar. Eu pensei que se o problema era seu pai, então agora ela estava em segurança, mas então eu soube que ela compactuava com os planos da minha mãe em conseguir o dinheiro. As coisas entre nós começaram a ficar cada vez mais sérias e elas cobravam uma posição, eu sempre conseguia enrolar, ou achava que sim, então ontem… ontem eu estava disposta a largar tudo por você, apenas por você, mas então você não disse nada, eu me senti tão burra, eu estava aqui com você e você não estava comigo.

– Clara… – A loira tenta falar.

– Não, não é culpa sua, eu fui sim burra, mas foi por acreditar nelas, elas não querem vingança, elas querem dinheiro, apenas isso. Eu pensei que aceitando poderia ajudar você de alguma forma, mas eu só penso em ficar perto de você, com você.

– Clara, eu preciso te contar algo também. – Paloma respira fundo e a morena a encara. – Antes do meu pai morrer ele me disse quem o matou.

– Como assim?

– Ele disse um nome. Ela disse o nome do seu pai Clara.

– Não. – Agora a morena levanta – Meu pai não faria isso Paloma, nunca.

– Eu sei. – A loira suspira. – Agora eu entendo. Ele não disse Abelardo, ele disse Fonseca.

A morena encara a mulher e volta a sentar segurando sua mão.

– Você acha que… – As palavras saíram fracas da boca da morena.

– Sim amor, eu acho. – Era quase uma certeza aquilo, Abelardo não matou André e se não foi ele e nem Clara, só restava uma Fonseca.

– Espera, então sua aproximação comigo…

– Sim, o mesmo motivo, eu queria vingança, mas você tinha que ser tão linda e cativante, eu tinha que me apaixonar. – Paloma sorri fraco.

Clara retribui e então abraça a loira, essa que aperta firme sua cintura.

– Nosso relacionamento é uma merda. – Clara fala sorrindo.

– Sim, uma completa merda, porém mais que ele são nossos pais, eu não vou deixar isso assim. – Elas se afastam e se encaram.

– O que pretende fazer?

– Vamos jogar o jogo deles.

– Tem mais uma coisa. – Clara se aproxima e beija os lábios da namorada de leve, encosta as testas e depois fala. – Seu pai também pode estar vivo. – Isso nem surpreende mais a loira.

– Se ele estiver também vai pagar, assim como cada um que nos fez sofrer e mentiu, eu prometo que mais ninguém vai nos fazer mal, eu prometo meu amor.  Vamos falar com sua mãe, ou ela estar do nosso lado, ou ela estar contra nós. Porque agora sou só eu e você.

Então elas se abraçam. Agora mais juntas que nunca.

FIM DO FLASHBACK

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Raquel Amorim
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