XXIV – Consequências

XXIV – Consequências

O corpo de Clara estava relaxado, ela só precisava sentir a presença da sua mulher perto, da sua esposa. Então ela abre seus olhos devagar e se mexe.

– Você dormiu. – A loira disse perto do ouvido da morena.

– Desculpe.

– Hey princesa, não peça desculpas. Está tudo bem. Vem, vamos tirar essa espuma e dormir corretamente.

Então as duas fazem isso, vão para debaixo do chuveiro, depois se enxugam, em seguida vestem uma calcinha e camisetas largas e em minutos estão deitadas agarradinhas na cama.

– Eu amo o seu cheiro. – Paloma disse ao encostar seu nariz no pescoço da esposa.

– E eu amo você. – Clara fala ao virar e encarar a loira, logo começando a acariciar sua bochecha.

– Não foi ele.

– Hum? – Paloma pergunta.

– Seu pai, não foi ele que matou a sua mãe ou pensou ter matado, ele nunca tocou nela ou na minha mãe sem a permissão delas. Ele pode ser ladrão, mas não é estuprador ou agressor. Porém ele traía sim a sua mãe, inclusive com a minha.

– Como… como sabe disso?

– Carla. Ela fez questão de jogar tudo isso na minha cara hoje. Foi tão…. doloroso. – A morena fecha os olhos com força.

– Hey meu amor, estou aqui e você não sabe como me fez feliz ao dizer isso. Imaginar o pior dele não era fácil. Estou mais tranquila.

– Eu sei amor e sobre o meu pai, ele contou, eu sei que não justifica, mas ele fez isso pela minha mãe. Seu pai teve um caso com minha mãe e meu pai a ama tanto que concordou ajudar André se ele terminasse com o romance.

– Desculpe por isso princesa, eu juro que…

– Não. – Clara se aproxima mais da loira. – Não peça desculpas por isso. Não é culpa sua.

– Ok. E sobre meu pai? Descobriu algo?

– Não. – Ela suspira. – Mas meu pai me disse algo. Ele falou que uma vez viu seu pai conversando com alguém ao telefone e ele apostaria que era uma mulher e não qualquer mulher, era sua amante, ele falou que o dinheiro iria para a conta, se o dinheiro estiver com alguém, é com essa mulher.

– Uma mulher?

– Sim Paloma, uma mulher, que não é a minha mãe e nem a sua. Alguém que seu pai confiava tanto a ponto de mandar o dinheiro desviado para ela e se ele estiver vivo, com certeza estão juntos.

– Isso tudo é uma bagunça. Porque simplesmente não poderíamos viver felizes uma com a outra? Que droga, eles são…

– Eu sei. – Clara respira fundo e deita a cabeça no ombro da esposa. – Vamos dormir, amanhã começa tudo de novo.

– E Pietra?

– Eu deixei as coisas claras para ela, mesmo com você “morta” eu seria fiel. – Paloma começa a sorrir largo.

– Essa é a minha garota.

Então a loira beija os cachos da morena e começa a fazer carinho, logo a vendo relaxar, Paloma faz o mesmo. De fato, será um longo dia.

…………………………………………

– Você achou mesmo que eu ia deixar você fazer mal à minha filha e não fazer nada?

Elas estavam no quarto de hotel que Carla estava hospedada. A Marrie estava irritada, muito irritada.

– Vocês armaram isso tudo juntas não foi? Quem sabe até mataram minha filha.

– É até engraçado você chamando ela de filha. A diferença entre mim e você Carla é que eu escolhi a ela, minha filha. Diferente de você que prefere esse maldito dinheiro.

Carla começa a gargalhar.

– Não se sinta melhor querida, eu posso ter muitos defeitos, mas não sou uma assassina. Não pense que esse seu segredo vai ficar escondido por muito tempo. Ele ainda virá à tona, e aí, nem sua querida filinha poderá te ajudar.

– Você ainda não entendeu Carla. – Priscila tinha um olhar pacífico, sereno. – Eu não ligo. Eu não me importo mais com nada. Acabou, eu só quero ter certeza que minha filha ficará bem, o resto… que se “foda”.

– Você acha que sairá tão fácil assim? Eu tenho provas contra você, eu posso…

– O que? Me colocar na cadeira? Me matar? Vai em frente Carla, como eu disse, que se dane o resto, que se exploda você e tudo isso. “Ele” e “Ela” que vão para o quinto do inferno com aquele dinheiro.

– Você não pode estar falando sério. Depois de tudo que passamos.

Priscila sorri mais uma vez.

– Sim, mas não se esqueça, você queria matar minha filha. Então querida Carla, nossa parceria acaba aqui. Você está por conta própria e acho melhor tomar cuidado, porque existem muitas pessoas por trás disso tudo que você não faz ideia do que são capazes.

Ela diz e sai do quarto, deixando Carla cheia de dúvidas.

– O que você está aprontando Priscila?

E era isso que a mulher iria descobrir.

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Ela entra na casa e tudo estava escuro. Estranhou, mas não deu importância, caminho em direção à escada, porém não completou o movimento, pois os passos cessaram ao ver a luz do abajur perto da poltrona da sala ser acesso. Então ao virar o corpo percebeu, estava acabado, esse era o limite.

– Só me diga porquê. Só faça eu não te odiar.

O homem apoia a cabeça nas mãos, os cotovelos estão apoiados em seus joelhos, olhava para baixo, nem conseguia encará-la, falou com os olhos cheios de lágrimas. No fim era apenas isso, ele amava aquela mulher mais que tudo.

– Não faça isso. Por favor, não faça isso. – Ela se controla para não chorar também.

Ele sorri sarcástico. Aquela traição foi pior do que a do passado, porque agora ele não iria lutar para concertar, agora não tinha concerto.

– Eu te amei tanto Priscila, tanto que faria, na verdade eu fiz tudo por você, te dei tudo, eu me doei para você, assumi nossa filha, não entenda isso como um arrependimento, porque dessa merda toda ela é única coisa boa, ela é a única consequência boa que você vai deixar.

– Deixar? – Ela pergunta assustada.

– Eu… eu quero você longe de mim.

– Abelardo. – Ela tenta se aproximar, mas ele levanta e lhe dá as costas.

– Vá embora Priscila. Suma da minha vida.

– Você não pode fazer isso, somos casados. Eu tenho direitos.

– Direitos. – Ele sorri sarcástico. – Na verdade não tem, porque eu não tenho nada.

– Do que…. o que você fez?

– Está tudo no nome de Clara. Ela é dona de tudo agora.

– Como você… quando você fez isso?

– Hoje, assim que sai da empresa. Eu não quero mais ouvir falar em seu nome. Quer saber mais, eu vou sumir, vou embora, vou pegar os milhões que tenho guardado e vou viver tudo que deixei de viver por sua causa. – Ele falava sôfrego. – Eu… eu vou recuperar tudo que perdi por você.

– Você não pode me deixar. – Ela já chorava.

– Você já fez isso há muito tempo comigo.

Ele fala simples e sobe a escada, vai direto para o quarto de hóspedes. O sentimento de dever cumprido o preencheu e de fato, ele perdeu muita coisa por conta desse amor traiçoeiro. Priscila nunca foi quem ele pensou que era, agora só lhe restava tentar ser feliz no tempo que ainda lhe restava em vida. Até sua morte, viveria no limite, começaria por fazer uma das coisas que sempre sonhou, mas fora impedido pela esposa: Comprar um barco.

Leia outros capítulos desta história<< XXIII – Algumas verdades parte 3XXV – Atitudes >>
Raquel Amorim
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