XXVI – Quarto Dilema

XXVI – Quarto Dilema

– Senhora Marrie, a senhora Carla está aqui e deseja falar com a senhora.

Clara respira fundo e analisa se a recebia ou não. Estava olhando muitos papéis em sua mesa, apesar de toda aquela merda a empresa não podia parar.

– Ok, mande-a entrar. – Então desliga a chamada.

A morena tinha que continuar firme, forte, agora mais que nunca. Muitos dependiam disso, mesmo que indiretamente. Então ela escuta a porta ser aberta, a mulher vinha com um sorriso no rosto, aquilo não era nada bom, não mesmo.

– Achei que já tínhamos terminado nossa conversa.

– Oh querida nora, ainda nem começamos, você tem algo que eu quero, eu lutei e esperei muito por esses milhões, não vou deixar que me passe a perna tão fácil.

– Passar a perna? Eu não te passei a perna Carla, só fui mais esperta, não pense que eu tive algo a ver com a morte de Paloma, eu ainda acho que foi você.

– Você até pode pensar o pior de mim, mas se não foi você e nem eu, garanto que foi apenas um acidente.

– Eu não confio em você, mas isso você já sabe, então o que faz aqui?

Carla a encara com fúria, era ela para estar sentada naquela cadeira, era ela que deveria estar dando as ordens, não aquela garota insolente que mal saiu das fraudas. A loira senta na cadeira em frente a morena.

– Tenho uma proposta para você.

– Eu não vou aceitar nada que venha de você Carla.

– Ah vamos lá, você sabe que ainda tem muitos fios soltos nessa história e eu tenho alguns que posso lhe vender.

– Você quer me vender informações? Você chegou tão baixo.

– Não pense que o preço será barato querida, como eu disse quero meus milhões e eu tenho algo que você pagará bastante para ter.

– Do que você está falando?

– Tenho provas que incriminam sua querida mamãe de um crime e devo dizer que não é qualquer crime.

Clara a encara com dúvida, poderia arriscar? Então seu celular toca.

– Estou escutando. – Ela diz simples ao encarar a mulher em sua frente.

– Aceite, seja quanto for aceite. Não podemos arriscar agora.

– Você tem certeza? E se for blefe?

– Ela está desesperada, não seria burra, precisa de dinheiro, Carlos trouxe os documentos, ela está falida, tem que conseguir dinheiro de alguma forma.

– Certo.

Responde simples e deliga.

– Vejo que ainda deve explicações a alguém.

– De certa forma sim, mas não pense que não posso fazer minhas próprias escolhas, como chamar a segurança e fazê-los tirar você daqui.

Você não vai fazer isso. – A mulher ficou nervosa. – Eu posso colocar sua mãe na cadeia.

– Você acha que eu me importo tanto depois de tudo que ela fez? Se ela cometeu algum crime terá que pagar.

– Você não me engana Clara. Você ama sua mãe, você é uma pessoa ligada aos preceitos familiares, então não tente me enganar.

– Você tem razão, mas não se esqueça de uma coisa, eu perdi minha esposa, a pessoa que mais amava nessa vida e ainda acredito que não foi um acidente, ainda acho que foi um crime e se isso for verdade, seja quem for vai pagar caro, eu não vou descansar enquanto não me vigar Carla e se essa pessoa for minha mãe, vai doer, mas ainda assim farei.

Carla estremece com as palavras da nora. Aquela Clara era diferente, ela não era mais a ingênua e inocente, era determinada e fria, ela era esposa de Paloma Marrie.

– Ok, vamos aos negócios. Como eu disse tenho provas de um crime da sua mãe.

– Se isso for verdade, quanto você quer por isso?

– Cinquenta milhões.

– Você enlouqueceu. – Clara sorri sarcástica. – Eu nem sei se elas são verdadeiras.

– Não se preocupe, depois que as pegar vai até achar o preço barato. E lembre-se, você ficou com muito mais, essa merreca que estou pedindo nem chega aos pés do que você herdou da minha filha.

Clara analisa a situação e se acomoda melhor na cadeira. De fato, se fosse verdade ela pagaria qualquer valor.

– Ok, então volte amanhã aqui, se essas provas valerem à pena e eu tiver certeza de que você não tem cópias eu pagarei.

– Não se preocupe, elas não valem nada para mim, agora para você e sua mãe…. – A mulher levanta. – Estarei aqui amanhã, espero que esteja com o dinheiro. – Então ela sai da sala.

Clara joga o corpo para trás e olha para um ponto fixo na sala no canto perto da porta, sendo que esse tem uma câmera escondida colocada nessa manhã. A morena sabe que sua esposa a observa, então um sorriso se faz presente em seu rosto.

– Você vai ter que pagar com muitos orgasmos por isso.

Paloma sorri em seu apartamento e então envia uma mensagem no celular para a esposa.

“Não vejo a hora de ser cobrada”

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O homem corria pelas ruas de Veneza com aquela câmera na mão e um olhar assustado. Ele tem certeza que eles os viram, absoluta, então corria o máximo que podia, chegou em seu quarto de hotel e ligou seu notebook, conectou a câmera e enviou todas as fotos tiradas para um e-mail. Suas mãos tremiam e seu coração acelerava. Pegou sua mala e suas coisas, foi até o banheiro, mas quando voltou não deu tempo de raciocinar, só sentiu seu peito queimar e seu corpo ir ao chão. Uma bala lhe atingiu em cheio, mas estava satisfeito, pois querendo ou não, agora saberiam a verdade.

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Carlos dirigia em direção à sua casa, mas então sente seu celular vibrar, ao pegá-lo abre seu e-mail e ali estava. O que ele esperou durante toda aquela semana, mas o que mais lhe incomodou foi a mensagem “Adeus amigo”. Carlos aperta o volante com força e trava o maxilar, eles vão pagar. Vão pagar por terem feito isso com seu amigo. Então ele pega o celular e ligar para Paloma.

– Estou com as provas.

– Perfeito, mande para mim. Se minhas suspeitas forem corretas, amanhã mesmo começamos a agir e deixe seu amigo policial de sobreaviso, ele será fundamental.

– Ok.

E desligam, era hora de jogar.

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Raquel Amorim
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