Corações em Conflito

Capítulo 3 – Corações em Conflito

Passei o restante do sábado em casa, trocando mensagens com meus amigos mais próximos. Em um dado momento, não resisti e decidi entrar no escritório do meu pai. Olhei os documentos em cima da mesa e abri as gavetas, uma por uma. Quando dei por mim, tinha passado para o cômodo seguinte, fazendo o mesmo movimento de olhar tudo, como se estivesse procurando por algo. Até que me deparei com uma caixa. Nela havia álbuns com fotos antigas e outras lembranças que remeteram à minha infância. Percebi que já estava muito tarde e não teria nenhum estabelecimento aberto onde pudesse comer, então decidi ir para a cozinha preparar algo. Após jantar, me entreguei ao cansaço e adormeci.

Na manhã de domingo, olhei pela janela e vi o céu coberto de nuvens, como se o próprio clima estivesse em luto pela perda do meu pai. Eu me preparei cuidadosamente, vestindo um vestido preto sóbrio e elegante que parecia apropriado para o enterro. A sensação de nervosismo e tristeza voltou a me invadir, pesando em cada passo que eu dava.

Isaque chegou à casa no horário que havíamos combinado anteriormente para me buscar, e juntos seguimos até o cemitério da cidade. O local estava envolto por árvores antigas e silenciosas, criando um ambiente solene. O advogado me acompanhou até a área reservada para a cerimônia, e logo me vi cercada por diversas pessoas, que imaginei serem amigos e colegas de trabalho do meu pai.

Observava cada um deles, me perguntando e imaginando que vínculo teriam com ele. Imersa nesses pensamentos, fui despertada pelo olhar profundo da jovem de cabelos loiros que estava com o prefeito. Algo no olhar me gerou um incômodo e me fez desviar. Optei por não olhar para mais ninguém naquele lugar.

Isaque permaneceu ao meu lado e sussurrou em meu ouvido:

— Vamos nos aproximar mais — se referindo ao local onde estava o caixão do meu pai.

Eu assenti, apesar da minha vontade de voltar para casa e não precisar passar por isso.

A cerimônia prosseguiu com solenidade, e o caixão de meu pai foi baixado à terra. Enquanto eu estava mergulhada em minhas próprias emoções, a postura da mulher loira me deixou intrigada.

Quando o funeral terminou e as pessoas começaram a se dispersar, eu me aproximei do túmulo, perdida em meus pensamentos. Percebi que o prefeito se aproximou, acompanhado de um rapaz jovem e da mulher loira que me olhara.

Ela finalmente quebrou o silêncio tenso:

— Dra. Miller, meus pêsames pela perda de seu pai. Me chamo Isabela Moreira e fui colega de seu pai no hospital.

— Obrigada — eu olhei nos olhos dela, e pude notar uma mudança em sua expressão.

Isabela pareceu hesitar antes de continuar:

— Nós não tivemos a oportunidade de nos conhecermos, mas seu pai sempre a mencionava com grande carinho.

Eu assenti, ainda surpresa pela revelação.

O homem mais novo ao lado de Isabela interveio:

— Desculpe pela minha falta de modos. Sou Lucas, noivo de Isabela, e este é o meu pai, Cássio Rodrigues. Estamos todos em luto pela morte do Dr. Miguel.

— Agradeço a todos — eu acenei em cumprimento.

Isabela ofereceu um meio sorriso:

— Se precisar de qualquer coisa, Dra. Miller, estamos à disposição. Sabemos que este é um momento difícil para você.

Eu agradeci e, com um último olhar para o túmulo de meu pai, me afastei, acompanhada de Isaque. À medida que saímos do cemitério, eu me perguntava sobre a vida do meu pai na cidade e sobre as pessoas que tinha acabado de conhecer.



Notas:



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