Corações em Conflito

Capítulo 10 – Corações em Conflito

Por Helena:

Meu novo apartamento em Vintervile era um espaço minimalista, refletindo meu gosto por simplicidade e conforto. A ampla sala de estar e jantar em plano aberto proporcionavam uma sensação de espaço e luminosidade. As paredes brancas realçavam a iluminação natural que entrava pelas grandes janelas, enquanto o piso de madeira escura conferia um toque de sofisticação ao ambiente. Ainda havia poucos móveis no lugar. Geralda havia chegado há 30 minutos e conversávamos enquanto o novo espaço era explorado.

— Olha, Geralda, é simples comparado ao antigo apartamento do meu pai, mas é suficiente para o que eu preciso no momento — digo, apontando para o imóvel.

Geralda olha ao redor e comenta:

— É um ótimo começo, Helena. Mas me conta sobre a reunião no hospital, você não ficou com medo? — Geralda me pergunta arregalando os olhos de um jeito engraçado.

— Não, Geralda. O prefeito não terá coragem de fazer nada contra mim. Não entendo por que meu pai manteve esse contrato sob essas circunstâncias por tanto tempo.

— Olha, Helena. Sempre desconfiei que o prefeito tivesse alguma chantagem contra seu pai — Geralda fala de forma cautelosa.

— Chantagem? Geralda, você sabe de alguma coisa? — pergunto com curiosidade.

— Não, Helena, não sei de nada. Sei que seu pai era um homem galanteador, mas nunca fez mal a ninguém — Geralda fala quase hesitando. Parecia querer dizer algo mais.

— Ninguém além da minha mãe, Geralda — digo em voz baixa. Sentia meus olhos verdes se escurecerem e meu olhar ficar triste e contemplativo.

— Desculpe, Helena. Falei sem pensar.

Olho para Geralda de forma compreensiva e digo:

— Está tudo bem, Geralda. Agora, preciso da sua ajuda para receber os entregadores durante essa semana.

— Claro, Helena. Estarei aqui para ajudar no que for necessário.

— Agradeço imensamente. Você está me salvando, Geralda. Enquanto o apartamento não estiver totalmente equipado com o mínimo, optei por ficar no hotel. Ficarei sem a sua comida maravilhosa — digo fazendo um olhar triste.

— Se você quiser, faço e levo para você, Helena. Geralda sorri e me lança um olhar cheio de afeto.

— Não é necessário, Geralda. Provavelmente, almoçarei no hospital todos os dias. Deixei a secretaria de lá avisada e amanhã à tarde iniciarei meu trabalho no hospital. Mesmo que você estivesse por aqui, ia ser mais corrido vir almoçar em casa todos os dias, mas agradeço a oferta.

Despedi-me de Geralda com um sorriso e um aceno, agradecendo mais uma vez por toda a ajuda. Passei a tarde explorando as lojas e o mercado da cidade, comprando itens essenciais para o apartamento. 

Ao caminhar pelas ruas de Vintervile, a tranquilidade do lugar contrastava fortemente com a agitação de Porto Grande. As lojas, pequenas e charmosas, ofereciam desde produtos artesanais até itens de necessidade diária. O mercado, um ponto central da cidade, estava repleto de frutas frescas, verduras, e cheiros tentadores de pães recém-assados. Aproveitei para conversar com alguns moradores, todos curiosos e acolhedores, o que me fez sentir um pouco mais em casa.

Com as sacolas repletas de compras, dirigi de volta ao apartamento. Geralda já havia ido embora e deixado tudo limpo e organizado. Decidi que arrumaria ainda hoje as compras para ficar livre na manhã do dia seguinte. A ideia de começar como médica no Hospital Vintervile à tarde deixava-me ansiosa e excitada ao mesmo tempo. Sabia que seria um desafio.

Enquanto organizava minhas compras, refletia sobre o quão inesperada era essa mudança em minha vida. Se alguém me dissesse há um mês que me mudaria para Vintervile e trabalharia no hospital onde meu pai construiu sua carreira, eu provavelmente riria e sugeriria internar a pessoa na ala psiquiátrica. No entanto, ali estava eu, pronta para enfrentar o desconhecido e abraçar essa nova fase.



Notas:



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