Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente”.
William Shakespeare

Me chamo Diana Camargo de Freitas, tenho 30 anos. Sou filha de Dário Camargo e Sandra Matos, sai de Nova Esperança, minha cidade natal escorraçada aos 6 anos de idade junto com minha mãe grávida logo após enterrarmos meu pai injustamente condenado e assassinado por um crime que não cometeu como vingança a mando do Dr. Mário Medeiros de Alcântara.

Se fechar os olhos ainda posso ver as lágrimas de minha mãe, a dor estampada em seus olhos ao sair de nossa fazenda deixando para trás tudo o que nos pertencia. Além dos bens materiais havia também todo o sentimento envolvido. Foi ali que nasci. Onde vivi toda a minha vida até então. Minha mãe estava deixando o homem que amava enterrado ali naquela cidade. A vergonha de todos olhando, ninguém veio nos ajudar, onde estavam os amigos de meu pai? Aquelas que faziam festa quando conversavam com minha mãe? Os meus amiguinhos? Todos nos viraram a cara.

Hoje faz 22 anos que meu pai foi enterrado. Mais de duas décadas onde não pude voltar ao local onde ele está, nem o direito de chorar pela dor de perdê-lo eu e minha família tivemos. Todos esses anos e essa amarga lembrança me acompanha, mas, hoje tive a notícia tão esperada: finalmente poderei voltar à Nova Esperança e todos aqueles que um dia mancharam a memória de meu pai se arrependerão amargamente. Principalmente toda a família Medeiros de Alcântara.

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Eu tinha apenas 6 anos quando seu pai foi acusado injustamente pelo assassinato do filho do homem mais poderoso de Nova Esperança, Dr. Mario Medeiros de Alcântara, o homem que assola meus pesadelos desde essa época.

Fecho os olhos posso ver e sentir tudo o que se passou no dia em que finalmente conheci o homem que acusava meu pai, que todos pareciam odiar e temer em Nova Esperança. O homem cujo nome pouco era falado em minha casa, o causador das dores que se seguiriam.

Estava dentro de casa sob a proteção de minha mãe, que rezava baixinho para que meu pai saísse vivo daquele encontro. Lá fora meu pai estava armado com uma espingarda cercado pelo Dr Mário e alguns homens dele.

– Desgraçado! Você vai pagar caro pela morte de meu filho! – Ouvia e podia sentir o ódio, a raiva naquelas palavras.

– Saia daqui Dr Mário. Não matei seu filho. Já falei isso diversas vezes. Otávio era um grande amigo. Quero descobrir quem fez isso com ele tanto quanto o senhor.

– Você foi o último a vê-lo seu miserável! Ele saiu de casa dizendo que iria se encontrar com você e que muito iria mudar a partir desse encontro, sabe o que aconteceu? Ele nunca mais voltou para casa. Assassino! Covarde!

– Meça suas palavras Dr! Não sou um covarde e muito menos assassino. Falei com seu filho sim, nunca neguei isso. Mas, não o matei. Otávio saiu daqui da fazenda vivo. Não tinha nenhum motivo para matar seu filho. O senhor sabe que nunca gostei desse clima de guerra entre nossas famílias. E o Otávio também não. – Meu pai respondeu perdendo a calma.

– Meu filho era um sonhador. E pagou caro por isso. Foi morto numa emboscada. O corpo escondido e comido por animais. Dias procurando-o… E onde o achei?

Um tiro. Gritei e corri até a porta, seguida por minha mãe. Dr Mário havia atirado nos pés de meu pai que não se moveu nem um centímetro.

– Diana! Sandra! As duas fiquem ai. Entendo que o senhor esteja sofrendo. Reconheço e me solidarizo com sua dor, mas, o que ganharia com a morte de Otávio? Pense nisso Doutor! Eu e Otávio estávamos conversando para acabar essa guerra inútil, uma rixa que não faz bem a ninguém! Não fiz o que o senhor e outros me acusam, acredite em mim.

– Então quem foi? O corpo dele estava em uma cova rasa em suas terras. Pode não ter sido você com suas próprias mãos, mas, algum imundo da sua família ou um de seus empregados a mando seu.

– Não sei quem fez isso Dr Mário. Só garanto que não foi ninguém dessa fazenda e muito menos a mando meu. Afinal, não costumo matar meus ‘supostos’ inimigos como uns e outros fazem, não é mesmo? Por isso saia de minhas terras ou não respondo por mim, estarei no meu direito de reagir, já que minhas terras foram invadidas pelo senhor e seus capangas.

Vi nos olhos daquele homem o ódio estampado para com meu pai. O desprezo dos empregados, o riso de lado. A soberba sempre presente nos Medeiros de Alcântara e em todos que o cercam.

– Pai… – Eu falei temerosa.

Nesse momento chegou o delegado acompanhado de alguns policiais.

– O que está acontecendo aqui? Dr Mário? Dário? Abaixem essas armas ou prendo a todos!

Ninguém baixou as armas.

– ABAIXEM ESSAS ARMAS AGORA!- Gritou o delegado de arma em punho.

Meu pai respirou fundo e baixou a arma sendo seguido por Tulio e Zeca empregados da fazenda.

– Dr Mário, não vou falar novamente! – O Delegado falou atravessando-se na frente dele.

Ele baixou a arma e seus empregados fizeram o mesmo.

– Faça seu serviço delegado. Prenda esse assassino. – Ao falar isso ele entrou no carro e saiu em disparada, não sem antes olhar nos olhos de meu pai.

Sai dos braços de minha mãe e corri até meu pai.

– Pai… Pai…

– Vai pra dentro com tua mãe filha.

– Não pai… O homem mal…

Meu pai apenas riu e abaixou-se para ficar a minha altura e disse: – O homem mal já foi. E você não tem que ter medo dele e nem de ninguém. O papai vai estar sempre aqui pra te proteger. Certo?

Eu balancei a cabeça e o abracei. Ele respirou fundo correspondendo ao meu abraço.

– Tenho que te levar para algumas averiguações Dário. – O delegado falou

– Tudo bem. Eu sou inocente.

– Dário. – Minha mãe gritou correndo até meu pai algemado.

– Fica em casa. Cuida de tudo. O Zeca e o Tulio vão ficar ai pra proteger vocês duas.

– Dário…

– Mulher! Deixa disso. Já te falei que não fiz nada. E vou provar, daqui a pouco estou em casa com vocês.

Meu pai algemado foi posto no carro da polícia. Sai correndo atrás deles até a porteira da sede de nossa fazenda. Nunca mais vi meu pai com vida. Nada do que ele pensava aconteceu. Muitas provas foram forjadas, testemunhas foram coagidas e ele foi condenado pela morte do filho do coronel. Na verdade, o julgamento foi como dizem “para inglês ver”, nunca vi a justiça desse país tão célere, em apenas três meses meu pai foi julgado e condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato a sangue frio de Otávio Medeiro de Alcântara Neto.

Me pergunto como tudo isso aconteceu. O senhor Otávio saiu lá de casa bem, rindo. Eu sabia que ele era amigo do meu pai. Já o tinha visto lá em casa em várias oportunidades.

Otávio foi assassinado no dia em que saiu l á de casa, pela última vez. Segundo os peritos da época, ele foi morto com mais de 10 tiros e provavelmente como resultado de uma emboscada. O corpo foi achado numa cova rasa em nossa fazenda, depois de uns 5 dias de procura. Durante todo esse tempo o Dr Mário acusava meu pai pelo sumiço do filho.

Nossas famílias eram inimigas há algumas gerações. Segundo minha mãe, o bisavô de meu pai foi assassinado por um tio avô do Dr Mário numa briga por terra. E desde aquela época a rixa foi sendo acirrada por novas brigas e até outras mortes. Meu pai não concordava com a briga e achou no senhor Otávio o companheiro para encerrar com a antiga rixa.

Papai por ser contra a rixa era visto com um traidor pela família, ele já não era bem visto por ter casado com minha mãe, filha renegada pelos Matos por ter se casado grávida do meu irmão que nasceu morto, era chamada por muitos como: mulher de vida fácil na capital. Até mesmo meu tio Décio virou as costas para nós. Isso, eu nunca esqueci, ele é um nome a mais em minha lista.

Como um irmão pode fazer o que tio Décio fez com papai. Ele simplesmente se recusou a nos ajudar. Advogados, dinheiro, um lugar para ficarmos depois que formos expulsos daqui. Nada conseguimos dele ou da família. Meu avô nunca perdoou meu pai pelo casamento, por ser amido do Dr Otávio.

Otávio era o filho mais velho do Dr Mário, um médico que fazia o que podia para ajudar aos mais pobres da região. Estava sendo cotado para assumir o lado político da família Medeiros de Alcântara. Muito mais respeitado por seus méritos do que pelo sobrenome ou a sombra do pai. Todos estranharam quando ele e papai se tornaram amigos ainda na juventude. Afinal, a rixa familiar acabava dividindo a cidade e os seus habitantes. As grandes famílias da região estavam sempre cercando alguma das famílias.

O julgamento do meu pai foi o acontecimento do século em Nova Esperança. Todos queriam ver o resultado dele. Até mesmo os nossos familiares ficaram contra meu pai durante todo o período e depois também. Ninguém estendeu a mão para nós.

Minha mãe foi visita-lo pouco antes de sua transferência para um presidio da capital.

– Dário. Eu não sei o que fazer.

– Calma Sandra!

– Calma? Você não vê que o Dr Mário esta fazendo de tudo para que você seja transferido? O que você acha que te espera lá? Flores? Champanhe?

Meu pai sorriu e disse: – Eu sei que ele é vingativo. Não posso negar que estou com medo do que vai acontecer na capital, medo muito mais por vocês do que por mim.

– Vingativo? Você foi condenado por matar o filho dele Dário!!!

– Só que não matei!!!. O Otávio era meu amigo. Estávamos justamente conversando no dia em que ele foi lá em casa sobre acabar com essa rixa idiota entre nossas famílias. Não tinha motivos para matar o Otávio.

– Sei que você e ele davam-se bem. Não duvido disso meu amor, durante esses anos vi a amizade de vocês dois. Só que ele está morto e não pode falar nada, e o coronel quer a sua cabeça numa bandeja de prata.

Ele respirou fundo e disse: – Sei que talvez morra lá, e por isso você tem de fazer o que vou te dizer. Teremos pouco tempo para que você faça tudo e não fique na miséria.

– Como assim miséria??? Não fale isso Dário! Não sou uma dondoca ou idiota, sei que teremos dificuldade sem você lá, mas, com a ajuda de nossos empregados a fazenda pode continuar a dar lucro. Há ainda as casas na capital… Não vamos ficar na miséria.

Papai baixou a cabeça e disse: – Otávio me emprestou dinheiro para fazer algumas modificações na fazenda. E o coronel já deve saber disso, o que você acha que ele fará?

Minha mãe fechou os olhos e disse: – A fazenda? As casas?

– Um valor altíssimo.

– Dário… Ele deve estar pensando que por causa do dinheiro, você o matou… Como você pode fazer isso Dário? Como?

– Com as perdas da última safra e briga idiota que eles me envolveram, perdi animais e colheita, o Décio e o restante da família afastados, as perdas financeiras dos últimos anos… Eu arrisquei… Perdi muito dinheiro em negócios arriscados…

– Dário…

– Sinto muito Sandra… Otávio era um amigo. Um irmão que me estendeu a mão. Ele não era igual ao pai, tenho certeza que isso tudo vem do Dr. Mário e de algum cupincha dele, até mesmo de algum sobrinho ou irmão. Foram anos e anos nessa guerra familiar estupida. Eu sei que minha amizade e a ajuda que Otávio me deu foram o ponto final de sua vida.

– Você acha que o Dr. Mário…

– Não! Ele adorava o filho. Mas, quem pode dizer o mesmo de algum outro Medeiros ou um empregado, inimigo que eles colecionam?

– O Otávio realmente era um grande homem. Diferente do pai. O que tenho que fazer? Você sabe que gastei uma fortuna com advogados Dário… Como eu, a Diana e agora essa criança que vai nascer vamos ficar? Que esperança, podemos ter? E logo agora…

– Eu sei meu amor que a minha prisão…

Mamãe levantou-se da cadeira e disse: – Estou grávida! Daqui a alguns meses teremos mais uma criança! E o que farei? Como sustentarei essas crianças Dário?

– Sandra!!! Ele a abraçou e sorriu feliz. – Mesmo com tudo isso, essa gravidez é uma benção.

– Já não sei…

– Não diga isso! Um filho é sempre uma benção! Agora mesmo é que você terá que agir conforme o que eu disser, não teremos muito tempo.

– Como assim? O que você quer que eu faça?

Papai então explicou tudo o que ela tinha que fazer. Sobre algum dinheiro numa conta no banco e uma casa que na capital que estavam em meu nome, os amigos dele que ela poderia procurar. E principalmente, fazer tudo rápido para que o coronel não suspeitasse. Afinal, eles sabiam que papai não duraria muito no presidio.

E ele tinha razão. Um mês após estar no presidio, meu pai foi assassinado.

Na manhã do dia 12/06/2004 o delegado esteve lá em casa para dar a notícia da morte de meu pai.

– Sinto muito Sandra. O Dário foi assassinado ontem à noite no presidio.

– Sente muito? Vocês mataram um inocente. Fique com essa culpa e engula os seus sentimentos pela morte de meu marido. – Ela gritou para o delegado.

– Sandra.

– SAIA DAQUI! E DIGA AO CORONEL QUE MEU MARIDO ERA UM INOCENTE. UM DIA ELE VAI PAGAR POR TUDO!

O delegado saiu lá de casa.

Nessa mesma tarde o Dr Mário esteve lá em casa com seus capangas.

– O que faz aqui?

– Você deve saber o que vim fazer!

Eu estava na varanda de casa. Chorava abraçada com meu ursinho.

– Veio dizer que sente muito?

– Não seja insolente mulher. Seu marido era um assassino.

Eu corri da varanda e fiquei a frente de minha mãe.

– MEU PAI NÃO ERA ISSO. VOCE QUE O MATOU! VOCE É O ASSASSINO.

– Insolente como a mãe e o pai. Ou melhor, como todos os Camargo.

– Seu… – Quando iria dar um chute naquele velho, minha mãe me segurou.

Ele riu.

– Vou deixar alguns homens meus aqui de guarda. Vocês têm até amanhã à tarde para sair daqui. Vocês só podem levar as roupas de dentro dessa casa, nada mais. E quanto a você jovenzinha, tenha mais cuidado, talvez eu não tenha a mesma paciência de uma próxima vez.

Ele deu as costas para nós e deixou 5 homens ali.

Minha mãe deu ordem para guardarem as nossas roupas que já estavam sendo arrumadas há alguns dias. Fomos ao cemitério enterrar meu pai. Ali, naquele momento fiz um juramento: – Esse maldito vai pagar por tudo pai. Eu juro!

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As lágrimas enchiam meus olhos. Essas dolorosas lembranças sempre me deixavam pensativa.

– Diana? Filha?

– Estou aqui mãe.

– O que faz aqui sozinha nessa escuridão?

Virei-me e ela notou as lágrimas. Ela me abraçou sem dizer nada. Em seus braços aconchegantes me deixei levar por toda a dor dos últimos anos. As lágrimas banhavam meu rosto num pranto sofrido. Finalmente depois de 22 anos, eu poderia voltar à Nova Esperança e vingar a morte de meu pai, o sofrimento de minha família, a dor de sair de nosso lar, meu irmão que não teve nosso pai ao lado. As humilhações que passei.

– Diana, minha filha… Tantos anos, tanta dor… Às vezes eu me arrependo de ter incitado você nessa vingança.

– Não se arrependa mãe. Mesmo se você não tivesse feito nada, eu continuaria odiando os Medeiros de Alcântara.

– Filha!

– Não mãe. – Falei enxugando minhas lágrimas – Mesmo que você tenha casado com Lucas e ele tenha me adotado e ao Rico, ter mudado nosso sobrenome não muda quem somos. Sou uma Camargo e sempre serei.

– Diana… Seu pai morreu por uma briga idiota. Tios, primos, avós dele também. E para que Filha? Para nada! Não quero perder você também.

– Nada? Mãe! Nossa família foi escorraçada de Nova Esperança. Papai foi preso e condenado por um crime que não cometeu! Foi assassinado na prisão a mando daquele miserável! Não teve o direito conhecer o Rico, que é filho dele! A senhora diz que meu ódio é por nada? EU ODEIO AQUELE HOMEM E A TUDO E TODOS QUE O CERCAM! – gritei chorando

– Diana! Sandra! O que está acontecendo aqui? – Lucas entrou no escritório ao lado de Rico.

– Mãe? Di?

– Não é nada Rico, apenas más recordações. – Sorri para ele que não acreditou muito.

– Tem a ver com telefonema do Dr Sampaio mais cedo? Notícias de Nova Esperança, não é?

O silencio no escritório era a resposta.

– Di..

– Não Rico. Nem você e nem ninguém vai me demover do que propus para mim.

– Sandra, Rico, me deixem a sós com a Diana.

– Lucas…

– Não… Por favor, saiam. Eles saíram, nos deixando a sós.

Virei às costas para o Lucas, apesar de todo o carinho e respeito que tinha por ele não deixaria que suas palavras interferissem em minha vontade. Queria vingança contra todos da minha lista negra e com certeza a teria.

– Calma ai mocinha! Nada de virar as costas para mim. Você não tem mais 15 anos. – ele riu e eu também.

– Agora me fale o que você realmente espera encontrar em Nova Esperança?

-Você sabe muito bem Lucas. Eu quero Vingança! Ter a satisfação pessoal em fazer com aquele miserável tudo o que ele fez com meu pai e minha família. Deixar todos aqueles que nos viraram as costas, aos meus pés. Tenho raiva não só do Dr Mario e da sua família, como tenho também dos meus próprios familiares a começar pelo meu querido tio Décio Camargo.

– E você acha realmente que será suficiente? E quando você fizer isso, qual será o próximo passo?

– …

– Amo você e seu irmão como se ambos fossem meus filhos Diana. Seu pai foi homem bom. Entendo seu amor e o respeito à memória dele, sempre estive ao seu lado nos últimos anos. Dei a você e seu irmão o meu nome. Fiz o melhor para suprir a falta dele para vocês.

– Lucas…

– Me deixe terminar, por favor. E é como um segundo pai que estou conversando com você. Esse ódio, esse desejo de vingança às vezes assusta a mim e a sua mãe. Eu…

Cheguei perto dele e o abracei.

– Saiba apenas que você foi e é um segundo pai para mim Lucas. Amo e considero-o como tal. Nunca duvide do amor e do respeito que tenho por você.

Ele me olhou com lágrimas nos olhos e sorriu.

– Tenho imenso orgulho de ser considerada sua filha, não apenas por você, mas por todos que conhecemos, tenho amor por essa família que você me apresentou e sempre me tratou como uma igual a eles sem ligar para as questões de sangue.

– Também não duvide do amor que tenho por você, o Rico e pela sua mãe. E justamente por ama-los é que eu peço. Desista dessa vingança. Esqueça o passado. Você tem tudo o que precisa aqui, porque ir até lá? Reabrir velhas feridas.

– Porque tenho que limpar o nome do meu pai. Descobrir quem matou o Otávio e o por que.

Ele baixou os olhos e disse: – Mesmo não concordando com o que você pretende, irei estar ao seu lado. Como sua mãe também estará.

Eu sorri e o abracei. Respirei fundo e sai do escritório deixando-o lá acompanhado de minha mãe que voltou para lá assim que sai.

– Lucas…

– Não consegui Sandra. Ela vai voltar para Nova Esperança.

– Senhor! Ajude-nos! O que vamos fazer?

– Vamos estar ao lado de Diana como sempre estivemos.

– Ela só vai reacender as feridas. Correr risco de vida! Tantas mortes. Tanta dor. Eu me sinto tão culpada!

– Eu sei disso e você também. Só que ela precisa aprender com os próprios erros. E como sempre estaremos ao lado dela para ajudar no que for preciso. Não se sinta culpada!

– Eu troquei de nome Lucas… Quando você adotou a Diana e o Rico, você lembra que havia outro nome na certidão de nascimento deles? Eu tive tanto medo esses anos todos… E agora a Di quer ir até lá na toca do lobo…

– Sandra… Acalme-se! Ela não estará sozinha!

Eles se abraçaram, minha mãe não conseguia esconder o choro.

Em meu quarto olhei a foto de meu pai comigo e sorri dizendo: – O seu nome será limpo pai. Sua morte será vingada. Destruirei ele e a família Medeiros de Alcântara. Todos aqueles que traíram a sua confiança vão pagar muito caro. Se prepare Dr Mário, tio Décio… Diana Camargo de Freitas estará voltando para acabar com sua paz.



Notas:

Pessoal, depois de um longo tempo sem escrever, a inspiração voltou.
Essa história estava parada há uns bons anos, estou reescrevendo, atualizando. E cada dia está sendo um aprendizado.
Espero que vocês gostem da Diana, Ana Carolina, Rico, Alice, Liz e todos os personagens. E depois corrijo os erros…




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