A gente nunca sabe onde parou.
Sabe apenas que recomeçar
É pular linhas, burlar o tempo,
Ludibriar o pensamento.
É a sequência, a continuidade, ir em frente.
É escrever histórias, viver amores,
Emoções, sem pontos, sem fins,
Apenas continuar.
Leandro M. Cortes
Há exatos seis meses eu havia comprado à fazenda que pertencia a meu pai. Ela estava abandonada e eram necessários vários consertos.
Consertos? Estou sendo otimista. Tive que mandar reconstruir basicamente tudo. Por todo o lugar o mato tomava conta, a casa grande praticamente destruída. As plantações praticamente não existiam e apenas as pastagens estavam em uma situação um pouco melhor.
Desde que havia comprado às fazendas eu nunca tinha ido até Nova Esperança. Hoje eu iria para vistoriar as obras em todas elas.
Uma das primeiras coisas que ficou pronta foi uma pequena pista de pouso, a capital ficava á 12 horas de viagem de carro e Nova Esperança era a maior cidade da região e apesar de já contar com um pequeno aeroporto para aeronaves de pequeno e médio porte, eu queria manter minha privacidade ao máximo. Ir e vir sem precisar me preocupar, além de poder escoar com maior facilidade a produção das fazendas ou até mesmo receber turistas, pretendia diversificar bastante meus negócios, não havia gasto tanto apenas por vingança como temiam Lucas e mamãe. Eu tinha grandes projetos para essas áreas, ou melhor essas fazendas eram apenas o começo.
Cheguei à Nova Esperança no dia em que meu pai foi assassinado há exatos 22 anos. Depois de todo esse tempo eu finalmente voltei para casa. Enquanto o pequeno avião fazia as manobras de aterrisagem pude ver o quanto à cidade cresceu.
– Estou de volta pai. – Falei para mim mesma ao descer do avião.
Era comecinho da manhã e na pista apenas o Brito me esperava. Sorri, ele era o homem de minha confiança há alguns anos. Ele tinha aproximadamente 50 anos e trabalhava pra mim há 8 anos, antes, trabalhava para o Lucas. É um dos homens mais corretos e leais que conheci em toda a minha vida. Casado com Mariana uma veterinária, pai de um casal de filhos, Douglas um artista e Liz que é agrônoma e nas horas vagas a minha melhor amiga.
– Bom dia menina Diana!
– Bom dia Brito, tudo pronto?
– Sim. Você quer ir logo para onde?
– Antes de qualquer coisa, você conseguiu fazer o pequeno arranjo que pedi?
– Com certeza Diana! Hoje à noite você poderá ir até lá sem que ninguém desconfie de nada.
– Que bom! Então vamos andar pelas fazendas, quero que você me coloque a par de tudo o que está sendo feito.
– Você pretende visitar todas hoje?
– Não. Por hora basta essa.
– Entendido menina! Vamos que há muito a ser mostrado, tenho certeza que você vai gostar do que irá ver.
Brito me levou para ver as modificações que estavam sendo feitas, cercas foram levantadas, já era possível ver algumas construções em fase final, como as casas dos funcionários, alojamentos e estábulos para um haras de médio porte, além de novas plantações. O pasto estava bem cuidado e nos próximos meses chegariam os animais. O Recanto das Cerejeiras voltaria a ser uma fazenda produtiva como era no tempo em que meu pai estava aqui.
– Está gostando o que vê?
– Sim, Brito.
– Então, vamos almoçar e conversamos sobre outros assuntos.
– Certo. E onde vamos almoçar?
– Vem comigo.
Foi então que ele me levou até a casa sede. O lugar onde passei minha infância e de onde eu tinha as melhores lembranças com meu pai.
A casa estava diferente.
– Eu tive que reformar ela praticamente inteira.
– Por quê?
– Ela estava praticamente destruída. A partir do que restou foram feitas as modificações e reconstruções.
– A casa não tinha dois pisos, era apenas um e essa varanda era menor. – Eu falei olhando para a casa que estava remodelada, pouco havia do que tinha lembranças.
As lágrimas vieram junto com essas lembranças. Meu pai me levando pela mão para cavalgar. O momento em que ganhei meu primeiro cavalo. Meus pais me levando para o primeiro dia na escola. As brincadeiras com as crianças aqui na fazenda. Tantas lembranças boas do lugar onde fui tão feliz e arrancada de maneira tão torpe por aquele homem.
Entrei na casa que apesar das reformas ainda tinha alguns resquícios da época de minha infância. De olhos fechado podia ainda sentir o cheiro da comida de minha mãe e de Tita a velha cozinheira que trabalhava para nós, a correria pela casa que minha mãe tanto reclamava enquanto papai ria de minhas peripécias.
– Essa menina está cada dia mais danada Dário!
– Deixa a menina mulher! Parece que nunca foi criança!
– Diana!! Desce dai menina!
Eu estava subindo num pé de goiabeira que tínhamos no quintal de casa com mais dois amiguinhos filhos de empregados aqui da fazenda.
– Dona Sandra, corra que a menina vai acabar despencando de lá…
E vinha minha mãe gritando para eu parar. Pulava de um lugar para outro. Aqueles recantos eram tão conhecidos por mim. As brincadeiras no pomar de casa, as idas até os estábulos com papai, o ficar na varanda com minha mãe enquanto papai estava na lida diária da fazenda. Os doces feitos por Tita para agradar meu paladar de criança.
Andei pela casa como se procurasse os antigos quartos, nada ou pouco ainda existia daquela época. Enxuguei as lágrimas e sorri para Brito.
– Tudo bem?
– Sim. Só a saudade.
– Entendo. Quer almoçar agora? Ou prefere tomar um banho antes?
– Um banho antes. Pode me mostrar onde fica meu quarto?
– Claro! Venha comigo.
Ele fez um pequeno tour pela casa, às novas instalações, o escritório no térreo, a sala de estar e tv, quartos de hospedes e o 2° piso onde eu ficaria instalada. A reforma ficou realmente muito boa.
Meu novo quarto tinha uma pequena varanda onde eu podia vislumbrar o pátio da frente e o pomar, também um closed e banheiro.
Sorri.
– Pedi que seu quarto fosse o mais espaçoso e você pudesse ter uma vista privilegiada.
– Há bastante espaço.
– Gostou?
– Gostei e obrigado Brito. Tudo ficou muito bom.
– Certo. Tome seu banho e pode descer que a cozinha ficou no mesmo local, você lembra? Lá terei uma pequena surpresa pra você.
Balancei a cabeça afirmativamente. Tomei um banho mais demorado, queria descer mais recomposta, não poderia estar chorando o tempo inteiro, afinal eu nunca estive aqui.
– Isso vai ser mais difícil do que imaginei. Eu preciso me controlar. – Falei comigo mesmo enquanto trocava de roupa.
Desci e fui para a cozinha a procura de Brito. Ao chegar lá havia 3 mulheres e 3 homens.
– Brito?
– Diana, esses são os funcionários que trabalham diretamente com a casa e por isso vão ter um maior contato com você.
– Certo. – Falei com um sorriso para todos e continuei: – Pode apresenta-los para mim?
Ele balançou a cabeça e começou a apresentação.
– Essa aqui é a Dona Lucia, a cozinheira.
– Prazer dona Lucia.
– O prazer é meu, patroa.
Ele então me apresentou a Daniela, a ajudante da cozinha e filha de dona Lucia, a Adelaide que será a arrumadeira, o Olívio esposo de Lucia e responsável pelo pomar e jardim, o Zé Alfredo que está encarregado dos serviços gerais, ele será uma ajudante de Lucia e Olívio, e por fim esse é o Carlinhos que será encarregado da segurança aqui da casa.
– É um prazer conhecer a todos, espero que possamos nos dar muito bem.
Eles assentiram. Olhei pra o Brito como perguntando pela surpresa que disse ter para mim.
– Diana, a Lucia morou aqui nessa fazenda há uns anos atrás!
– Mesmo? Quando foi isso Lucia? – Perguntei interessada. Não tinha lembrança alguma dela de quando era criança e vivia aqui com meus pais.
Ela riu e falou: – Eu era uma mocinha ainda dona Diana, minha mãe era a cozinheira aqui da casa, aprendi a cozinhar com ela.
– Sua mãe? E como era o nome dela? Em que época foi isso?
– Ave Maria! Tem mais de 20 anos, ainda na época dos Camargo. A minha mãe é a dona Tita, e sofreu muito com o que aconteceu com o pessoal que era dono aqui antes da senhora. Hoje ela vive na cidade, mas, não gosta muito não.
– Diana, a Lucia me pediu para falar com você a respeito da mãe dela.
– O que tem? Pode falar Lucia, não costumo morder.
Todos riram.
– Eu gostaria de saber se minha mãe poderia vir morar aqui? Ela sente muitas saudades daqui, se tiver problema pra senhora…
-Calma! Por mim tudo bem.
Ela riu feliz abraçando a filha.
Olhei para Brito e ele estava rindo.
Almoçamos na sala de jantar. A comida de Lucia realmente era uma delicia. Eu estava feliz por saber de Tita, será que ela me reconheceria? Eu tive uma pequena recordação de Lucia. Acredito que pelo tempo, a mesma não me reconheceu. Tivemos pouco contato.
Após o almoço fomos para outra fazenda, no fim da tarde voltamos e eu estava inquieta com o que faria logo mais a noite.
As horas passaram lentamente para mim. As 21:30h sai da fazenda com o Brito.
– Eu andei conversando com o rapaz que toma conta de lá, não haverá problemas para entrarmos.
– Tem certeza?
– Sim. O portão fica apenas encostado.
Chegamos à cidade eram quase 11h e nos arredores não havia quase ninguém. Demos uma volta pelo centro até chegarmos ao cemitério local.
– Vamos?
– Sim.
Encontramos realmente o portão encostado. Eu tinha pouca lembrança de onde meu pai estava enterrado. Pra dizer a verdade, essas lembranças eram quase nulas. Olhei para Brito e perguntei:
– Você sabe onde ele está enterrado?
– Sei. Tive aqui há uns meses atrás. Procurei saber e disse que era por interesse pelas compras da fazenda.
O segui até o local indicado pelo coveiro.
O tumulo onde meu pai foi enterrado estava abandonado. Partes quebradas, a cruz faltando. Apenas a lápide ainda existia, mas já meio que apagada pelo tempo.
Passei minhas mãos por sobre o túmulo. As paredes frias pareciam cortar meus dedos. As imagens alegres iam e vinham em meus pensamentos. Fechei os olhos e as lagrimas vieram sem controle.
– Diana… – Brito murmurou.
– Me deixe um pouco só aqui, por favor. – Falei baixo.
Ele se afastou um pouco.
– Oi pai! Sinto tanto a sua falta. Eu voltei como havia prometido ao senhor. – Respirei fundo em meio às lágrimas, toda a dor daqueles dias, a vergonha e a raiva vieram com toda a força. – Ah! Pai! Como eu lutei para esse dia chegar. Voltar a essa cidade, estar aqui! Tanto anos longe… O senhor não pode ver o Rico nascer por culpa deles pai… A mamãe tentou fazer com que eu desistisse de voltar aqui, mas, eu não consigo deixar tudo pra trás. O que eles fizeram com o senhor, com a nossa família… – Eu chorava copiosamente enquanto passava minhas mãos por aquele tumulo frio.
Um túmulo que eu nunca tive o direito de vir visitar, até isso me foi tomado: poder chorar a saudade e a dor da ausência de meu pai.
– Eu nunca mais vou deixar de vir aqui pai! Eu refaço a promessa que te fiz, todos vão pagar pelo que fizeram. Vou descobrir quem matou o Dr Otávio, vou limpar seu nome e depois garanto que o Dr Mário irá chorar lágrimas de sangue por tudo o que fez com o senhor.
Eu não conseguia parar de chorar, ali mesmo arranquei uns matos que estavam nascendo, o tumulo estava tão abandonado. Enegrecido pelo tempo.
– O tio Décio… Nem isso ele fez, cuidar do seu túmulo… Outro que vai pagar. Nunca nos procurou para saber se precisávamos de algo, muito pelo contrário…
Fechei as mãos com raiva. Enxuguei as lágrimas e respirei fundo. Pousei minhas mãos sobre o túmulo e fechei os olhos, respirei profundamente tentando me controlar.
– Eu não posso por tudo a perder agora!
O ódio, a raiva e o rancor não serão minha perdição pai, mas, sim a mola propulsora para que eu faça o que deve ser feito e que ninguém nunca teve coragem.
Fiquei ali mais alguns minutos em silêncio. Tentando sentir no que restou de meu pai a força necessária para que eu cumprisse o que tinha vindo fazer.
– Diana?
Fiquei calada. Respirei fundo e olhei na direção de Brito.
– Estamos aqui há quase uma hora.
Eu acenei com a cabeça em sinal de entendimento e disse: – Mais 2 minutos, por favor, Brito.
Ele assentiu afastando-se novamente.
– Eu preciso ir agora pai, mas, prometo voltar mais vezes, agora que estou aqui nada e ninguém irá me impedir de vir visitar o senhor, por enquanto terá que ser à noite. Apenas por enquanto pai…
Sai do cemitério com a ideia de que precisava fazer com que o tumulo de meu pai fosse restaurado e com as forças renovadas para fazer o que seria necessário daqui por diante: minar o poderio de tio Décio e Dr Mário em Nova Esperança.
Na volta para a fazenda encontramos um carro em alta velocidade que praticamente nos jogou no acostamento para nos ultrapassar.
– Maluco! Filho de uma p… – Falei com raiva e assustada.
O carro entrou na estrada que dava acesso para a fazenda de dr Mário.
– Só podia ser… – Murmurei.
Chegamos à fazenda sem que tenha acontecido mais algum incidente. Estava exausta por todas as emoções que haviam me acontecido durante o dia. Tomei um banho rápido e deitei na cama, fiquei ainda algum tempo pensando em tudo o que estava acontecendo, dormi sem dar-me conta da hora.
Acordei com o dia claro. Fiquei uns poucos minutos na cama recordando as ultimas emoções, não pude deixar de rir internamente, fui despertada desse momento com o toque insistente de meu celular.
– Alô!
– Di..
– Oi mãe, sua benção.
– Deus te abençoe minha filha! Como você esta?
– Tudo bem mãe.
– Di… Filha, volta pra casa.
– Estou em casa mãe. Na casa de onde nunca deveríamos ter saído.
Minha mãe respirou profundamente e disse: – Filha, essa vingança e esse ódio não vão trazer seu pai de volta! Pelo amor de Deus, deixe isso pra trás.
– Mãe! Não quero brigar com a senhora! Por favor!
– Filha… Tome cuidado, sim?
– Claro mãe! A senhora ligou apenas para isso?
– Não! Teu irmão quer ir até ai,
– Mãe…
– Nada de mãe, Diana! Não quero Ricardo envolvido nessa história, já basta você ai em Nova Esperança e metida nessa vingança com aquele infeliz!
– Mãe… Vou falar com o Rico, mas, não garanto nada! A senhora ligou apenas só pra isso? – Eu falei rindo.
– Não, né filha! Estou com saudades, você faz falta!
Eu sorri. Conversamos mais alguns minutos e ao final da conversa ela novamente me repreendeu pelo que vim fazer aqui e pediu para que não envolvesse o Rico.
Desliguei o celular e fui fazer minha higiene. Desci e fui direto para a cozinha, encontrei apenas Daniela e Zé Alfredo.
– Bom dia!
– Bom dia patroa!
– Onde estão todos?
– Minha mãe e meu pai foram ao pomar e ainda não voltaram, a Adelaide está arrumando a casa, e o seu Brito foi ver algo no campo e disse que a senhora poderia esperar por ele para ir as outras fazendas.
– Certo. Vou tomar café aqui na cozinha mesmo, Daniela.
– Ok patroa.
Tomei o café da manhã conversando com eles. Pouco depois chegou Lucia e Olívio, a conversa seguiu demorada. Não gostaria que eles me vissem como arrogante ou uma patroa chata, até porque minha mãe sempre me ensinou que eu deveria tratar a todos muito bem independente da condição social ou qualquer outra coisa.
Após o café da manhã Brito chegou e me pegou ainda na cozinha conversando com eles.
– Bom dia! Vejo que vocês já conseguiram mostrar a Diana que a cozinha é sempre o melhor lugar da casa.
Todos riram.
– Pronta Diana?
– Sim. Vamos que o dia hoje será longo. Lucia, não viremos almoçar.
– Certo, patroa! E vão passar o dia com fome?
– Não! Nós vamos visitar as outras fazendas e já deixei tudo pronto para comermos por lá mesmo.
Ela assentiu e eu falei:
– Então aproveite a manhã de folga para tratar da vinda de sua mãe para cá. E se vocês tiverem esposas ou maridos não haverá problema também. – Falei para os outros que me olharam assentindo a cabeça.
Saímos para visitar as outras fazendas, uma visita não muito demorada até porque pretendia ver tudo com calma dentro dos próximos dias, essa era apenas para ficar um pouco a par de tudo o que estava sendo feito.
Só voltamos ao final da tarde daquele dia e para minha surpresa havia um carro parado na entrada da fazenda. Estranhei o fato e olhei para Brito perguntando: – Você está esperando alguém?
Ele balançou a cabeça negativamente.
– Então quem está aqui?
– Não sei e você vai ficar aqui no carro. Só vai sair se eu der o ok? Diana?
Balancei a cabeça concordando.
Ele saiu do carro e foi falar com a pessoa que eu não conseguia reconhecer de longe. Era um homem e o mesmo gesticulava muito apontando para casa e toda a extensão da fazenda. Brito também gesticulava e parecia estar se exaltando. Carlinhos que já estava em frente à escada não deixando o homem subir para a varanda, ficou atrás de Brito dando apoio.
A discussão entre os dois continuou por mais algum tempo.
Tempo que me fez perder a pouca paciência. Sai do carro e fui ao encontro deles.
– Boa tarde! Posso saber o que está acontecendo em frente à minha casa?
Brito olhou pra mim com um misto de surpresa e preocupação.
– O que está acontecendo aqui? Quem é o senhor? E o que faz em minha propriedade.
Falei ficando de frente para o homem.
– Você é muito petulante menina! Por acaso, você tem ideia de quem sou eu?
Eu sorri. Porque todos que querem ter alguma influência sobre os outros sempre fazem essa pergunta? O famoso quem…
– Não sei quem é o senhor e não tenho a menor pretensão ou vontade de saber. Ou melhor, já que o senhor está feito um peru doido em frente a minha casa, e com tanta vontade que o conheça, vamos lá! Quem é o senhor?
Brito e Carlinhos sorriram e o homem bufou com raiva!
– Moleca petulante! Saiba que eu sou Gabriel Medeiros de Alcântara.
Ao ouvir aquele nome gelei. Fechei o punho com raiva e disse entre dentes:
– E o que o senhor faz aqui?
– Quero falar com você.
– Não tenho nada para falar com o senhor. Então pode entrar no seu carro e sair daqui agora mesmo.
Falei isso e passei por eles na intenção de subir as escadas que davam acesso à porta de entrada.
– Quem você pensa que é para dar as costas para mim? – Ele falou com raiva segurando o meu braço.
– Eu sou a dona dessas terras que você acabou de invadir! E isso é crime! Então saia antes que eu mande joga-lo daqui a ponta pés.
– Olhe como fala comigo! – Ele falou entre dentes e apertando meu braço.
Brito e Carlinhos vieram até a mim. Fiz que não para eles e soltei-me com um puxão forte. Olhando-o nos olhos falei pausadamente:
– Saia daqui agora e com suas próprias pernas, enquanto pode. Saia! É você que não tem ideia de quem eu sou.
Ele ficou me olhando com raiva, bufando.
– SAIA! AGORA! – Eu gritei assustando-o.
Ele rangeu os dentes e respirou profundamente.
– Ainda conversaremos moleca e você vai me pagar muito caro por isso.
– Vamos ver! Vamos ver. Agora saia daqui. Esse é o ultimo aviso. Carlinhos! Acompanhe o famoso senhor Gabriel Medeiros de Alcântara até o carro dele.
– Sim senhora.
Carlinhos fez o que pedi. Dei as costas e subi para casa. Brito me acompanhou. Ao entrarmos na sala, ele perguntou: – Tudo bem Di?
Respirei fundo e disse: – Não. Mas, vai ficar. Vou subir e não desço para o jantar, você poderia pedir a Daniela ou Lucia para levar algo pra mim no quarto?
– Claro.
Subi para o quarto, ao fechar a porta fui direto ao banheiro. Lavei o rosto e olhei meu reflexo no espelho, estava com surpresa pela audácia e com raiva, ódio por encontrar um Medeiros de Alcântara na porta de casa.
– Como um Medeiros de Alcântara ele é arrogante. Acha-se superior a todos. Miserável! – As lágrimas me vieram à face, logo as enxuguei dizendo: – Controle-se Diana! Controle-se! Foco! Nada de se deixar levar e fazer besteira!
Respirei fundo e fui tomar banho.
– Um banho relaxante! É disso que você precisa!
Demorei um pouco mais no banho. Precisava relaxar e esquecer aquela indigesta visita. Pouco tempo depois de sair do banho, Daniele trouxe meu jantar. Agradeci e fui jantar, o aroma gostoso me abriu o apetite. Pouco depois deitei e antes de dormir algumas perguntas não me saiam da cabeça: – Quem seria o próximo? E porque ele veio?

