A festa de aniversário de dez anos de Lexia era um sucesso. O gerador de Letícia mantinha a luz, o bolo de chocolate de Luísa era o centro das atenções, e a alegria infantil de Lexia era contagiante.
No meio da festa, Letícia chamou Dani de lado.
“Precisamos conversar,” Letícia disse, a voz baixa e séria, guiando Dani pela porta da cozinha. “Não podemos mais fingir que essa amizade é só isso. Não depois de eu quase infartar achando que essa tempestade tinha machucado você e Lexia. Eu não vou mais embora sem ter uma resposta sua, Dani.”
Elas caminharam até o celeiro principal. O cheiro de feno e madeira molhada preenchia o ar. O silêncio era interrompido apenas pela música distante da festa.
Dani encarou Letícia, vendo a frustração e a determinação em seus olhos verdes. A policial estava ali de novo, confrontando-a, pedindo que ela desarmasse.
Mas, pela primeira vez em meses, Dani não sentiu pânico. Sentiu calor.
“Eu te pedi um ano, Letícia. Eu pedi tempo para reconstruir minha vida,” Dani disse, a voz tensa. “E você foi embora. Você me deixou sozinha com o meu trauma.”
“Você me pediu para ir embora, Dani! Eu te dei o espaço que você exigiu!” Letícia rebateu, aproximando-se, diminuindo a distância entre elas.
A tensão era quase física. Letícia estava tão perto que Dani podia sentir o cheiro de chuva e terra. A policial, que sempre trazia ordem ao caos, era agora a fonte do seu próprio caos emocional.
Dani fechou os olhos. A persistência que a tornava uma advogada brilhante e que a mantinha afastada de Letícia finalmente se voltou contra ela. Ela estava cansada de lutar.
A advogada inspirou fundo e, movida por um impulso ardente que ignorou todos os seus traumas e defesas, deu um passo à frente.
Ela segurou o rosto de Letícia entre as mãos calejadas e a puxou para um beijo apaixonado.
O Calor da Intimidade
O beijo de Dani era a confissão que ela não conseguia fazer com palavras: era faminto, desesperado e cheio de todo o tempo perdido. Letícia demorou um segundo para processar o ataque, mas respondeu com a mesma intensidade, trazendo as mãos firmes para a cintura de Dani.
A atração que vinha sendo reprimida por meses explodiu em toques e sussurros. Letícia a empurrou gentilmente, deitando-a sobre uma pilha macia de sacos de ração em um canto mais escuro do celeiro.
Os beijos se tornaram mais profundos. As mãos de Dani deslizaram pela nuca e pelos ombros definidos de Letícia, enquanto as mãos da policial a apertavam com possessividade. As camisas sujas de fazenda se roçavam. A intimidade era urgente, real e esmagadora.
Estavam ofegantes, os lábios vermelhos e o corpo em chamas. Letícia se preparava para tirar a camisa, quando Dani sentiu uma pequena pontada no ombro. Ela se afastou ligeiramente, apoiada nos braços de Letícia.
“Espera, espera…” Dani murmurou, tentando recuperar o fôlego e a sanidade.
O impulso havia cedido o lugar à Advogada Persistente e Observadora.
“O que foi? Eu fiz algo errado?” Letícia perguntou, a voz rouca de desejo e o coração na mão.
Dani negou com a cabeça, com o peito subindo e descendo rapidamente. Seus olhos, sempre focados, estavam fixos na parede de madeira atrás da cabeça de Letícia.
“Não,” Dani disse, recuperando a compostura, mas o olhar fixo. “Eu senti uma pontada aqui.” Ela tateou a parede e percebeu algo estranho. A madeira parecia mais fina, e havia uma pequena brecha. “Essa parede. Ela não está… certa.”
Letícia franziu a testa, a atração substituída pela curiosidade profissional. “Que parede?”
Dani empurrou a área com força, e a madeira balançou.
“Essa,” Dani sussurrou, afastando-se completamente dos braços de Letícia. Ela usou a força que a paixão havia lhe dado para empurrar o ponto fraco.
Com um ruído oco, um painel de madeira se moveu, revelando um pequeno e escuro cômodo secreto atrás da parede do celeiro.
Dani e Letícia se entreolharam, a paixão ainda ardendo, mas agora misturada à adrenalina de uma descoberta inesperada.

