Passaram-se duas semanas. A tempestade havia dado lugar ao sol, e o dinheiro estava seguro, sob a vigilância constante de Letícia e Dani.
Dani estava no escritório, discutindo a contratação de uma empresa de segurança especializada com Letícia (um plano de ação urgente) quando a porta se abriu de repente.
Luísa entrou, pálida, com uma expressão de pânico.
“Dani! Letícia! Vocês não vão acreditar em quem está aqui!” Luísa sussurrou, fechando a porta com cuidado.
Letícia e Dani trocaram um olhar de alerta. Letícia pôs a mão no coldre, um instinto que havia retornado.
“Quem, Luísa? Aconteceu algo com Pedro?” Dani perguntou, pensando em algum problema na criação de gado.
“Não. É… Raizel.”
Letícia empalideceu. O nome da ex-namorada, a responsável pela fuga de Dani, era a última coisa que ela esperava ouvir ali, no meio do nada.
“Como ela nos encontrou?” Letícia perguntou, sua voz tensa.
“Eu não sei! Ela está na porteira. Disse que ouviu na capital sobre os roubos de gado e que veio ‘dar um suporte profissional’ ao delegado local. E que ‘já que estava por perto’, viria visitar a prima dela (no caso, eu) e a ‘antiga colega de trabalho’.” Luísa fez uma careta.
Dani sentiu o antigo trauma de relacionamentos passados voltar com força. Raizel era a personificação da desonestidade que a fez fugir. E o pior: Letícia, a quem ela havia acabado de confiar uma fortuna incalculável, estava visivelmente abalada pela presença da ex.
“Ela não pode entrar aqui,” Dani decretou, sua voz fria e firme como gelo.
“Tarde demais. Ela já passou. Eu tentei impedi-la, mas ela disse que ‘precisa falar com a Letícia’ e está vindo para cá. Ela está com o uniforme completo e parece que veio para ficar,” Luísa informou, indicando a determinação profissional de Raizel.
Dani olhou para Letícia. Seus olhos perguntavam: O que ela representa para você agora, Letícia? E esse segredo está seguro com ela por perto?
Letícia estava tensa, mas focada. “Dani, eu juro que não tenho nada com ela. Mas ela é policial. E ela é inteligente. Ela está aqui por um motivo, e não é para me reconquistar.”
Letícia apontou para a porta do escritório, onde o barulho de botas pesadas se aproximava.
“Essa é a nossa primeira prova, Dani. Não podemos deixar Raizel sequer suspeitar da fortuna. E eu preciso que você confie em mim. Ela não pode saber de nada.”
A porta se abriu antes que Dani pudesse responder.
Raizel estava ali, linda, altiva e com um sorriso de superioridade nos lábios.
“Ora, ora. Mas que família feliz! Letícia, senti sua falta,” Raizel disse, sem desviar o olhar da policial. Em seguida, ela olhou ao redor, avaliando o ambiente rústico da fazenda. “E vejo que você fez um ótimo trabalho, amiga Dani. Meus parabéns. Agora, Letícia, podemos falar de trabalho? Ou você está de folga para sempre?”

