Algumas verdades não se revelam com palavras, mas com o silêncio que elas deixam.” — Mia Couto


O carro avançava pela estrada de terra, levantando uma nuvem fina de poeira que parecia dançar sob o sol da manhã. Diana observava pela janela, o coração apertado. Cada curva, cada árvore, cada pedaço de terra trazia de volta lembranças que ela não sabia se queria reviver.

Carlinhos e Mathias ficaram encarregados de trazer todos para a fazenda. Rico em silêncio e olhos fixos na estrada buscando entender esse chamado que Nova Esperança sempre teve em sua vida.

A cidade não era tão pequena como ele imaginava, ficando há algumas horas da capital de carro, mas, eles preferiam ir e vir de avião, o pequeno aeroporto servia de base para toda a região.

— Chegamos — disse Diana, com a voz baixa.

Rico desceu do carro devagar. O cheiro da terra, o som distante dos animais, o silêncio carregado de história.

Brito surgiu do alpendre com o chapéu na mão e um sorriso largo no rosto. Quando viu Mariana, Liz e Douglas, seus olhos se encheram de lágrimas.

— Meus amores… — disse, com a voz embargada.

Mariana correu até ele, abraçando-o com força. Liz e Douglas vieram logo atrás, formando um abraço coletivo que parecia costurar os meses de distância.

— Você está diferente, pai — disse Liz, emocionada.

— Espero que um diferente bom, filha.

— Diana disse que você se machucou, amor. — Mariana olhava para ele buscando saber fisicamente como ele estava.

— Não se preocupe, foi algo bobo. Já estou bem melhor. Temos ótimos médicos e um bom hospital aqui em Nova Esperança. Fui bem cuidado.

— Brito!

— Diana e Rico. Que bom ver vocês. — Os três se abraçaram.

— E as coisas por aqui?

— Temos muito o que conversar Diana.

— Conversamos, mais tarde Brito. Preciso descansar um pouco e você aproveitar sua família.

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O escritório da fazenda tinha cheiro de madeira antiga e café fresco. Diana se acomodou na poltrona de couro, enquanto Brito organizava alguns papéis sobre a mesa. Lá fora, o som dos cavalos e o vento nas árvores criavam uma trilha sonora silenciosa.

— A fazenda está respirando de novo — disse Brito, com um sorriso orgulhoso. — O gado está saudável, os cavalos bem cuidados.

— Mariana e Liz vão trazer novas rotinas de manejo dos animais e solo para os novos cultivos.

Diana assentiu, observando os quadros na parede. Fotos antigas, uma delas de Dário com um sorriso tímido.

— E as outras áreas? As três fazendas que se juntaram?

— Estão funcionando como um sistema integrado. Temos uma equipe fixa em cada uma, mas tudo se comunica. A ideia do resort… pode ser o próximo passo.

Ela sorriu, mas havia algo em seu olhar.

— Quero estabilizar primeiro as fazendas Brito, um passo de cada vez. Estamos apenas começando aqui. Quero fazer estudos bem técnicos sobre a viabilidade do resort ou hotel fazenda. Principalmente, foco na produção aqui, isso sim, é fundamental.

Uma batida na porta chama a atenção dos dois.

— Entra.

Rico entrou com a elegância de quem nunca se desconecta da cidade. Camisa de linho clara, calça jeans, botas limpas demais para o barro da fazenda. O cabelo escuro penteado, com a franja solta sobre a testa.

Diana, com a camisa de algodão amassada, botas marcadas pela terra e o cabelo preso num coque despretensioso, sorriu ao vê-lo.

— Você parece pronto para uma reunião no centro financeiro.

— E você parece saída de um documentário sobre mulheres que dominam o campo — respondeu Rico, com um sorriso provocador.

Brito riu, observando os dois.

— Vocês são o retrato da dualidade dessa família. Um pé na terra, outro na cidade.

— Vai sair?

— Eu e o Douglas vamos conhecer um pouco da cidade.

— Ih! Brito, esses dois juntos já viu no que vai dar, né?

— Por quem me tomas irmãzinha?

— Nova Esperança que se cuide!

Rico se aproximou da mesa, folheando os relatórios com atenção.

— Já vi que estão com tudo bem encaminhado.

— Estamos acertando alguns pontos Rico, mas, gostaria da sua opinião.

— Di, preciso tomar pé de como estão as coisas aqui, montar um sistema de gestão integrado até para que possamos acompanhar tudo remotamente. Serão 4 fazendas em uma, e tem seus outros negócios, acredito que você não queira viajar o tempo inteiro.

— Essa parte de viajar, vou deixar com você, irmãozinho.

— Tá vendo, né Brito? Como ela gosta de me explorar?

— Me deixem fora dessa vocês dois.

— Sério Di, vou precisar realmente de tempo e acesso a todas as informações, os projetos, planilhas, relatórios, tudo o que vocês já fizeram e o que pretendem fazer. Isso é muito importante para que tenhamos uma real situação das finanças aqui da fazenda.

— Olha só você, como está levando a sério o papel de executivo da capital.

Rico sorriu dizendo: — Alguém tem que manter os números em ordem. E garantir que essa fazenda não vire só poesia.

Diana ergueu uma sobrancelha.

— E alguém tem que garantir que ela não vire só planilha.

Eles se olharam por um instante. O contraste era evidente — ela, visceral e prática; ele, refinado e estratégico. Mas havia algo nos olhos dos dois que se reconhecia.

Douglas bateu à porta, colocou apenas a cabeça e disse: — Vamos?

— Bem, minha presença está sendo requisitada. Deixarei o trabalho pesado para vocês dois.

Diana riu do irmão, mas disse: — Se cuidem. Nova Esperança tem muita história mal resolvida. E você está no centro disso.

— Exato! Os dois ouviu Douglas, evitem confusão e vou falar com Mathias para ir com vocês e assim evitar confusão.

— Isso Brito, fale com Mathias, por favor.

Rico se despediu com um beijo na testa da irmã e saiu do escritório com Douglas, eles iriam aproveitar o fim da tarde para explorar Nova Esperança.

Diana ficou em silêncio, observando a porta fechada. Os olhos fixos nos papéis sobre a mesa, mas a mente longe dali enquanto esperava Brito retornar.

— Diana, tem coisas que você precisa saber. E não são sobre a fazenda.

Brito se recostou na cadeira, o semblante mais sério agora. Ela ergueu os olhos, atenta.

— Fala, Brito.

— A cidade está inquieta. A separação de Gabriel virou assunto em toda esquina. A esposa saiu de Nova Esperança, dizem que por causa de traições.

— Fofoca ou você sabe de algo?

— Fofocas da cidade, inúmeras razões surgiram. Ele não anda bem. Está sempre em alguns bares, é visto com frequência andando a cavalo a esmo pelas terras.

— Pelo visto essas últimas duas semanas foram bem intensas em Nova Esperança.

— O Dr. Mário anda perguntando sobre sua família.

Diana sentiu o estômago revirar. A sombra do passado parecia sempre pronta para se esticar sobre ela.

— Ele está investigando?

— Não sei se oficialmente. Mas está curioso. E quando um homem como ele começa a juntar peças, é porque quer montar um quebra-cabeça. E você está no centro disso.

Diana se levantou, caminhando até a janela. O céu começava a se tingir de laranja, como se o dia também carregasse o peso das revelações.

— É cedo para que eles descubram algo Brito. Trouxe alguns documentos da capital para que juntos possamos analisar e dar alguns passos, além de informações da minha mãe que não tinha. Preciso estar sob as sombras pra poder verificar tudo.

— Eu sei. O que você quer fazer com relação às investigações do Dr. Mário

— Vamos soltar informações falsas sobre mim, ou melhor, informações com meia verdade.

— A família do seu pai também anda investigando.

— Mais essa. A mesma coisa. Informações com meias verdades.

Brito hesitou por um segundo, depois falou com cuidado.

— Na última vez que fui ao hospital, pra tirar os pontos… encontrei a Dra. Ana Carolina.

Diana congelou.

— Ela… falou alguma coisa?

— Perguntou por você. Quis saber se estava bem. Se voltaria. E quando eu disse que você estava vindo, ela ficou em silêncio.

Diana mordeu o lábio, desviando o olhar para a janela.

— Eu não sei o que pensar Brito.

— Você não precisa saber tudo agora. Só precisa estar aberta. À verdade. Ao que sente. E ao que pode acontecer.

Diana assentiu, em silêncio. O escritório estava quieto, mas dentro dela, tudo gritava. Ela fechou os olhos por um instante. O cheiro de café, o ranger da madeira, tudo parecia distante.

“Ela perguntou por mim…”

E só isso bastava para desestabilizar tudo.

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Rico estaciona o carro no centro de Nova Esperança, surpreso com o movimento.

— Não achei que fosse tão… viva — ele comenta, observando as lojas, cafés e o vai-e-vem de moradores.

Douglas desce do carro devagar, os olhos varrendo o cenário como quem busca algo além da paisagem.

— O que você realmente esperava daqui Rico?

— Sei lá. Por mais que tudo sempre estivesse ligado aqui. O desejo da Di em voltar e limpar o nome do nosso pai..

— A verdade…

Rico olhou pro amigo e sem jeito respondeu: — Eu imaginava uma cidade menor. Sabe aquela cidadezinha onde todos se conhecem e é dominada pelo medo do tirano…

— Uma visão um tanto que limitada, não? — Douglas respondeu olhando sem entender o porquê do amigo pensar aquilo da cidade.

— Diferente da Diana, Nova Esperança nunca foi uma prioridade pra mim. Eu nunca vivi em Nova Esperança, aqui sempre foi a cidade onde meu pai foi assassinado, minha família perdeu tudo, sempre liguei Nova Esperança a tristeza e dor. Diana apesar de tudo, tem boas lembranças daqui e procurou estar sempre sabendo daqui.

— Entendi. Você nunca quis realmente saber do lugar de onde sua família veio.

— Não. Respondeu sério.

— Tem algo aqui… — ele murmura, quase para si mesmo.

— Algo o que? Tá vendo alguma coisa?

— Não idiota. Meu Deus do céu, Rico. Você não tá sentindo?

— Primeiro, idiota aqui é você. Segundo, sentindo o que?

— A energia, a vibração.

Rico balançou a cabeça em negação. Deu um tapinha na cabeça do amigo e disse:

— Energia, Douglas? Vibração? Tá de brincadeira, só pode.

— Rico, você precisa abrir sua mente. Seus chacras…

— Abrir o que?

Rico olha para o amigo que está parado olhando hipnotizado sem piscar.

— Douglas? Ei… — passa as mãos para cima e para baixo sem entender, até que ele segue o olhar do amigo.

No outro lado da rua, uma jovem de cabelos negros caminha com três crianças. Ela sorri e ajeita os cabelos de uma das crianças, segura a mão de uma delas com delicadeza, se abaixa e conversa com um sorriso alegre com elas.

— Rico… olha isso.

— Olhar o que?

— Ela é linda… Olha pra essa cena, esse cenário… as cores

— Ih, já vi esse olhar. Perdi o artista. Vai começar a pintar sem parar, já tô vendo.

Douglas dá dois passos, mas o ônibus escolar estaciona antes que ele consiga se aproximar. Ela entra com as crianças e desaparece.

Ele fica parado, encantado. Rico bate no ombro do amigo chamando para andarem conhecendo um pouco mais da cidade.

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Mais tarde, Rico e Douglas voltam à fazenda e convencem Diana e Liz a saírem

— O bar tem música ao vivo. E parece que é o ponto de encontro da cidade — diz Rico.

— Rancho 7, que nome de bar é esse? Onde vocês descobriram esse local?

— Fica no centro de Nova Esperança. Nós ouvimos algumas pessoas falando dele, pelo que entendi é um ponto de encontro, todos vão lá.

— Passamos por lá para conhecer o lugar antes de chamar vocês. É peculiar, tem um balcão extenso com bancos altos, mesas grandes de madeira tanto dentro como fora, pelo que deu pra ver as luzes deixam um clima interessante, tem um palco dentro.

Diana e Liz se olham balançando a cabeça.

— A descrição do Douglas me ganhou Di, vamos?

— Bar na segunda-feira?

— Não vamos encher a cara Di, vamos apenas socializar.

— Ok. Vamos ao Rancho 7.

Ao chegarem no bar, olhares se voltam, sorrisos se insinuam. Diana observa tudo com cautela, eram todos novidades para aquelas pessoas.

Os amigos vão até uma mesa dentro do bar. Estão atentos ao que acontecem. O ambiente, as pessoas, a música leve tocada por músicos da cidade não atrapalha as conversas.

— O que está achando Di?

— Como disse nosso artista, é um lugar peculiar.

Douglas sorri.

Após alguns minutos no lugar e serem atendidos por um garçom, Diana vê Ana Carolina chegando sorridente abraçada a mulher e mais um casal de amigos.

— Mas…- Diana sente o estômago revirar ao ver o carinho entre as duas mulheres.

Rico percebe e se aproxima da irmã.

— Tá tudo bem?

— Tudo ótimo — ela mente.

Em outra mesa um pouco mais afastada Ana Carolina ri das conversas bobas dos amigos.

— Carol, é sério.

— Eu não acredito nisso Júlio.

— Alice… Fala pra ela

— É verdade, nossa amiga Karina foi aplicar um sublingual no senhorzinho porque ele estava com a pressão alta. Só que ao colocar o comprimido na boca, o senhorzinho engoliu. A nossa amiga aqui, ficou olhando pro senhorzinho…

— Gente, eu fiquei sem ação na hora, ainda disse: Seu Zé! Era pra deixar embaixo da língua. E sabe o que ele respondeu? – Ué, era pra ficar escondido?

Os amigos gargalharam chamando a atenção das pessoas.

Diana olhava para a cena com incômodo, até que os olhares se cruzam. Ana Carolina se surpreende com a presença de Diana no bar. Um sorriso involuntário chega aos lábios dela. A partir desse momento os olhos das duas sempre se buscam.

Ana Carolina observa Diana conversando e sendo abraçada por Rico causando nela um grande desconforto que bebe de uma vez o conteúdo do copo.

— Vai com calma doutora. – Alice brinca com a amiga.

— Não enche Alice. Olha pra aquilo. Ela está abraçada com aquele cara.

— Carol. Pode ser apenas um amigo.

— Que amigo, o que? O Júlio é meu amigo e não tô abraçada nele.

— Ei… me tirem dessa, quem tá abraçando quem?

— Vou pegar mais bebida pra gente. E não deixem ela fazer besteira.

Na volta do balcão com as bebidas, Alice esbarra em Rico sem querer, que é rude com ela por notar que a irmã não gosta dela.

— Cuidado!

— Oi? Cuidado você que devia olhar por onde anda.

— Você que esbarrou em mim e eu que tenho que olhar por onde ando?

— Tá nervoso?

— Não enche garota.

— Vai com calma. Não é assim que se fala com as pessoas, não.

— É professora de boas maneiras, por acaso?

— Rico? — Liz chega perto do amigo ao notar a alteração.

Alice olha pra mulher e sorri.

— Olá, tudo bem?

Liz olha para ela sem entender.

— Prazer! O meu nome é Alice, qual o seu?

Rico toma a frente de Liz e olha pra Alice dizendo: — Você é sem noção?

— Falei com você? Acredito que a moça possa falar por ela mesma.

Liz ri. — Rico, para com isso, ela não fez nada.

Alice cruzou os braços e disse com desdém:

— Tá vendo Rico? Eu não fiz nada. Então, de volta a nós duas, como é seu nome?

— Você é assim o tempo inteiro? — Liz pergunta sorrindo, acha engraçado o jeito da desconhecida.

— Assim como? — Alice retruca e morde os lábios.

— Sem noção? — Rico interfere novamente

— Você ainda está ai? — Alice questiona olhando-o de cima a baixo sem dar muita importância para Rico.

Liz balança a cabeça e puxa Rico para balcão sem responder.

Alice sorri e sai em direção aos amigos.

Diana e Ana Carolina veem toda a alteração sem se aproximar. Mas, seus olhos buscam uma a outra o tempo inteiro.

Carol observa quando Diana sai em direção ao banheiro e a segue.

— Oi, Diana.

Elas se aproximam sem perceber.

— O que você quer aqui Ana Carolina?

— O seu amiguinho é intenso.

— Sua amiguinha também.

Carol olha os lábios de Diana.

— A Alice não fez nada.

— O Rico também não. Sua namoradinha…

— Hum… ciúmes?

— De quem? De você? Mas, é muito…

— Muito o que? — Carol pergunta passando a língua pelos lábios, o que desconcerta Diana.

— Volta lá pra sua namoradinha Ana Carolina, vai…

— De novo, tá com ciúmes, é?

— Olha aqui, não tenho porque ter ciúmes de você não.

Ana Carolina puxa Diana que não teve tempo de pensar. O beijo veio como uma tempestade: quente, urgente, cheio de tudo que foi calado por tempo demais.

Ana Carolina a encostou contra a parede do banheiro, as mãos firmes na cintura, os corpos colados como se o mundo lá fora tivesse deixado de existir.

Diana correspondeu com a mesma intensidade. As mãos deslizaram pelos braços de Carol, depois pelos cabelos, puxando-a com força.

O beijo se aprofundou, os suspiros se misturaram, e o som abafado da música do bar parecia distante, irrelevante.

— Você é louca… — murmurou Diana entre beijos, sem conseguir se afastar.

— E você é minha loucura favorita — respondeu Carol, antes de voltar a beijá-la.

As duas se agarraram como se o tempo tivesse parado. A raiva, o ciúme, o desejo — tudo se misturava num turbilhão que não dava espaço pra lógica.

— Opa… — disse Alice, parando na entrada com um sorriso debochado. — Era só pra retocar o batom, mas pelo visto o clima aqui é outro.

Diana se afastou de Carol num impulso, o rosto em chamas.

Alice riu, encostada na porta.

— Relaxa, não sou fiscal de beijo. Mas se quiserem, posso guardar segredo… Acho que seu namoradinho não vai gostar de saber o que você faz dentro do banheiro…

Carol ajeitou o cabelo, tentando recuperar o fôlego e disse: — Alice.

Diana olhou para as duas balançando a cabeça.

— Eu não sei qual o fetiche de vocês duas. Mas, me deixem fora.

Diana passou por Alice empurrando-a para o lado.

— Calma…

— Cuida da sua namoradinha — disse Diana, ríspida.

Alice segurou o braço de Diana gargalhando.

— Calma… Namoradinha? Nós somos só amigas. Quem tem namorado aqui é você.

— Que namorado? Você é louca?

— O chatinho lá fora…

— Ele é meu irmão. Me deixem vocês duas.

Diana saiu do banheiro com passos firmes, o coração disparado.

Carol e Alice se entreolharam, e depois caíram na risada.

— Irmão…

— Você não vale nada Alice.

— O que? Você ia ficar remoendo isso o tempo todo. Te fiz um grande favor, ou melhor, me fiz um grandíssimo favor, porque quem iria ficar ouvindo seria eu…

— Vamos embora, maluquinha.

Diana saiu sem olhar para trás. Ainda ouviu a gargalhada das duas.

— Que raiva!

— Do que Diana?

— Vamos embora?

— Diana…

— Chega Rico. Você já fez confusão com aquela lá. Vamos embora agora.

Os quatro voltaram em silêncio. Diana subiu direto para o quarto.

O beijo.

O toque.

A entrega.

Ela fechou os olhos e tudo voltou com força: o olhar desafiador, o beijo que começou como provocação e virou necessidade, o calor das mãos, o desejo sem freio.

Diana levou a mão aos lábios, como se quisesse guardar o momento ali.

Mas o coração batia rápido demais.

Ela não sabia se queria repetir… ou fugir.

Diana sorriu, sem querer.

Ela queria esquecer. Mas o corpo lembrava. E o coração… não sabia o que escolher.



Notas:



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