De volta à Fazenda Fênix, o clima de romance da viagem cedeu lugar à seriedade da investigação. A ameaça de Carina era muito mais sombria do que a de Raizel, pois envolvia a vida de Lexia.
“Precisamos de alguém que entenda a fundo o crime organizado no estado, alguém que consiga rastrear essa rede que Raizel e Carina montaram,” Dani argumentou no hub, gesticulando no mapa.
Letícia já sabia a resposta. “Só há uma pessoa. Meu mentor, Coronel Almeida da Polícia Federal. Ele me treinou, me conhece, e sabe exatamente como é o jogo de poder na capital. Ele é a única pessoa em quem confio fora do nosso time.”
O Almoço Tenso
O encontro com o Coronel Almeida foi marcado na capital. Dani e Letícia viajaram juntas, mantendo a fachada de advogada e guarda-costas. O almoço aconteceu em um restaurante discreto e reservado.
O Coronel Almeida era um homem imponente, com anos de experiência no combate ao crime. Ele observou Letícia com orgulho e depois se concentrou em Dani com uma curiosidade profissional aguçada.
Letícia foi direta, omitindo apenas o valor exato da fortuna e o relacionamento delas.
“Coronel, a Fazenda Fênix tem sido alvo de uma rede que usa o crime de colarinho branco e a polícia como fachada. A cabeça dessa rede é Raizel, e o elo dela é uma ex-babá, Carina, obcecada pela minha protegida, Lexia,” Letícia explicou, entregando o dossiê que Dani e Sofia haviam montado.
Almeida folheou os documentos com rapidez assustadora. “Raizel. Sabia que aquela garota tinha ambição demais. Mas usar uma babá obcecada como ponto de ataque? É genial e cruel. É a única forma de atingir quem está bem guardado: através do afeto.”
Ele olhou para Dani. “Doutora, sua propriedade e sua família estão em perigo. Essa máfia não quer dinheiro. Quer poder. Seus pais foram espertos em esconder Lexia por todos esses anos. O que a menina é, ou o que ela representa, é o verdadeiro tesouro.”
Almeida prometeu apoio total. Ele não se juntaria à Fênix, mas passaria informações de inteligência e daria a Letícia a autoridade para agir em nome da PF, caso necessário, elevando o status da segurança de Dani a um nível federal.
O encontro foi um sucesso, mas trouxe uma certeza aterradora: a ameaça era maior do que Letícia poderia enfrentar sozinha.
A Caçada
De volta à fazenda, a caçada por Carina começou. Com a informação da PF, Letícia e Dani puderam traçar um perfil de atuação da máfia. Elas descobriram que Carina não estava na capital. Ela havia se mudado para o litoral, onde a máfia estava montando uma nova rota de tráfico, usando a babá como fachada para a logística.
A parceria entre a Advogada e a Policial era fluida. Dani usava sua lógica para prever os movimentos legais de Carina (mudanças de nome, contas bancárias) enquanto Letícia usava sua experiência para antecipar os movimentos operacionais.
Em uma noite, no hub, Dani e Letícia estavam debruçadas sobre um mapa da costa.
“Ela está aqui. É o único ponto onde ela poderia se sentir segura, perto do porto,” Letícia disse, marcando um armazém abandonado.
“É uma armadilha, Letícia. Ela sabe que estamos procurando,” Dani alertou.
“Claro que é. Mas Lexia é a moeda dela. Ela precisa usá-la para barganhar com o verdadeiro poder por trás da máfia. Ela virá. E eu a levarei presa,” Letícia afirmou, a determinação em sua voz era a promessa que Dani precisava ouvir.
“Nós a levaremos presas,” Dani corrigiu, segurando a mão de Letícia. “Nós somos sócias, lembra? Eu dou a retaguarda legal, você a tática.”
Letícia sorriu, um sorriso de puro orgulho. “Sua persistência é sexy, Doutora. Mas agora, vamos ao plano. Precisamos de Luísa e Pedro.”
O plano foi elaborado: usar a fortuna como isca para atrair Carina para uma negociação falsa, em um local isolado da fazenda. A Fênix Segurança faria a captura. Seria o confronto final e decisivo.

