Corações em Conflito

Capítulo 4 – Corações em Conflito

Na segunda-feira, acordei assustada ao perceber que meu alarme não havia tocado e rapidamente peguei meu celular para verificar as mensagens de Isaque, onde estava o horário da leitura do testamento e o endereço de seu escritório. Vi que estava em cima da hora e me apressei em me vestir. Num movimento rápido, escolhi uma calça social cor creme e uma blusa salmão que estavam à mão.

Adentrando o escritório de Isaque, deparei-me com um ambiente sóbrio e profissional. As paredes eram adornadas com diplomas e prateleiras repletas de livros de direito. A mobília era elegante, mas funcional, com uma grande mesa de madeira escura no centro da sala, rodeada por cadeiras estofadas.

Quando entrei na sala, meu olhar encontrou figuras já conhecidas. Além de mim, estavam o prefeito, Isabela Moreira e Lucas Rodrigues. A atmosfera estava tensa, como se a expectativa pairasse no ar enquanto aguardávamos o início da leitura do testamento. Me questionei internamente sobre a razão destas pessoas também estarem presentes.

— Bom dia a todos — cumprimentei ao sentar-me na cadeira ao lado de Isaque. Pude perceber que o prefeito e Lucas me observavam com seriedade, enquanto Isabela evitava olhar na minha direção.

— Agora que Helena chegou, podemos iniciar — disse Isaque, lançando um olhar para todos na sala e fixando seus olhos no prefeito.

— O prefeito, Senhor Cássio Rodrigues, não foi mencionado no testamento e não representa o advogado de nenhuma das partes aqui presentes, então peço que se retire — pronunciou Isaque, e pude sentir a tensão se intensificar no ar.

Cássio sorriu, parecendo impassível diante da situação, e dirigiu seu olhar para todos na sala antes de se encaminhar para a porta.

— Espero na recepção — disse ao se retirar.

Isaque Peixoto abriu o envelope lacrado e começou a ler as palavras do meu falecido pai. O silêncio era quase tangível no escritório.

— É declarado que minha filha, Helena Miller, será a beneficiária integral de todos os meus bens materiais, abrangendo a residência situada no condomínio Das Flores, veículos registrados em meu nome, joias, investimentos imobiliários e ações. No que se refere à minha participação de 80% no Hospital Vintervile, lego 55% para minha filha Helena Miller e 25% para a Isabela Moreira.

O choque percorreu meu corpo enquanto ouvia as palavras, a surpresa misturando-se com uma pitada de incredulidade. Meu pai havia deixado uma parte significativa do hospital para Isabela. Que tipo de relação eles tinham afinal?

A leitura continuou, revelando o desejo de meu pai de que eu assumisse a posição de diretora e médica coordenadora do Hospital Vintervile. O peso da responsabilidade me atingiu de repente, deixando-me atordoada com o que acabara de ouvir.Mantive minha cabeça baixa durante toda a leitura do testamento. Após Isaque concluir, houve um breve momento de silêncio antes de Lucas falar com uma seriedade notável.

— Isabela, é crucial que você compreenda a importância destes 25%. Você terá maior controle do hospital ao qual já dedica tanto de seu tempo.

Direcionei meu olhar na direção de Isabela e ela correspondeu com seriedade, depois voltou sua atenção para Lucas, balançando levemente a cabeça em resposta às suas palavras. Enquanto Isaque estava ocupado mexendo nos papéis, decidi levantar-me e caminhar até a janela, buscando um pouco de ar fresco.

Enquanto estava lá, senti alguém se aproximando e me virei. Fui surpreendida ao ver Lucas, com a testa suada, olhando-me com uma expressão receosa. Parecia que minha própria expressão o intimidara, pois ele chegou até a gaguejar quando disse:

— Helena, eu… eu sei que ainda é cedo para discutir negócios, mas quero que saiba que estamos dispostos a comprar sua parte do hospital.Isabela, que estava atenta à conversa e se aproximava de nós, dirigiu-me um olhar antes de complementar as palavras de Lucas:

— Talvez seja prudente considerar a proposta, Helena. Esta cidade é pequena, do interior, e seu pai sempre almejou o melhor para você.Observando a aliança brilhando em sua mão, dei um meio sorriso. Aquilo parecia um script ensaiado. Senti uma onda de indignação percorrer minhas veias diante da abordagem deles.

— Vejo que desejam que o hospital faça parte dos planos da nova família — declarei, direcionando meu olhar para a aliança reluzente na mão de Isabela antes de retornar para seus olhos, que faiscavam com determinação.

— Mas, como mencionou, Lucas, ainda é cedo demais e este não é o momento apropriado para discutirmos negócios — respondi, tentando manter a calma diante da situação.Isaque Peixoto, percebendo a tensão no ar, aproximou-se de nós e entregou-me uma carta.

— Helena, seu pai deixou-lhe esta carta. Ela estava entre os itens que me foram entregues — percebi o olhar curioso de todos em relação ao conteúdo da carta.

Deixei a sala de reunião, sentindo a tensão e os olhares críticos que recebia. Ao passar pela recepção, notei o prefeito fazendo menção de se levantar, mas acelerei o passo e apenas meneei a cabeça em sua direção enquanto saía do local.



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