O Coração de Freya

Capítulo 24 – A Vacina

Capa: Tattah Nascimento

Revisão: Isie Lobo e Nefer

Texto: Carolina Bivard


Capítulo 24 – A Vacina

– Terminei! Fiz a prova com os attochips infectados e funcionou.

Kara deu a notícia radiante.

– Então, vamos tirar Decrux dessa merda agora mesmo! O que quer que eu faça?

Bridget falou, exultante com a notícia trazida por Kara. A comandante estava na ponte quando a engenheira irrompeu através do portal, dando a notícia. Kara estava tão feliz que quis dar a notícia pessoalmente. A apreensão era grande, diante do tempo que levaram para descobrir a cura.

– Já deixei o painel dos condutores de Decrux aberto no seu quarto, Brid. Eu o abri mais cedo, porque tinha esperanças de conseguir. Depois que entendi a linguagem de programação, com o auxílio de Aloá e dos instrumentos que eles trouxeram, pude avançar.

– Ótimo!

– Alguém terá que liberar assim que injetarmos os attochips com a vacina em Decrux, e alguém precisará religar todo o sistema na ponte. Deverá ser exatamente nessa ordem. Injeto a vacina em Decrux, alguém também injeta no fluxo dos condutores da nave e religam o sistema. Assim que o corpo físico de Decrux reestabelecer, ela se conectará ao sistema, pois dentro dos condutores já circulará a vacina também.

– Vacina?

– A vacina na verdade é um antivírus que programamos e inserimos nestes attochips isolados. A medida que eles interagirem com os que circulam no corpo de Decrux e os que circulam no sistema da nave, transmitirão a informação para cada um, como um efeito cascata.

– Deixe que eu injete no sistema, pois o conheço. Todas as nossas naves têm esses condutores. – Aloá se prontificou, entrando na ponte acompanhada de Helga. – Certamente Decrux gostará de ver um rosto conhecido com ela. É melhor que Kara esteja lá.

– Eu vou com você e mostro onde é o alojamento de Bridget.

Helga se adiantou, sabendo que a comandante não gostaria de deixar que a cientista circulasse sozinha em seu quarto.

– Certo, então fico aqui na ponte e religo o sistema. Só me avisem o momento. – Determinou Bridget.

Se adiantaram, cada uma para suas posições e quando Kara chegou ao módulo de suspensão, acionou o comunicador.

– Todas prontas?

– Tudo pronto na ponte.

– Tudo pronto no alojamento.

– Vou abrir o módulo agora.

Kara destravou o módulo e tirou Decrux de suspensão. A IA acordou desorientada novamente.

– Decrux, sou eu, Kara. Eu vou injetar a vacina em você.

Decrux olhou em volta e não via Bridget. Havia um homem moreno junto a engenheira. Recolheu o braço, se negando a deixar que Kara injetasse algo nela.

– Onde está Bridget? – Perguntou alarmada.

– Ela está na ponte, pronta para religar o sistema. Nos dividimos, pois teríamos que fazer conjuntamente.

– Sinto muito, Kara, mas não deixarei você injetar qualquer coisa em mim, sem Bridget presente e autorizando.

– Droga, Decrux! Deixa ela injetar essa porcaria em você!

– Eu não posso, Brid! – Respondeu a IA. Ela trazia no semblante desespero.

– Calma, Decrux. Vamos resolver isso. Brid! – Kara chamou a comandante pelo comunicador geral. – Vem para cá. Me encontro com você na saída do elevador no seu andar e passo a pistola de injeção. Eu assumo seu lugar na ponte. São os protocolos de segurança dela. Não adianta discutirmos. Você injeta a vacina.

– Certo. Já estou indo.

Kara correu na direção do elevador e ele estava parado no andar com a porta aberta. Bridget o enviara para o depósito, para que não perdessem tempo. Quando a engenheira-médica chegou ao andar e a porta abriu, passou a pistola para Bridget e a comandante entrou imediatamente no elevador, dando espaço para a namorada sair.

– Avise quando você injetar, Brid. – Recomendou.

Assim que saiu do elevador, Bridget correu para o depósito e quando chegou, viu a IA deitada com os olhos embaçados e começando a convulsionar.

– Rápido! Estamos perdendo.

Erarich falava desesperado, vendo através do tablet os sinais de Decrux desestabilizarem.

– Onde eu injeto isso?!

– Aqui! – O cientista apontou.

Bridget colocou a pistola e disparou, vendo o fluxo da ampola diminuir.

– Terminei de injetar. – Avisou.

– Condutores liberados.

– Sistema reestabelecido.

Passaram alguns segundos e o corpo de Decrux começava a acalmar. Poucos minutos depois Kara, Aloá e Helga chegavam ao depósito. A IA ainda estava paralisada e não havia aberto os olhos, mas Erarich via através do tablet que os sinais estavam controlados.

– O que está havendo? Por que ela não acorda?

– Eu já acordei. – Decrux falava com uma voz fraca. – Você é muito desesperada. A vacina tem que circular em todo o meu corpo… sistema.

Bridget riu, não acreditando que até naquela hora Decrux foi debochada.

– Depois que essa bunda sair daí de dentro, vou dar uma surra tão grande nesse teu traseiro que nunca mais vai esquecer.

Respondeu rindo. Decrux abriu os olhos, sorrindo de lado.

– Vai sonhando. Pode até tentar, mas acho difícil conseguir.

Todos se aproximaram. Kara estava exultante que tivessem conseguido e ria com as brincadeiras.

– Vejo que melhorou. Essa implicância de vocês é amor, sabia? – Kara implicou com as duas.

– Você que programou a vacina, Kara?

Decrux perguntou, levantando, se posicionando sentada no módulo.

– Eu e esses caras aqui. – Apontou para os cientistas – São cientistas do Instituto de Ciências de Ugor. Eles nos trouxeram protocolos para elaborar a vacina. Trabalhavam com Rodan.

– Obrigada.

– Como está se sentindo, Decrux?

Bridget perguntou, ajudando-a a sair da cápsula. Via que sua amiga estava pisando em falso. Alguns movimentos como se fossem espasmos nos braços, fizeram a comandante se alarmar. Aloá e Erarich apenas observavam.

– Ainda não sei bem. É uma sensação estranha. Não sei o que se passa comigo. Estou em contato com o sistema, mas nem todas as conexões foram reestabelecidas. É como se me sentisse… me sentisse desorientada ou tonta. Talvez seja essa a palavra, embora não acreditasse que pudesse sentir algo parecido com isso. Vou desaglutinar.

– Espera, Decrux. – Aloá chamou a atenção de todos. – Talvez não devesse fazer isso agora. Se todas as conexões não foram reestabelecidas, significa que a vacina ainda não agiu em todos os attochips infectados.

– Tem razão. – Respondeu a IA. – E isso significa que posso ter problemas na hora de desaglutinar e também que não estou pensando direito… fazendo as conexões corretamente.

– Calma. Ainda não houve tempo. O seu corpo se recupera mais rápido, porque é menor e você tem um sistema circulatório bombeando a vacina por todo o corpo. A rede de condutores da nave é maior e, embora haja um fluxo constante, não deve ter circulado, ainda, por todo sistema dela.

– Vem deitar. Fica no meu quarto. – Falou Bridget, amparando-a com cuidado.

– Olha que vou me acostumar. – Decrux falou, rindo.

– Não abusa.

Retrucou Bridget, rindo também, e feliz por tê-la ali. Todos sorriam diante das brincadeiras e da espontaneidade com que Decrux interagia.

– Bom, vou arrumar a bagunça que ficou no centro médico. Mais tarde passo para te ver, Decrux. Dessa vez, você é minha paciente. – Sorriu para ela.

– Eu sempre fui sua paciente, desde que você chegou na nave, Kara. Você só não sabia disso. – Devolveu o sorriso, dando um beijo no rosto da engenheira-médica. – Obrigada.

Decrux sussurrou o agradecimento próximo ao ouvido e, quando se afastou, piscou um olho, levando Kara a sorrir de lado, balançando a cabeça. “Ela não é mais um androide e nem se deu conta disso ainda”. Kara pensou.

– Deuses! Rodan realmente conseguiu. – Falou Aloá, assim que entraram no centro médico.

– O quê? Criar uma nova forma de vida?

– Sim. Você a escaneou. Ela tem sistema digestivo, sistema nervoso, circulatório, embora a substancia seja um pouco diferente do nosso sangue, mas é o sangue dela. Cheio de células e nutrientes… Ela tem tudo!

– Por isso ela come? Bom, Bridget falou que era porque ela tinha papilas gustativas e gostava de comer.

– Talvez nem Bridget saiba, mas ela precisa comer, embora não na mesma proporção que nós. Ela tem tecido e precisa nutri-lo. O bom é que ela não tem célula adiposa e não engorda. – Aloá gargalhou. – Elimina tudo e ainda controla essa eliminação de excremento.

– Eu só não entendi ainda, como ela consegue desaglutinar, como se pulverizasse, e depois, aglutinar com tudo no lugar e perfeitamente. Mesmo sabendo que os attochips controlam… eu não sei.

– Na verdade, não é muito complexo. E sei que me entenderá, apesar de nunca ter entrado em contato antes com este tipo de engenharia genética. Os attochips carregam a informação como um quebra-cabeça e quando ela desaglutina, as rotinas, que já são integradas à nave, permanecem intactas, levando a consciência dela junto e cada célula se integra a rede de condutores, as mantendo ativas. Cada célula é desassociada e controlada pelos attochips. – Explicou Aloá.

– O que me faz lembrar que ela pode nos escutar e rir da nossa cara. – Falou Helga, rindo feliz.

– Pelo que percebi, Helga, ela não faz isso. É uma forma de se preservar também. Imagina se ela escutasse a todos? Ela faz quando é algo pertinente à segurança da nave. – Pontuou Kara.

– É. Realmente, Rodan conseguiu fazer com que ela desenvolvesse sentidos. Ele só não contava com a parte dos sentimentos. Queria que ela fosse perceptiva, mas ela expressa sentimentos, também. – Falou maravilhada.

– Eu realmente vi tudo que há dentro dela, Aloá. Observei que tem um sistema nervoso incrível, muito parecido com o humano, mas a rede sináptica é maior. Como acha que não desenvolveria emoções se o sistema límbico dela é perfeito? Olha, estamos falando hoje de uma pessoa e não de um androide. Tenha certeza disso.

***

– Como você está? Olha, se não estiver melhorando, a gente tem que falar com Kara.

Bridget perguntou, ajudando Decrux a deitar em sua cama. Estava preocupada e queria que ela não escondesse nada.

– Eu, realmente, não sei Brid. Eu nunca senti isso. É novo para mim. Eu tenho minha memória e o banco de dados da nave é extenso. O que acesso, através da nave, fica gravado em meu cérebro, mas… mas eu sinto a nave, entende? Ela é conectada a mim e ainda tem coisas fora do lugar.

– Tá bom, mas acha que não tá dando certo?

– Está sim. A cada reestabelecimento de conexões, eu assimilo e vejo que foi bem-sucedida. Diminui a sensação de… ah, não sei. Sensação de desorientação. Talvez seja essa palavra que defina o que estou passando. Apenas estranho essa coisa de ainda ter “buracos”. Acredito que se eu dormir um pouco… Talvez quando acorde, já esteja tudo no lugar.

– Dormir? Você pode dormir?

– Quando estou aglutinada, sim. – Sorriu. – Aliás, não posso ficar muito tempo aglutinada se não puder reestabelecer minha parte orgânica.

– Você já dormiu antes?

– Já dormi muitas vezes aqui na nave, Brid. Sempre me aglutino num alojamento que não tem ninguém e durmo.

– Por que você nunca me disse isso?

– Que eu durmo? Não acreditava ter importância. Na verdade, presumia que você soubesse. Que Rodan tivesse contado a você. Brid, por que Rodan não veio?

Bridget enrijeceu. Sabia que Decrux fazia contatos constantes com Rodan. Conversavam por muito tempo e ela, muitas vezes, demonstrou apreço pelo seu criador. Depois que Kara lhe falou que a amiga conseguia sentir, pensou se a notícia a afetaria de alguma forma.

– Descansa. Depois a gente fala sobre Rodan.

– O que aconteceu com Rodan, Brid? Está pipocando para me contar e não pense que não entendi que a tal cientista falou dele como se ele não existisse mais.

A comandante gelou, pois não pretendia contar sobre o que acontecera, antes de Decrux melhorar, principalmente por agora ter a consciência completa de que a IA vivenciava sentimentos reais.

– Eu não tenho como contar de outra forma, Decrux. Ele realmente não existe mais.

Decrux fechou os olhos. Sua expressão era pesada e dolorida.

– O que aconteceu?

– Ele foi assassinado há uma semana.

– Piratas… – Constatou. – Por isso tinham minhas rotinas para programarem um vírus.

– Não se preocupe com isso agora. Durma. Sabe que estou certa dessa vez. Quando acordar, terá melhorado e nos ajudará nessa bagunça que enfiei vocês.

– Pare de se culpar, Brid. Não tinha como saber que Phil queria te sacanear.

– Você me avisou.

– E você seguiu a ética social, que eu ainda não assimilo bem, porque estou aprendendo. Isso faz parte de um jogo no qual eu sou uma criança. Lembre-se disso. Eles foram os vilões; não você.

– Mas quase te perdi por isso. – Bridget falou sentida. – E não pense que estou falando da nave.

Decrux sorriu e estendeu a mão para acariciar as mãos de Bridget.

– E eu agradeço que me estime tanto, mas pense que, se não tivesse aceitado o trabalho, o pobre coitado que aceitasse estaria morto. Não teria os recursos que nós temos para escapar e, também, Helga não seria liberta.

Bridget permaneceu calada, fitando Decrux com carinho. Uma onda de alívio a acometeu, imaginando que ainda teriam muita dor de cabeça, mas com a amiga bem, tinha esperança de conseguir se livrar. Acariciou a mão dela de volta e contemplou a pele suave de sua face e olhos repuxados. As duas sorriram, em cumplicidade.

– Agora eu vou dormir. Não preciso de muito tempo para me recuperar. Talvez umas duas horas.


Nota: Perdoem a demora na postagem, tive uns imprevistos ontem. Em breve respondo os comentários de vocês. Obrigada e beijos a tod@s!



Notas:



O que achou deste história?

15 Respostas para Capítulo 24 – A Vacina

  1. Oi Carol

    Espero que esteja bem.

    Demorou mais finalmente consegui ler o capítulo! ;P Vai Decrux!!! Quanta falta fez essa IA. E tô com a Bibiana Decrux e Helga juntas! Do que será que ela gosta hein?!

    Abrs o/

  2. Viva, a Decrux voltou!!!
    Já estava ficando preocupada se iam conseguir fazer a IA voltar.
    Achei que o capítulo ia começar onde parou a noite da Brid e da Lara, pós-jantar…
    Parabéns e obrigada!

    • Oi, Naty!
      rsrsrs Ela voltou e com tudo! rsrsrs
      Bom, achei de deixar o jantar entre elas desta vez, para a imaginação de vocês. rs Na verdade, o lance da descoberta de Brid em relação aos inibidores de Kara, que foi o motor para eu omitir este jantar. rs
      Obrigada, Naty!
      Um beijo grande pra ti!

  3. Oie Carol!!!!

    Tudo bem? Espero que o imprevisto nao tenha sido por um fator grave e que tenha sido solucionado!

    Finalmente Decrux voltou, sentia falta das conversas e humor dela!! Brid é só alegria e tb preocupaçao rsrs

    Kara é a mulher!!!!! Fodástica!!!!!!

    Descobrindo mais mistérios de Decrux…tem sentimentos sim e muitos!! E o que define ser humano e Androide, acho que isso, ter emocoes pensar por si mesmo, ter consciência.. ela tem umas programaçoes, mas nao é mt diferente, de certa forma, tb fomos programados,de forma distinta…me corrija se estiver errada ou complemente, fique à vontade!!

    Ótimo capítulo como sempre,

    Beijo grande no seu coraçao!

    • Oi, Lailicha!
      O imprevisto ainda está em andamento, mas vou solucionar. rs Tenho fé. Obrigada, Lai!
      A Decrux é figura e fazia falta mesmo! rs Tinha que voltar! rs
      Kara é uma mão na roda e é inteligente, mas tava meio apagada durante aqueles anos depois que Freya foi destruído. Agora ela tá voltando. rs
      Sim, sim. Decrux é um ser vivo e embora tenha esses chips, tem consciência, tem sentimentos e isso é tudo para um ser humano.
      Obrigada, Lailicha e um beijo no coração tmb!

  4. Bivard você é muito malvada . Curiosa pra saber o que rolou com a Brid e a orelhinha na noite passada ??.
    Obaaaaa Decrux voltou hahaha e fazendo suas gracinhas. Bom agora a luta recomeça, ansiosa pra o.que vai rolar.
    Parabens Bivard muito foda essa capitulo .
    Um xero grande ?

    • Eu não sou malvada, não! rsrs Só fiz um suspense! rsrs Você já deve ter lido no outro capítulo o que tá rolando. rsrs
      Decrux de volta é outra coisa, né? rsrsrs
      Valeu, Flavinha!
      Beijo grande e xêro pra vc! rsrs

  5. Que maravilha!!! Decrux de volta! E com o mesmo senso de humor, e parece que mais sentimental, demonstrando carinho. É ótimo te-la novamente.
    Imagino que agora será mais fácil para nossas meninas descobrirem se esses ugorianos estão com segundas intenções.
    Mas autora, então… Tem certeza que não pulou uma parte da história??!!
    É que no capitulo anterior você terminou com um jantar romântico, e tao e coisa, e coisa e tao… Kkkk

    Beijo!

    • Oi, Fabi! A Decrux tava fazendo falta, né? rsrs
      Agora o time tá completo e elas colocarão as coisas em andamento!
      kkkkk Tenho certeza que não pulei nada, mas acho que você já viu no outro capítulo o que rolou com a Brid e a Kara. rsrs No jantar romantico deixei só entre elas desta vez. kkkkk Pra dar mais um suspense. Agora que as coisas vão se esclarecer, não é? rs
      Obrigadão, Fabi e um beijão!!

  6. Ahhh… Já estava com saudade da Decrux! Adoro a relação dela com a Bridget! E sabe que eu shipo Decrux e Helga, né?
    Como sempre, maravilhoso!
    Beijos
    Saudade!

    • Oi, Bibi!
      Desculpa aí o atraso na resposta. Tô com uns probleminhas pessoais para resolver e tô respondendo aos poucos.
      Eu sei que shippa Decrux e Helga. Veremos se sua torcida dará caldo. Vamos rer… rsrs
      Saudades também, menina! Esperando o livro, einh!
      Beijão pra ti!

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