Ao descer no aeroporto de Guarulhos estava estafada, precisava descansar, dormir um pouco, mas o medo de que algo tinha acontecido com a avó a empurrou a prosseguir. Foi primeiro para a casa de sua mãe que era mais perto. Tinha a chave e entrou.
– Mãe!
– Ayra, minha filha! Chegou rápido! Como você está?
– Quase morta de cansaço, mas como está a vovó? O que aconteceu?
– Ela está bem!
– Então por que pediu para eu voltar por causa dela e não me atendeu mais, ou deu alguma explicação!?
– É algo importante sim, e é por causa dela, mas nada a ver com doença ou coisa parecida. Vá descansar e quando estiver bem, nós iremos ao encontro dela. Ela disse que chegou a hora, não sei do que. De repente ela resolveu nos informar sobre meu pai, não sei. Está com fome?
Sim, estava, mas queria mesmo dormir um pouco, depois comeria. Era 17h30min., tomou um banho prolongado e deitou-se, dormiu de imediato, sendo acordada por sua mãe.
– Ayra, você está bem? Precisa comer um pouco, venha tomar café, depois se ainda estiver com sono durma mais um pouco antes da gente ir.
– Café? Não seria jantar?
A mãe sorriu.
– Já está tudo no carro pra gente passar uns dias com tua avó no sítio dela, mas marquei de almoçarmos com ela. Se não quiser posso ligar e desmarcar, vamos mais tarde. Você dormiu direto, agora já passa das nove da manhã.
– Nossa! Vou tomar café e um banho rápido e poderemos ir.
Foi o que fez.
Gostava muito daquele sitio, parecia ter algo de místico ali. Fazia tempo que não visitava a avó, os estudos a fizeram focar por longo período, percebeu que estava com saudade enorme.
– Oi, minhas meninas! Que saudade de vocês!
Abraçou Ayra primeiro, depois a filha.
– Quero saber das novidades da vida de vocês enquanto descansam, depois almoçamos e teremos uma conversa séria. Não, não vai adiantar perguntar nada agora, Iara. Conversaremos sério depois do almoço. Vamos lá, vão contando as fofocas.
Riram. A conversa veio fácil, principalmente da parte de Ayra contando sobre a expedição ao sítio Inkenaré-ité. Quando acabaram de almoçar, Ayra se lembrou do recado para a avó. Enquanto a ajudante providenciava a limpeza da cozinha, foram para a sala a fim de ter a conversa séria.
– Vovó, antes que eu me esqueça de novo, alguém mandou lembranças e disse que se decidir ir ela estará à espera.
A avó sorriu largamente.
– E como ela está?
– Você sabe de quem estou falando?
– De quem estão falando? – Iara perguntou.
– Ela continua deslumbrante?
– Foi exatamente esse o termo que a professora Gabriela usou quando a viu!
– A professora a viu?
– Viu sim. Ela disse que Gabriela contaria a História daquele lugar, daquele povo.
– Entendi.
– De quem e do que estão falando?
Talia segurou a ponta da corrente que tinha no pescoço, de onde pendia um pingente com o símbolo que Ayra conhecia, mas não se lembrava.
– Da sua outra mãe, filha. Você não teve pai, por isso até hoje não te disse quem era. Você foi gerada com muito amor, mas também com manipulação genética feita por Anahi, você é filha de duas mulheres.
– Quem é essa Anahi? Que manipulação genética?
– De onde você a conhece, vovó? O que significa esse símbolo? Eu o vi lá no sítio arqueológico.
– Calma, meninas! Eu vou contar tudo. O símbolo significa amor, Ayra. Quando estive na Grécia para visitar alguns monumentos aos 23 anos, foi meu presente de aniversário, dado por minha mãe e, andando em Atenas à procura de um lugar para jantar, vi uma mulher deslumbrante. Parei na calçada olhando para ela. Claro que ela percebeu, acho que todos que estavam lá perceberam. Sorriu pra mim e quase desmaiei, que coisa mais linda.
– Mãe!! É sério isso!?
– Muito sério! Ela chegou perto e me convidou para jantar. Ela falava o idioma local, conhecia tudo do país. Passamos dias maravilhosos juntas, me vi completamente apaixonada. Voltei para casa, vida normal e ela sempre vinha ao meu encontro. Disse que me amava e eu acreditei, só descobriu quem eu era depois de nos beijarmos pela primeira vez. Então, minha mãe me contou uma História quando fiz 25 anos. Era para ter me contado antes, mas ela não sabia como eu reagiria, por isso demorou. Eu era a ultima filha de um ser místico de uma tribo do Amazonas, por isso demorava bem mais que os outros para envelhecer, nunca fiquei doente, assim como vocês.
– Vó, quantos anos você tem?
– Tinha 28 quando tua mãe nasceu, ela tem 52 agora.
– Você tem 80 anos? Tá de brincadeira!
– Aos 25, eu vim para o Brasil, depois que minha mãe contou sobre nossa ascendência. Queria estar por aqui. Quando disse à Anahi que gostaria de ter um filho com ela, a mágica aconteceu. Foi quando ela me explicou que era a irmã de meu ancestral, mas por me amar, faria o que eu desejava. Manipulou, não sei de que forma, o DNA, o óvulo dela, eu não sei, mas aconteceu d’eu engravidar e ficamos mais do que felizes quando você nasceu.
– Meu Deus! Nem me lembrava que você tem 80 com esse ar de 20! Gente! Por que eu não soube dessa história toda antes, mãe?
Estava nervosa, incrédula, nem sabia como se sentia.
– Calma, filha, o importante é que você foi e é muito amada! Como os descendentes sentiam falta dos seus iguais, com o tempo foram se reencontrando, se casando, poucos permaneceram fora do círculo e se envolveram com os humanos normais. Mesmo entre esses, se algum sentir o “chamado”, será bem-vindo, assim como os como nós que não quiserem ir, podem ficar. Há uns 300 anos acabamos criando uma espécie de comunidade em uma pequena vila na Europa que chamamos de Ilha. Viajam pelo mundo, mas voltam sempre para lá, passado um tempo reaparecem onde moravam, como se fossem filhos, ou netos delas mesmas.
– Vovó, você sabia da profecia?
– Não. Ela também nem se lembrava, era de antes de Cristo! Ela nunca teve alguém antes de mim, vivia vigiando os descendentes do povo dela, com exceção dos do irmão porque não os sentia, não sabia que era eu a última. Quando você tinha 5 anos ela se lembrou e me contou. Daí tudo já estava feito.
– Por que ela não pode abrir o portal?
– Só pra ela pode, mas para todos que quiserem ir, precisa de tua ajuda. Tem o DNA, a memória dos dois. Caso fosse para muitas pessoas, passaria anos fazendo isso, é desgastante porque precisa da energia pessoal, além dos códigos. Já se unir com a pessoa da profecia, será rápido e fácil, porque está tudo programado para tal.
– Tem mais coisa ainda? De que profecia estão falando? Que portal? – gritou.
– Calma, minha filha! Vou responder a todas as perguntas. Você se lembra de uma linda mulher que nos visitava às vezes? Ficava alguns dias, vinha várias vezes no ano, dormia no meu quarto.
– Anahi! Sabia que já tinha ouvido esse nome!
– Ela também é tua mãe e avó de Ayra. Se acalma e senta que vou te falar tudinho.
Quando a noite chegou, Ayra e Iara conheciam a História completa.
No dia seguinte, logo cedo, o telefone do sítio tocou. A ajudante/caseira atendeu e disse que queriam falar com dona Talia.
– Pois não!
Ouviu por uns dois minutos.
– Claro! Em uma semana.
– O que foi agora, mãe?
– Está chegando a hora.
– A hora que fala a profecia?
– Sim. Há uma convergência de cerca de 280 pessoas no Brasil. Quando todos estiverem chegados, irão para a floresta e para o local que Ayra já conhece.
– Então meu avô também era um descendente?
– Sim, filha, ele era. Quando sua avó se casou, ele já estava perto dos 350 anos, viveram juntos por algumas décadas e, quando eu tinha quatro anos, partiu. Minha mãe vai nos encontrar em Inkenaré-itá.
– Se ele sabia de tudo, por que não me disse nada? Não me deu um abraço? Desde que a vi senti algo estranho e queria um abraço dela. Fiquei até com medo de me apaixonar por… uma deusa!
– Agora que você sabe de tudo, ela irá te abraçar, então entenderá o porquê d’ela não ter te abraçado antes.
– Mãe, por que tanto mistério? Por que não me contou antes?
– Por egoísmo! Tive medo que ficasse preocupada com a profecia e não se permitisse amar, ser feliz e ter filhos. Mas, pelo jeito, o que está escrito não há como impedir.
– Mesmo sabendo de tudo isso, estou apavorada com o que pode acontecer com minha filha!
– Ela não deixaria nada acontecer com Ayra!
– Você ainda a ama, não é, mãe?
– Sempre!
Entre momentos de silêncio prolongado, imersos em pensamentos, perguntas pacientemente respondidas sobre a vida de Tália, dúvidas sobre a viagem se iriam todas, o medo do desconhecido, o dia acabou e a noite chegou. Foram dormir quase ao amanhecer. Iara e Ayra se levantaram com o almoço já na mesa.
– Sério, mãe? Eu sou filha de duas mulheres, sem interferência masculina!?
– É sério que você passou a noite pensando nesse “mistério”? – Talia respondeu, rindo.
– Era tanta coisa para falar, descobrir, que só a hora que acordei caiu a frase que você disse sobre eu não ter pai! Como ela é?
– Você a viu várias vezes, brincou e riu com ela, não se lembra?
– Não estou falando do aspecto físico, quero saber da pessoa, da personalidade, se tem bom coração, esse tipo de coisa.
– Alguém que está por aqui há milênios, sempre ajudando de alguma forma as civilizações, se magoando toda vez que não conseguiu impedir barbárie, violência, guerras e, disposta a esperar “seus filhos”, como ela se refere a todos os descendentes, permanecendo sozinha guardando a porta para casa. O que você acha de seu coração?
– Ela é tudo isso, mãe?
– Além de ser o amor da minha vida, sim.
– Acho que eu também quero abraça-la!
– Meninas, se não se importam, vou deixar o sitio para quem cuida bem dele. Vou partir com ela. Não sei se vão querer ir junto, mas vocês não precisam mais de mim.
– Vó, o que acha que quer dizer “quando não suportarem a saudade de casa e quiserem partir”? Não conhecemos lá, nossa casa sempre foi aqui.
– A humanidade está cada vez mais destrutiva e o Planeta em completa transformação. Sentimos isso mais que as outras pessoas. Estamos cansados, às vezes aparentemente sem motivo, uma saudade sem saber do que, um vazio a ser preenchido. Os que quiserem permanecer, tudo bem, mas a maioria quer ir embora.
– Sendo eu uma das partes a abrir o portal, posso escolher ir ou ficar?
– Todos podem, querida. Só que depois que o último passar, ela o fechará para sempre. Não precisa decidir agora, em dois dias partimos para a viagem inicial.
– Dois dias!? O tempo vai ser muito curto para chegarmos lá e se fazer os preparativos!
A senhora Talia sorriu. Chamou a funcionária e avisou que estavam, ela e o marido, dispensados pelos próximos dois dias. Em outras visitas de Anahi, acontecia o mesmo, então a senhora já imaginava que aquela visita iria chegar.
– Esperem, vou avisa-la que estamos prontas.
– Avisar quem? – Indagou Iara.
– Você já vai ver, minha filha, calma!
Sentou-se calmamente, uniu as mãos à frente do peito e se concentrou por dois minutos. Sorriu, soltou as mãos e se levantou. Houve um intenso e rápido brilho e Sumé-Aiyra chegou. Talia foi a primeira a se aproximar, tocaram suas testas, depois se beijaram. A energia era pulsante, forte.
– Como estão nossas crianças?
– Estão ótimas.
Separaram-se e dona Talia apontou sua filha e sua neta. Anahi sorriu e falou gentilmente.
– Iara, lembra-se de mim?
– Depois de conversar com mamãe me lembrei.
– Está brava conosco?
– Acho que não! É que não sei como reagir a você.
– Posso te abraçar?
Iara se aproximou com certo receio. Anahi tocou sua testa como fizera com Talia e todo receio desapareceu. Iara se sentiu calma, amada, abraçou-a e fechou os olhos de onde nasceram cálidas lágrimas de contentamento. Ao se separarem a anergia estava mais forte ainda.
– É assim abraço de mães? Parece que tem uma energia enorme na casa.
– Tem mesmo, não é convidativa?
– Será que “pessoas normais” sentem?
– Podem ter enjoos, ou até desmaiarem se chegarem muito perto. Com vocês não preciso prender nada, mas quando tiram as suas barreiras ao receberem meu amor, a energia fica mais potente, porque não é só minha.
Anahi se voltou para Ayra e abriu os braços. Ela veio e o que sentiu foi inigualável e elas eram Luz. Ayra teve um vislumbre de um mundo de paz, ela realmente viu o planeta e sabia que eram esperadas.
– Por isso não me abraçou quando me encontrou?
– Você não sabia quem é, as pessoas não podiam ver tanta claridade nem sentir a energia fluindo. Seria difícil explicar.
– Contou mais alguma coisa para Gabriela?
– Sim, contei. Também a induzi a sonhar com a História, tal qual aconteceu. Ela é muito detalhista e tem tudo para contar a História daquele sítio.
– Esse amor que estou sentindo, você está induzindo?
– Não! – sorria – É apenas reflexo do meu sentimento por vocês.
– Ama a gente tanto assim? Chega a doer!
– Desculpe! Vou controlar isso.
– Não! A gente se acostuma, é gostoso! Quer dizer que se você não segurar pode afetar os humanos?
– Pode sim, é um dos motivos que tento não permanecer muito tempo próxima.
– Então você sente a energia dos descendentes também, por isso sempre sabe quem são?
– Só os dos descendentes do meu irmão estava bloqueada para mim, os demais, bastava eu chegar a três metros de distância que mesmo não os conhecendo, já os identificava.
– Por que o de minha mãe foi bloqueada?
– Não sei bem, mas acredito que foi para que não houvesse interferência minha ou dela, deveria acontecer naturalmente.
– Quando descobriu quem era ela?
– Quando nos beijamos pela primeira vez. Foi maravilhoso e nem me recordei da profecia, de portal, coisa muito antiga para eu me lembrar naquele momento.
Aqueles eram dias de reencontros. Talia assinou o documento de transferência de suas terras para o casal de caseiros e foi leva-lo para registrar no cartório da cidade. Iara e Ayra ficaram com Anahi, perguntando de tudo que ela vira em sua “estadia” na Terra. Iara fez o almoço, mas todas ficaram na cozinha bombardeando Anahi de perguntas, as quais respondia com calma e sorrindo.
Talia voltou, almoçaram.
– Vou dar uma volta com Anahi enquanto vocês descansam.
– Por que não podemos ir junto?
– Aqui tem paredes segurando um pouco a energia, lá fora as plantas vão ficar mais fortes, se vocês estiverem conosco podem mata-las.
– Tá bom, a gente espera vocês aqui então.
– Mãe, o que você tem de tão importante pra conversar com ela que não pode ser aqui dentro?
– Coisas pessoais, mocinha! Um lugar especial que ela gosta muito.
No fundo das terras de Talia, havia um córrego de águas límpidas, que desaguava em um rio bem maior. De uma elevação na margem do córrego, à sombra de uma frondosa arvore, era só sentar no chão para ter a visão ampla do local. Chegaram ao ocaso, com o sol refletindo seus últimos raios nas águas correntes do grande rio. O vento suave, a barulheira dos pássaros voltado aos seus ninhos, um abraço mais junto, beijo demorado e o calor fez corpos se desnudarem e, ali a energia é indescritível, sem, no entanto, afetar os animais.
Uma hora depois Anahi sorri, se veste e dá as roupas de Talia para ela.
– Estão vindo?
Anahi apenas balança a cabeça afirmativamente.
– Então esse era o assunto pessoal de vocês? Duas velhinhas assanhadas! Pensaram que fazendo aqui a gente não sentiria? – Iara falou.
– Mãe!
Iara caiu na gargalhada.
– Poderiam ter ficado em casa mesmo, afinal foi só seguir a trilha de vocês e aqui estamos. Nossa, que paisagem linda tem aqui!
– Talvez eu não tenha mais muito tempo, logo farei parte da poeira cósmica.
– Como assim? – Talia indagou. – Do que você está falando?
– Cumprida a profecia meu tempo começará a correr mais rápido que até agora. Ainda tenho um tempinho para conviver com minha família, finalmente, mas devo confessar que estou cansada, não vou reclamar de só curtir a companhia, respirar sem preocupação com outra guerra, inocentes morrendo por pura ganancia de alguns. Estou, realmente velha, minha filha!
– Vai nos deixar quando chegarmos em casa?
– Não! Viverei não sei por quanto tempo mais, só acho que não vou completar outra centena de anos terrestre.
– Bom, vamos curtir mais 99 então. – Iara brincou.
Anahi riu, acompanhando Iara, mas as outras duas ficaram sérias.
– Meninas, só quis prevenir vocês que não estarei presente para sempre em suas vidas, por favor, desmanchem esse ar de velório! Ainda temos tempo suficiente.
– Mãe dois! – Iara falou. – Depois do abraço e do que senti enquanto vocês, assanhadas, liberavam o amor “carnal”, lembrei da sensação quando pequena e você me abraçava. Também quando estava triste, ou preocupada com algo na adolescência e mesmo já quando adulta, sonhava com a mesma sensação e me sentia protegida.
– Que bom que recordou! Depois que você costumava ficar mais longe de Talia, eu a vigiava e sempre tentei te proteger.
– Também me lembro que você se distraia brincando comigo e eu via a forma que aparecia em sonho e, era energia, não era sólido! Por isso há tanta intensidade, não é? É algo que entra pelos poros, invade até à medula, toca o cérebro e o coração!
– Essa é a forma que quando me condenso aparece, se fosse humana eu seria assim. Quando viemos para cá, há muito já não tínhamos forma física. Quando completamos nossos propósitos, nos permeamos com a energia do Cosmo, não morremos, apenas transcendemos e voltamos à Energia Primordial.
– Com a vovó, basta pensar e chamar você. – Ayra reflete. – Com minha mãe, ela acabou de descrever como sempre esteve com ela e a protegeu, mas comigo nada disso aconteceu. Não tenho a mesma importância para você?
– Vire-se, fique de costas para nós. – Anahi ordenou, sorrindo.
Ayra obedeceu, sentindo-se magoada, preterida, já que em tão pouco tempo passara a adorar aquela “deusa”. Anahi se aproximou, tocou seu ombro e nuca e transmitiu direto para o cérebro de Ayra.
– Você é forte, você consegue, use sua inteligência, estou com você.
Ayra se virou abismada e a abraçou fortemente.
– Era você, sempre foi você comigo!
– Iara aceita as coisas como acontecem, ela não fica questionando tudo, por saber quem era sua mãe. Já você, tudo é questionado, tem uma mente curiosa e, como não haviam te contado nada sobre mim, preferia ficar nas sombras.
– Eu estou com fome e acho que depois de passarem horas mandando ver, devem estar também. – Iara falou. – Mãe, será que você pode “segurar” a energia mais um pouco, só pra gente ir jantar lá no restaurante da Cleide? Parece que faz séculos que não como lá e sempre adorei tudo que servem.
– Tudo bem, mas não me toquem enquanto estivermos perto dos humanos comuns.
– Ótimo!
Iara enganchou no braço de Anahi para fazerem o caminho de volta para a casa a fim de pegarem o carro e irem para a cidade.
– Sentindo essas ondas energéticas, vendo seu sorriso, vou me lembrando cada vez mais de você brincando comigo e que era algo que eu adorava.
– Isso me faz muito feliz, minha filha!
Beijou sua testa. Ayra segurou o outro braço de Anahi e Talia resolveu ir na frente para tomar banho antes de todas, tirar o carro da garagem e ficar importunando-as por demorarem, adorava fazer isso.
Havia apenas felicidade naquele restaurante, naquela noite. Nunca a refeição fora tão saborosa, não só para elas, mas para todos os frequentadores.
– Amor! – Talia exclama.
– Oi! – Sumê-Aiyra responde.
– Que foi? – Taila pergunta. – O que vocês duas estão olhando com essa cara?
– Nunca antes ouvimos você chamando alguém de amor!
– Pois se acostumem! Essas crianças, vou te contar! – Taila replicou, rindo.
– Quer ir agora? – Sume-Aiyra pergunta.
– Eu gostaria muito.
– Do que vocês estão falando? – Ayra indaga, sem entender.
– Sua mãe quer visitar alguém.
– Nós conhecemos?
– Meu pai tem uma casa aqui perto, ele construiu quase que um Santuário lá, antes de partir para a Ilha. – Taila responde. – Deixou aos cuidados de um casal com quem convivi na infância, quero me despedir deles porque não voltarei mais. Eles conhecem Anahi.
– Não acha que não é hora de visitar alguém sem aviso? – Indaga Iara.
– Será rápido, acho que ela não vai se importar. Ficam esperando aqui, ou vão conosco?
– Nós vamos, quero conhecer essa pessoa que você gosta.
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