A Advogada e a Policial - A Ruína do Meu Álibi

Capítulo 3: A Rotina Inevitável

A tentativa de Dani de cortar Letícia pela raiz havia funcionado. No entanto, o alívio que sentiu durou pouco, substituído por uma estranha pontada de arrependimento toda vez que se lembrava do olhar de Letícia ao sair de seu escritório.

Para equilibrar sua rotina estressante, Dani havia estabelecido um novo ritual matinal: um café com pão de queijo na Cafeteria Central, a única da cidade que abria antes das oito.

Três dias depois da visita de Letícia ao seu escritório, Dani estava sentada em sua mesa favorita, revisando um contrato, quando sentiu um leve esbarrão na cadeira.

“Com licença,” disse uma voz que a fez levantar o olhar de imediato. Era Letícia, de folga, vestindo um moletom cinza e com os cabelos soltos, lendo o menu fixado na parede.

Dani se preparou para o formalismo. “Capitã Letícia, bom dia.”

Letícia olhou para ela, deu um sorriso discreto e acenou com a cabeça. “Bom dia, Dani. Café preto e sem açúcar,” ela pediu ao barista, tratando Dani com a naturalidade de quem encontra um vizinho.

A policial pegou o pedido e sentou-se sozinha em uma mesa perto da janela. Ela não a convidou para sentar, não fez contato visual prolongado e sequer mencionou o encontro forçado no escritório. Ela a tratava como… uma pessoa normal da cidade, uma colega de café.

Dani ficou desarmada. Ela havia se preparado para a persistência, para o flerte ou para uma piada sobre a sua frieza, mas não para a indiferença educada. Isso a fez relaxar. Se Letícia estava agindo assim, talvez ela tivesse entendido o recado: nada vai acontecer.

O inesperado aconteceu na semana seguinte: Dani e Letícia se cruzaram no mesmo horário, na mesma cafeteria, por quatro manhãs seguidas.

Na quarta-feira, Dani deixou cair uma caneta e Letícia a pegou antes que atingisse o chão.

“Obrigada,” disse Dani, sentindo-se um pouco boba pela rigidez de antes.

“De nada. Ótimo dia,” Letícia respondeu, sem fazer disso um grande evento.

A naturalidade de Letícia a desarmava a cada novo encontro. Dani começou a se sentir à vontade com a presença da policial. O muro de defesa começou a ceder, tijolo por tijolo. Ela se dava conta de que Letícia não era uma ameaça; era apenas uma mulher reservada, concentrada em seu livro (geralmente sobre história ou sociologia) e em seu café.



Notas:



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