Dani estava prestes a ceder. A confissão sincera de Letícia sobre Raizel e o pedido de espaço anterior havia derrubado a última barreira de sua autoproteção. Mas, no segundo em que Letícia olhou para ela com aquela intensidade, o destino interveio.
A porta da cozinha se abriu e Lexia entrou, sonolenta.
“Dani, a Senhora Coruja está fazendo barulho no telhado de novo. Estou com medo,” a menina disse, esfregando os olhos e se encolhendo ao lado da irmã.
O momento íntimo se desfez. O instinto maternal de Dani assumiu o controle.
“Oh, querida. É só um som. A Coruja é nossa amiga, ela come os ratinhos,” Dani murmurou, abraçando a irmã e lançando um olhar de desculpas a Letícia.
Letícia captou a mensagem. Ela se levantou, voltando à postura profissional. “Eu vou terminar de lavar a louça, Dani. Vá com ela.”
Apesar da verdade revelada, Dani se afastou nos dias seguintes, focando no trabalho para abafar a confusão emocional. Ela não podia se dar ao luxo de se apaixonar por uma policial que a deixou plantada por meses por causa de uma ex maluca.
A Ordem da Fazenda e o Convite
Dani, com sua personalidade forte e responsável, não perdia tempo. Para liberar seu tempo para a burocracia da herança e o planejamento da fazenda, ela contratou mais funcionários, delegando a gestão de campo a Pedro, o filho do capataz, um jovem em quem confiava plenamente.
A fazenda estava crescendo. Além de mais gado, Dani comprou cavalos – uma criação de puro-sangue sugerida por Lexia – para diversificar o investimento.
Com o fluxo de trabalho organizado, Dani viu que algumas das antigas casas de funcionários estavam reformadas e prontas para uso. Letícia estava acampando no modesto alojamento, o que era um absurdo para quem estava cuidando da segurança de seu patrimônio.
Em uma tarde, Dani foi até o alojamento de Letícia, com a chave de uma das casinhas novas em mãos.
“Eu reformei algumas das casas. Você é minha segurança e, francamente, minha hóspede em serviço. Ficar aqui não é apropriado,” Dani disse, estendendo a chave. “Essa aqui tem dois quartos, cozinha, e fica mais perto da sede. É sua, até o caso ser resolvido.”
O gesto era prático, mas carregado de afeto. Era a maneira de Dani de dizer: você é importante para mim.
Letícia pegou a chave, os olhos brilhando. “Obrigada, Dani. Eu aceito. Mas saiba que isso não muda o foco da investigação.”
“Ótimo. É disso que eu preciso,” Dani respondeu, evitando o contato visual.
Chegam Luísa e o Drama
A vida na fazenda ganhou um novo elemento quando Luísa chegou. Ela havia terminado o namoro e precisava de um refúgio.
“Eu não aguento mais a cidade, Dani. Meu apartamento em São Brás me sufoca. Eu preciso de ar puro e da sua honestidade brutal,” Luísa declarou, abraçando a amiga e se instalando na casa de hóspedes principal.
Com Luísa, o humor e a conversa voltaram. Letícia, que agora morava na fazenda, estava constantemente por perto, discutindo o caso com Dani ou jogando bola com Lexia, mas a presença de Luísa servia como um amortecedor necessário para a tensão romântica.
Luísa, por sua vez, encontrou rapidamente um novo interesse: Pedro, o filho do capataz e novo gerente da criação de gado. Os dois começaram a sair, o que deu a Letícia e Dani menos tempo a sós e mais tempo em encontros casuais de grupo.
O Plano de Letícia
Enquanto Dani gerenciava a fazenda e Luísa flertava com Pedro, Letícia estava imersa no trabalho.
Ela estudava padrões de roubo, mapas de rota de fuga e a ineficiência da polícia local. Sua determinação era visível.
“Os roubos só ocorrem em noites de lua nova, quando a patrulha local está na outra extremidade do município,” Letícia explicou a Dani no escritório, espalhando mapas. “Eles estão usando um desvio que passa pelo seu riacho. Eu tenho um plano, Dani. Mas é de alto risco. Preciso de autorização para montar uma emboscada na sua propriedade.” Letícia não apenas estava perto; ela se tornou vital para a segurança e o futuro da fazenda. A admiração de Dani por Letícia só crescia, mas agora, sob a fachada de parceria de trabalho e amizade.

