Passaram despercebidas pelos desfiladeiros e aberturas nas rochas, que levavam às cavernas em que estavam as Bacantes e as suas vítimas. Sabiam que não poderiam parar, pois chamar a atenção não ajudaria em nada contra Bacco. Se conseguissem o que pretendiam, essas mulheres estariam salvas. Mais de duas marcas se passaram na caminhada e Gabrielle começava a se preocupar com o horário em que chegariam à cova de Bacco. Estavam no outono e o ocaso não tardaria a chegar, trazendo a escuridão da noite.
— Xena…
— Eu sei, mas não demoraremos muito mais a chegar.
— O que tem em mente?
Xena virou-se de repente.
— Gabrielle, você confia em mim?
— Xena, desde que retornou essa é a segunda ou terceira vez que você me pergunta isso. O que está havendo?
Xena a olhou, desconfortável.
— Bom. Primeiro, eu acho que é mais um sentimento de culpa meu. — O olhar de Xena se encontrava vago, meio perdido. — Depois, o que estou planejando é um pouco perigoso…
— Xena… — Gabrielle parecia exasperar-se. — Sua vida é perigosa, minha vida é perigosa. O que pode ser mais perigoso do que ir de encontro a um deus que quer nos matar, que tem mulheres seguidoras sedentas de sangue e que ainda podem se transformar em lobo sob a luz do dia, hein?
— Bom… De fato, eu quero que ele pense que estará me matando…
— O QUÊ?!
— Calma, Gabrielle! É o seguinte…
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Chegaram à cova uma marca antes do ocaso. Não havia soldados ou lobos na porta. Na realidade, Bacco não tinha soldados para lhe proteger, mas antes das bacantes, havia os seus seguidores e agora, eram as Bacantes que faziam a sua proteção. Era comum que tivessem à espreita na entrada da cova, fossem em forma de lobo durante o dia ou na forma humana durante a noite.
— Ares o alertou e ele quer deixar o caminho livre para nós. Ele quer que entremos e está preparando uma cilada.
— Isso não parece meio óbvio, Xena? Quero dizer, se eu vejo uma caverna sem segurança, sabendo que estamos em combate, é exatamente por aí que eu vou entrar, pois sei que ele vai achar que nós ficaríamos desconfiadas e iríamos procurar as outras entradas. Estas entradas vão estar cheias de vigias.
Xena sorriu.
— Sim, é exatamente isso que ele quer de nós. Que procuremos outras entradas, pois esta parece muito livre.
— Não acredito. Isso é uma pegadinha, só pode ser!
Xena sorriu novamente.
— Não importa, o que faremos, será do nosso jeito.
XGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGXGX
A noite já caía e Xena e Gabrielle não apareceram na cova.
— O que me diz, Ares? Suas amigas não vieram. Parece que elas não vão querer me enfrentar, afinal, como você falou!
— Você optou pela tática mais óbvia. É lógico que elas não entrariam. Eu conheço Xena há muitos anos para saber que isso não daria certo, mas você não quis me ouvir. — Ares falava, irritado.
— Cale-se! Nem mesmo você tomando o trono do Olimpo tem poder nos meus domínios! Acha que não a conheço? Ela me enfrentou duas vezes e teve a sorte de me mandar para o mundo paralelo.
— Então, não é mais necessária minha presença aqui. Se nós não nos entendemos agora, não nos entenderemos depois também, meu querido irmão.
Ares já iria sumir quando Bacco falou.
— Se você for, irei pleitear o trono de Zeus que você ocupa.
— Meu trono, caro “meio-irmão”. — Ares fez questão de frisar as últimas palavras. — Você não tem direito algum, pois vem depois de mim e Afrodite. Enfim, você não tem miolos suficientes na cabeça, não consegue nem enfrentar duas garotas mortais.
— HA HA HA! Ares isso soa como se estivesse com medo dessas duas garotas mortais. HA HA HA HA! — Bacco gargalhava grotescamente.
— Você não vai rir assim quando elas aparecerem!
— HA HA HA! Elas já estão aqui, Ares. Que deus é esse que não consegue pressentir mortais! HA HA HA! Agora quem não quer a sua ajuda sou eu. Não preciso de um deus fraco ao meu lado.
Quando Ares olhou para seu lado direito, viu Xena e Gabrielle sendo trazidas por duas Bacantes. Ares apenas sorriu para Xena e Gabrielle.
— Espero que você se divirta, meu irmãozinho. Estarei em meu trono no Olimpo.
Olhou para Xena e Gabrielle.
— Até mais. — Sumiu.
— Finalmente, Xena, nos encontramos novamente! Acha realmente que eu não saberia se você tivesse entrado por outro lugar qualquer, não vigiado por minhas meninas? Enquanto conversava com Ares, eu pressenti a presença de vocês e mandei minhas Bacantes atrás. Sabia que não entrariam por nenhum lugar óbvio, como Ares disse. Pelo menos agora sei de mais uma entrada para a minha própria cova. HA HA HA! Antes de terminarmos a nossa conversa de muito tempo atrás, me diga como encontrou essa passagem pelo fosso?
— Não costumo revelar os meus segredos a qualquer um, Bacco. — Xena falou entre dentes.
— HA HA HA! Xena, você me diverte. Quando você se transformar em uma de minhas meninas, não vai haver um só segredo que você poderá esconder de mim. Mas dessa vez serei mais cuidadoso, Xena. Você será a primeira a ser transformada, assim essa sua garota não poderá interferir e vice-versa. — Nesse momento a expressão de Bacco se tornou séria. — Espero esse momento há muito tempo, Xena. Você não sabe o quanto! Você me enviou para o mundo do nada, você destruiu todos os olimpianos e, talvez, a humanidade não se lembre mais deles. Muitos humanos nesse tempo em que estive fora, já esqueceram quem eu sou e não me cultuam mais. Mas agora, esse destino vai mudar. Ares é fraco e não merece o trono.
— Muito bem, Bacco, pare de blá blá blá e faça logo. Sua voz é uma tortura e toda essa conversa de “Xena, você fez isso, Xena, você fez aquilo”, me aborrece. Quem sabe se me tornar uma Bacante não aprecie mais a sua cara feia!
Bacco a olhou desconfiado. Sabia que Xena não dava ponto sem nó. “Ela quer que a transforme, ela quer me mandar novamente para o mundo paralelo com um osso de dríade, mas como ela conseguiu?”
— Revistem-na — Bacco ordenou para as suas bacantes. Xena começou a se debater, mas não conseguia se livrar. As bacantes acharam a adaga de Hélios com Xena e mostraram para Bacco.
— Ah, Xena! Você é realmente uma mortal impressionante. Queria acabar comigo de vez não, é? Queria me matar para nunca mais voltar. Como conseguiu a adaga de Hélios? — Dessa vez, Bacco a interpelou com as feições sérias.
Xena ainda se debatia e Gabrielle também. Gabrielle tentava se soltar desesperadamente, mas o aperto das mãos da bacante que a segurava era firme e não conseguia espaço para se livrar.
— Terá que me transformar para saber disso, Bacco. Como te disse, não revelo meus segredos para qualquer um. — Xena olhava para Bacco com ira.
O olhar de Bacco era irado também, mas em um instante, como se tivesse um insight, ele sorriu e disse:
— Não sou um idiota como pensa, Xena. Você não conseguirá mais me enganar com seus truques. Para mim, já chega! Você não será transformada, cometi esse erro antes por orgulho e me rendeu uns bons anos no esquecimento. Agora você irá ver sua namoradinha ser transformada em uma Bacante, enquanto mato você com minhas próprias mãos! — Bacco soltou um urro de ira e desprezo.
— Me deem a adaga e tragam-na aqui! — Berrou. — Você! — Apontou para a Bacante que segurava Gabrielle. — Transforme-a agora! — Gritou.
O tempo parecia não passar. Xena olhava para Gabrielle como se tudo passasse lentamente diante de seus olhos.. Escutava apenas as batidas de seu coração e o fluxo do sangue correndo por suas veias. Gabrielle se debatia mais forte, enquanto a Bacante mordia seu pescoço e sugava levemente seu sangue. Cerrou os olhos fortemente e, quando os abriu, eles já se encontravam com as íris amareladas e os orbes vermelhos. Um grito de desespero foi lançado no ar.
— Não! – Xena estava perdida e se debatendo inutilmente, tentando se livrar das mãos da Bacante que a segurava.
Bacco já havia pegado a adaga e caminhava em direção a Xena. Seu sorriso, quando viu o desespero nos olhos de Xena, não deixava dúvidas quanto a satisfação de vê-la sofrer.
— Agora é a sua vez, Xena. Dê adeus a sua namoradinha! — Lançou o punhal sobre o abdômen de Xena. Um brado de horror se ouviu no espaço e, de repente, uma luz intensa tomou o ambiente. Um gemido foi captado pelos ouvidos de Xena, que agora livre das mãos que a seguravam, pôde perscrutar o local para encontrar Gabrielle.
A barda estava caída aos pés de Xena com um corte na lateral baixa de seu abdômen. A adaga que Bacco portava havia resvalado na armadura da princesa guerreira e atingido Gabrielle, que estava ao seu lado.
Xena se abaixou para abraçá-la e deu um tapa na adaga que outrora esteve nas mãos de Bacco. Gabrielle segurava firmemente uma outra adaga com igual design em sua mão; a verdadeira adaga de Helios. Xena olhou em volta e todas as Bacantes haviam retornado ao estado original. Eram mulheres simples, raptadas de aldeias para o prazer do deus da devassidão.
O plano das duas guerreiras havia dado certo.
“Mas a que preço?” — Xena pensou.
— Gabrielle, por favor! Não me deixe! — Chorava abraçada ao corpo de Gabrielle.
— Xena… — A voz saía fraca e uma esperança surgia no coração da guerreira.
— Não fale nada. Precisará de forças para chegarmos a alguma aldeia para tratá-la. — As lágrimas corriam soltas pelo rosto da guerreira.
Uma mulher se adiantou e puxou Xena para trás.
— O que…
— Deixe-me ajudá-la. É o mínimo que posso fazer por vocês. Sou curandeira.
Xena pegou a adaga que estava na mão de Gabrielle e se afastou. Apesar de seus conhecimentos de cura, não tinha condições emocionais naquele momento e só observou. Pensava somente que outra vez não podia acontecer o que estava acontecendo.
A mulher pediu inúmeras coisas; ervas que foram pegas na floresta que cercava a cova, água da fonte que brotava próximo, entre outras coisas que as outras mulheres foram trazendo para auxiliá-la. Quando a mulher acabou, chamou Xena.
— Dei-lhe uma infusão para que dormisse e coloquei um emplasto de ervas para a cicatrização, mas ela perdeu muito sangue e deverá ficar descansando. Em hipótese nenhuma deverá ser removida. Poderá piorar. Agora você só tem que aguardar e toda vez que ela ficar febril terá que dar essa infusão e terá que trocar o emplasto a cada oito marcas, pois ele perde o seu poder curativo.
Xena apenas meneou a cabeça, incrédula que aquilo estivesse acontecendo.
— Acredito que aqui você não terá mais problemas, já que Bacco não voltará mais. Agradecemos muito pelo que fizeram. Eu vou acompanhar essas mulheres de volta as suas aldeias, se me permite.
— Claro! Obrigada por cuidar dela.
A mulher fez uma pequena reverência em agradecimento e foi conduzindo as outras mulheres para fora da cova em direção aos seus destinos.


ohhhh, capítulo novo!!
mas, que plano!! fiquei preocupada quando pegara a adaga. devia ter imaginado que estava c Gabbi!!!
tudo saiu bem!! Agora é ver como Gabi vai curar. Já disse que amo quando Xena chora ? Gosto de ver ela sofrer, mostra um pouco dos sentimentos dela por Gabi kkk
Oi, Lailicha!
Eu sei! Ela tem que demostrar um pouco os seus sentimento, né não? rsrs
Então, o próximo será nosso último cap e hoje entrará. Espero que goste. rs
Obrigadão, Lailicha, pelo carinho de sempre!
Um beijão pra você e sua esposa.
Opa!!!!
Atualização 🥰
Acho que me perdi o momento que Bacco foi eliminado kkk, vou lê novamente 🤭
Boa noite, Carol uma ótima semana pra vc e sua família
Oi, Blackrose!
Você releu? Bem, se não entendeu eu devo ter falhado na comunicação. Mas, acho que consegui resolver isso nesse próximo capítulo. Vai entrar ainda hoje.
Infelizmente está chegando ao fim.
Eu te agradeço pelo carinho de sempre a a sua presença aqui. Isso estimula a gente que escreve. Valeu!
Um beijão para você e te espero nesse próximo capítulo!