Nosso Estranho Amor

62. As coisas se arrumando…

O caminho percorrido até a casa dos meus pais foi de completo silêncio, a ruiva ia abraçando a filha no banco detrás. Não estava levando a Iara até minha casa querendo forçar uma aproximação e ficar de bem com a ruiva se é o que estão pensando, apenas o bem-estar da Kat me importava, só que resolvi seguir meu coração de mãe, minha intuição, e dizem que sentimento de mãe nunca erra.

Quando entro na casa acompanhada da Iara e de uma Ágatha visivelmente sem graça logo percebo a expressão nada feliz do meu pai e seu olhar fulminante na direção da promotora. A ruiva com certeza ficou ainda mais surpresa por ver Tainá naquela sala, a sua antiga melhor amiga. Tai só estava ali porque havia levado o sobrinho para visitar o meu anjinho. Cadu e Natalie deveriam estar em algum lugar daquela enorme casa com Kat.

–Giovanna, será que você não tem vergonha? Depois de tudo o que aconteceu e da promessa que fez à Pietra, trazer essa mulher na nossa casa é falta de consideração com a minha neta. –meu pai foi logo comentando enquanto fuzilava Ágatha com o olhar.

–Pai, entendo a sua revolta, mas estou tentando consertar algumas coisas, por favor, só me deixa tentar antes de julgar. –pedi suplicante. –Onde está a Kat?

–Essa mulher não vai ver a minha neta porque quem não vai deixar sou eu. –meu pai interferiu.

–Sr. Marcos, estou profundamente arrependida por tudo o que aconteceu, mas eu e minha filha queremos nos desculpar com a Kathleen. –Ágatha falou timidamente.

–Conheço a Ágatha, ela é chata, estressada, ciumenta e tem uns parafusos soltos, mas é uma boa pessoa. –Tainá comentou e tive que concordar. –A Kat está brincando com a dona Grazi, o Cadu e a Natalie na outra sala.

–Giovanna, essa mulher não vai ver a minha neta. Já estou com a minha opinião formada. –Marcos continuava irredutível.

–Vocês podem parar com esses gritos, tá dando pra escutar tudo lá do outro lado… –nessa hora minha mãe aparece acompanhada de Natalie e não esconde o eto por ver a ruiva ali. –Giovanna, o que essa mulher está fazendo na nossa casa?

–Mãe, vou dizer o que já disse pro papai. Ela e a Iara querem falar com a Kat, mas não se preocupem, elas só vão ver se a Kathleen quiser, não vou forçar nada.

–Iara, não acha que já fez a minha priminha sofrer muito? –Natalie ia falando. Aquela ali defendia a minha filha com unhas e dentes.

–Sim, por isso quero me desculpar. –a garotinha falou.

–Natalie, você é uma criança, deixa que nós como adultos resolvemos essa situação. Filha, o Cadu está tentando convencer a Kathleen a almoçar, ela ainda não comeu nada, não quero que essa visita surpresa possa piorar as coisas. Vou perguntar pra minha neta se ela quer vir até aqui. Aguardem só um momento. –minha mãe interviu.

Foram dez minutos e aquela sala ficou com um clima tenso. Meu pai mirava a ruiva com ódio no olhar, Ágatha e a filha estavam sentadas no canto do sofá com as mãos entrelaçadas, Natalie com muito custo ficou em silêncio, Tainá tentava apaziguar os ânimos e eu apenas pedia a Deus para que me desse forças diante dessa situação e que nada saísse errado. Por incrível que pareça, minha mãe voltou acompanhada de uma Kathleen quieta e séria, achava que minha filha não iria descer, Cadu veio ao lado.

–Oi Iara. –minha filha falou chegando perto da menina.

–Oi Kathleen. –a filha da ruiva disse.

Aquele momento era apenas delas, ninguém deveria interferir, mas as duas permaneceriam mudas se olhando. Alguém deveria tentar ajudar, tinha medo de falar algo e piorar as coisas. Qual não foi minha surpresa quando Ágatha tomou a atitude que faltou em mim e nas outras pessoas que estavam na sala.

–Kathleen, eu e a Iara queremos te pedir desculpas por todas as coisas que te dissemos. Fui muito injusta com você, e eu quero te agradecer por ter tentado tirar a minha filha da piscina. –Ágatha falou se aproximando da minha filha que recusou um pouco. Com certeza estava com medo da ruiva.

–Desculpa e não sai da escola. Prometo que não vou mais deixar a minha prima te falar aquelas coisas. –Iara disse indo para perto da Kat. Minha filha negou a aproximação da ruiva, mas abriu um sorriso diante do que Iara havia dito.

–Se eu ficar na escola, promete que vamos voltar a ser amigas e que vai no meu aniversário? –Kat indagava radiante, um lindo sorriso depois de tanto tempo.

–Sim, e eu quero que a gente possa brincar muito no recreio, e você seja a goleira do time de futebol. –ninguém ousava interromper esse momento. Era tão lindo de se ver.

–Iara, eu não sei jogar futebol, a gente vai perder. –Kat falou mais animada.

–Eu te ensino a jogar, mas você me ensina a desfilar. Pode ser? –tudo acontecia tão naturalmente que estávamos embevecidos. Notei o olhar de Ágatha sobre mim, mas tentava em vão não corresponder.

–Tá bom. Você também pode me desculpar por ter te tratado mal logo que comecei na escola e te chamado de chorona? –Kat pegou a todos de surpresa.

–Claro, mas quero que a gente não brigue mais.

Nessa hora foi inegável não se emocionar quando as duas crianças espontaneamente se abraçaram e não queriam mais se soltar, aquela cena tão comovente despertou choro em todo mundo, até mesmo no meu pai que fingia dizer que um cisco entrou no olho dele. Depois do abraço, Kathleen se dirigiu até a ruiva e teve mais uma atitude surpreendente.

–Promotora Médici, desculpa pelas mentiras que falei, não deveria ter feito isso. Não me importo que seja namorada da minha mãe, mas trate ela bem. –quase morro de vergonha diante da fala da Kathleen. Ela conseguiu arrancar risadas de todos, menos de mim e da ruiva que ficamos mortas de vergonha.

–Está tudo bem, Kathleen. Todos nós erramos, o mais importante é que tudo foi esclarecido. Só me chama de Ágatha, não precisa me chamar pela minha profissão. –a ruiva falou visivelmente sem graça.

–Então me chame de Kat, nada de Kathleen. –a loirinha falou nos arrancando mais risadas. –Mãe, eu ainda posso continuar na escola? Não quero mais sair.

–Claro que sim meu anjo. –falei sem esconder meu sorriso bobo.

Notando que Iara parecia um pouco tímida perto de mim e não estava tão a vontade, agora foi minha vez de me aproximar daquela linda garotinha.

–Iara, muito obrigada mesmo por ter falado a verdade. Você é muito linda, é uma criança de ouro. –disse sem esconder a minha emoção e abraçando fortemente a menina que apenas sorriu e envolveu os braços ao redor do meu pescoço.

–E você é a melhor mãe do mundo. Te amo mamãe! –Kathleen chegou pelo outro lado abraçando a mim e à Iara. Fiquei abraçada com as duas até que senti mais um abraço.

–Também a melhor madrinha. Eu também te amo dinda! –Natalie disse me abraçando pelas costas.

–E é a amiga mais linda da minha tia. –essa voz era de Cadu me abraçando também.

Quatro crianças lindas e especiais me abraçando… Não dava para ficar imune a tanto carinho, logo mais lágrimas jorraram pelo meu rosto, só que dessa vez eram lágrimas de felicidade, um verdadeiro sanduíche de Giovanna foi formado. O que mais me entusiasmou é que depois desse episódio Kathleen almoçou bastante, até comeu o brigadeiro que a Francisca fez, algo que antes ela não comia para não engordar. Ágatha e Iara acabaram almoçando com a gente. O triste foi depois do almoço porque a ruiva e a filha precisavam ir embora, mas Kathleen não queria de jeito nenhum, e a Iara parece que também não queria ir.

–Filha, amanhã você e a Iara vão se ver na escola. –tentava argumentar em vão.

–Ai mamãe, deixa ela brincar comigo só durante a tarde. –Kat insistia.

–É, eu quero ficar, a gente precisa conversar. –Iara também falava empolgada.

–Entendo que vocês duas estão felizes, mas Iara… Você está com o uniforme da escola, precisa tomar um banho, trocar de roupa. –Ágatha falava timidamente.

–Giovanna, Ágatha, acho que vocês não deveriam atrapalhar as meninas, as duas estão tão animadas. Ágatha, se você deixar, a Iara pode tomar um banho aqui e ficar com as roupas da Kat. –Grazi dava corda para as meninas.

–Mãe, a Kathleen é alta, as roupas dela podem ficar grandes na Iara. –tentava apelar para o bom senso.

–A gente dá um jeito, mas deixa a Iara ficar pra gente brincar, dinda… Por favor. –dessa vez até Natalie reclamava.

–Tá bom, nós somos votos vencidos, Giovanna. A Iara fica. –Ágatha falou me surpreendendo.

Desse jeito, as crianças foram tomar banho até que depois mais uma confusão se instalou, mas dessa vez era mesmo briga de criança.

–Eu quero brincar no meu tablet. Vocês jogam comigo? –Natalie falava sem parar.

–Não, eu quero brincar de desfile. –Kathleen rebatia.

–Kat, desfile é muito chato, vamos jogar queimada. –Iara falava.

–Meninas, vocês são muito tagaleras. A gente vai brincar de carrinho. –dessa vez Cadu se posicionou.

 Apenas via na minha frente quatro crianças de personalidade forte discutindo, “lutando” pelas suas vontades. A cena estava até cômica, mas meu pai tratou de colocar fim á pequena briga.

–Crianças, tenho uma ideia melhor. Está fazendo uma tarde ensolarada, vamos ao parque de diversões. Lá terá brinquedos que todos vão gostar. –as crianças adoraram a ideia, mas não sabia se Tainá e Ágatha liberariam respectivamente o sobrinho e a filha.

–Pai, não fique dando ideias. A Tainá precisa trabalhar e ainda tem que levar o Cadu pra casa dos pais, não sei se a Ágatha deixará a Iara ir nesse passeio de última hora. –falei sem jeito.

–Tainá, eu posso levar esse garotinho esperto pra sua casa depois. Ágatha, nossa convivência nunca foi das melhores, mas confie em mim que cuidarei muito bem da Iara.

–Por mim o Cadu pode ir passear com vocês, até aceito uma carona pra empresa. –Tainá falou em tom de riso.

–Tudo bem Sr. Marcos. Pode levar a Iara, sei que ela não me dará sossego se eu não deixar. E você, comporte-se, mocinha. –Ágatha disse indo dar um beijo na filha.

–Ágatha, eu tenho nove anos, sou adolescente. Pode deixar que vou cuidar  da Iara, da Kathleen e do Cadu, eles vão me obedecer. –Natalie disse arrancando risadas de todos nós.

–Nat, nada de bancar a adulta, você pode ser a mais velha, mas continua sendo uma criança. Quero que os quatro respeitem as ordens do Seu Marcos e da dona Graziela. –respondi seriamente.

–Deixa que a gente se entende. Vamos Marquinhos!

Nesse clima contagiante, meus pais saíram acompanhados pelas quatro crianças alegres e por Tainá, a morena iria de carona com eles até a empresa. Só depois que todos foram embora, notei que Ágatha e eu permaneceríamos sozinhas novamente. A velha Giovanna tímida e sem jeito do passado parecia que havia renascido. Não sabia o que dizer ou como agir perto da ruiva.

 

Bom dia, meninas. Aproveitando esse feriado para postar um capítulo extra, e, apesar de menor espero que tenham gostado. A Giovanna e a Ágatha sozinha rolará uma conversa séria? O que estão esperando pro capítulo de amanhã? Comentem e me digam o que estão pensando (façam uma autora feliz). Ótimo feriado a todas e amanhã estou de volta. Beijos.



Notas:



O que achou deste história?

4 Respostas para 62. As coisas se arrumando…

  1. Ah!
    Gostaria de ler um capítulo narrado por Ágatha. Quero ver como ela está se sentindo com tudo isso que está acontecendo. Com essa reaproximação dela com a Gio. Quero saber mais a fundo todas as emoções e sentimentos que a Ruivinha está sentindo

    • Quando chegar no momento certo terá um pov da Ágatha e outro da Pietra, fazendo um resumo desde os primeiros capítulos, mas isso vai acontecer só mais lá pra frente 🙂

  2. Estou apaixonada pela história. Finalmente as coisas estão voltando ao eixo. Desejo que Gio e Ágatha sejam muito felizes. Elas merecem um final feliz juntas.

    • Oi Ana. Tô bastante feliz por saber que está gostando da história. As duas já passaram por muitos momentos tristes, mas de amadurecimento. Vamos ver no que dá 🙂

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