A senhora das Terras de Aman encarou o grupo em silêncio. Atenta, percorreu as faces curiosas, demorando-se naquela que refletia sua ansiedade. Ela desceu do cavalo e deu alguns passos em direção às mulheres. A máscara não abafou sua risada, que soou alta e graciosa. Ela a tirou com movimento suaves, que mais pareciam ensaiados. Por fim, deixou-a cair.

A máscara fez um pequeno ruído ao tocar o chão, mas ninguém notou, visto que toda a atenção pertencia a ela. Seu rosto alvo revelou-se belo e emocionado quando ignorou as três mulheres florinae e se aproximou da única que realmente a interessava. Lenór Azuti ergueu o olhar marejado, dominada por tamanha emoção, que o ar chegou a faltar em seus pulmões. Ela aceitou a mão que lhe era oferecida e, dessa vez, não sentiu uma onda de memórias antigas. Era apenas o calor e suavidade de Amani, que sorriu graciosamente. A comandante ficou de pé e encaixou-se no abraço dela, como uma criança feliz por reencontrar a mãe.

— Tanto tempo… — Amani sussurrou. — Tanta história e vidas, muitas vidas… Mas, agora, você é real.

Ela aspirou o perfume dos cabelos de Lenór, a emoção dando voltas em seu peito quando a jovem apertou-a contra si, entregando-se a um choro intenso. A comandante, cuja vida ensinou a esconder as emoções, deixou-as transbordar num pranto silencioso.

Havia tanta dor sendo derramada naquelas lágrimas e, ao mesmo tempo, muita alegria. Existia alívio e estranheza, também.

Sensíveis ao momento, Virnan e as outras ficaram de pé. A rainha florinae gesticulou para as companheiras e começaram a se afastar, tomando a direção do Castelo. Após alguns passos, ela se voltou para as duas daijins, ainda sobre os cavalos.

— Venham também.

As mulheres não se moveram.

— Este momento não nos pertence — Lyla argumentou, os olhos violetas sobre as duas figuras abraçadas, como se pudesse compreender a dimensão dos sentimentos que compartilhavam. Com efeito, compreendia. Mesmo que suas histórias fossem distintas, ela passou milênios desejando voltar a abraçar a irmã e, agora, era o seu espírito guardião. Trouxe o olhar para Virnan, cujo laço mágico que as unia, transmitiu o carinho que lhe dedicava.

Uma das guerreiras fez menção de falar, mas Voltruf adiantou-se, fazendo um gesto suave.

— Vocês podem esperar mais adiante. Sua rainha está segura e entre os braços de quem ama.

As guerreiras lançaram um olhar rápido para as duas mulheres abraçadas e, finalmente, se moveram. Desceram dos animais, uma delas pegou as rédeas do cavalo de Amani e começaram a se encaminhar de volta para a floresta. Voltruf, contudo, não se mecheu.

Ela assumiu a forma felina, bateu uma das patas no chão e o solo estremeceu até o punhal sombrio, que havia escondido ali na outra noite, surgir. A movimentação separou Amani e Lenór. Voltruf retornou para a forma humana e ajoelhou-se ao lado da arma, humilde.

— Sinto atrapalhar, mas viemos até aqui para recuperar isso — sem se atrever a tocar o punhal, falou para Amani: — Ela lhe pertence.

A mulher deu um pequeno sorriso, quase imperceptível. Agachou-se ao lado dela e pegou o punhal.

— Dizer que algo tão repugnante me pertence é injusto, criança. Fui apenas sua guardiã, até que alguém o usurpou há sete anos — ficou de pé e Voltruf fez o mesmo.

Amani encarou o punhal por alguns instantes, então o ofereceu para Virnan.

— Era meu dever mantê-lo longe de mãos erradas e falhei… Mas, agora, existe um Círculo Castir completo pela primeira vez desde que os integrantes do Círculo original partiram deste mundo. Vocês podem purificá-lo e torná-lo apenas um pedaço de metal afiado.

Com passos lentos, Virnan foi até ela, também olhando para a arma. Não escondeu a expressão de repulsa, que deformou seus traços harmoniosos.

— Nós o faremos — concordou. — Contudo, ficarei grata se puder guardá-lo até lá.

— Com medo de não conseguir resistir à tentação do poder que ele emana, majestade? — a pergunta soou tão irônica quanto a expressão que Amani fez.

Virnan elevou o olhar de um verde-claro e translúcido. Respondeu no mesmo tom:

— Não me diga que a idade começou a afetar suas ideias, velhota!

Amani deu uma gargalhada alta e espalhafatosa. Um som rico e atraente, como se ela fosse feita de pura alegria. De fato, era assim que se sentia naquele momento.

— Insolente — tocou o queixo dela, o polegar passeando pela bochecha, como se estivesse acariciando uma criança. O que, considerando a larga diferença entre suas alturas e idades, realmente parecia. — Sempre insolente, Virnantya Dashtru! Até mesmo quando veio me implorar ajuda há três milênios.

— Faz parte do meu charme deu um sorriso ladino, a cabeça inclinada para fitá-la. Pediu: — Vamos deixar esse assunto onde deve ficar: no passado. E me chame apenas de Virnan.

Olhou para Voltruf rapidamente. Esta, por sua vez, baixou a cabeça e fingiu prestar atenção nas próprias unhas. O incômodo dela era evidente, visto que a ajuda que Virnan pediu à Amani foi para ela.

Naquela época, as duas estavam em uma missão em Inamia quando foram atacadas por Sombras incomuns e muito poderosas. Ao menos, foi isso que Virnan relatou. Voltruf não tinha qualquer lembrança dos eventos que a deixaram à beira da morte e entregue a completa loucura.

Fato era que, apesar das desavenças entre eles, seu antigo Círculo  — Virnan, Bórian e Joran, — desobedeceu às ordens do grão-mestre Castir e cruzou os mares com Voltruf em busca da ajuda de Amani. Meses se passaram até Voltruf recuperar a sanidade e quase um ano se passou até ser capaz de andar sem auxílio.

Foi um dos períodos mais dolorosos da vida dela, onde aprendeu a admirar Amani e até cogitou largar a Ordem Castir para se tornar uma daijin. Só não o fez, porque Amani falou que isso não fazia parte do seu destino e que ela ainda tinha um caminho longo como Castir.

— Para esclarecer, — Virnan retornou a atenção para a enaen — não tenho medo dessa coisa, porém, minha herança de sangue me faz desejar ficar a uma boa distância dela.

A outra mulher balançou a cabeça, afirmativa. Virnan pertencia à casta auriva, cuja força e sentidos eram mais aguçados que os das demais castas florinae e humanos. Esses atributos, aliados a sua forte magia espiritual, tornavam as percepções do poder sombrio do punhal muito intensas e, provavelmente, dolorosas, se viesse a manipulá-lo por algum tempo.

— Compreendo. Até que você e seu Círculo possam realizar um ritual de purificação, a manterei segura — prometeu Amani, gerando em Virnan um raríssimo gesto de humildade. Ela tomou a mão da enaen e a beijou. Quando se afastou, despediu-se com um meneio de cabeça e partiu com as outras mulheres.

Amani voltou a fital o punhal, silenciosamente, até que não restasse mais ninguém naquele pedaço de terra, exceto, Lenór e ela. Enfiou-o no cinto e olhou para a jovem ao seu lado. A seriedade dando lugar, outra vez, a alegria de reencontrá-la.

— Você é linda — sussurrou, emocionada. Ergueu a mão e acariciou a face dela. Lenór deixou um sorriso quase tímido deformar seus lábios. — É perfeita e…

— Viva? — completou quando a voz dela falhou.

— Sim!

O silêncio, pesado e carregado de emoção, as rodeou. Lenór arriscou tocar a face dela também, notando que sua pele alva não tinha sinais ou cicatrizes, contudo, era adornada por pequenas sardas douradas que refletiam a luz do dia como se fossem pó de ouro.

Não sabia como acessar a infinidade de memórias e conhecimento da sua alma, mas, naquele instante, tinha muitas certezas sobre Amani. Coisas simples e até bobas, como o fato daquelas sardas douradas serem uma característica física do povo Enaem, assim como a altura, os cabelos brancos e as orelhas ligeiramente pontudas.

— Eu tenho perguntas, acho que milhares de perguntas! Contudo, sinto que não preciso fazê-las agora. Só quero te abraçar mais um pouco, sentir seu cheiro e calor.

Achava estranho e, ao mesmo tempo, reconfortante a necessidade de estar entre os braços de Amani. Mesmo que, nessa existência, fosse a primeira vez que se tocavam de verdade. A senhora de Aman, por sua vez, mal conseguia conter a própria emoção. O coração até errava as batidas.

— Venha — a trouxe para junto do peito outra vez.

Seu abraço era quente, perfumado e carregado de amor. Pareceu criar uma bolha a volta delas, que fez o resto do mundo desaparecer no meio de tanto carinho. E assim permaneceram por um longo tempo, entre sussurros ininteligíveis e carinhos suaves.

A noite se aproximava quando, finalmente, decidiriam iniciar o retorno para o Castelo do Abismo. Com passos lentos e a mão de Lenór na sua, Amani contou:

— O mundo em que nasci não se parecia com este — seus olhos vagaram pelas árvores, desde as raízes que se projetavam do chão até as folhas nas pontas dos galhos.

— Com Domodo? É assim que Voltruf chamou este pedaço de mundo.

— Sim… Quando Domodo, Inamia e Enagia estavam unidos, se chamavam Avashtur. Não era perfeito, mas era lindo e, até certo ponto, pacífico.

Ela fez uma pausa, achando graça do cuidado de Lenór, que naquele momento ergueu um galho para ela passar, o que fez curvando-se um pouco.

— Minha magia… — interrompeu-se e, curiosa, perguntou: — O que Aisen falou sobre mim, exatamente? Melhor, o que você recorda?

Um suspiro precedeu a resposta. Lenór deu de ombros.

— Bem pouco, na verdade. É difícil arrancar informações dela, se não está disposta a falar. No mais, tenho algumas impressões do nosso encontro no que, para mim, foi um sonho. Contudo, não sei dizer se são reais ou imaginação.

Uma risada suave escapuliu da mais velha, que concordou com a afirmação sobre Aisen.

— Por quê?

— Porque quero saber se é preciso ou como devo explicar algumas coisas sobre mim e o laço que nos une.

— Hm… entendo. Como disse, é tudo muito vago, mas há muitas certezas também. Que tal começar pela magia, já que iniciou o assunto? Como a sua funciona?

Amani interrompeu os passos, a mão livre escorregando pelos cabelos brancos. Lenór sentiu um desejo absurdo de tocá-los, assim como uma criança faria com os cabelos da mãe.

— Nem mesmo quem me serve consegue compreender completamente a natureza dos meus dons. Não é uma crítica, apenas uma observação, visto que não tenho o hábito de demonstrar tudo o que sou capaz de fazer e, também, não há necessidade — retomou a caminhada.

— Você pode mesmo ver passado, presente e futuro?

— Não — ela riu novamente. — Minha magia não se comunica com o tempo. Não sei bem como começou essa crença boba, mas as pessoas passaram a me ver como uma deusa, graças a minha natureza enaen e a imortalidade inerente a nossa raça. Dessa visão, histórias de dons extravagantes surgiram. Contudo, entre o meu povo, meus dons são medianos. Exceto, o que faz de mim especial para eles.

— E o que seria? — Lenór admirou os traços delicados do seu rosto. Suas feições, em comparação com as da sua antiga mestra, eram mais maduras, contudo, ambas pareciam não ter alcançado a casa dos 30 anos.

— Eu sou… era uma sacerdotisa.

Foi sutil, mas Lenór percebeu um pequeno suspiro, como se algo lhe pesasse sobre os ombros.

— O meu dom me permite ver o destino das pessoas e, sendo assim, eu posso enxergar o fim da vida de alguém ou quase. Para uma raça imortal, isso é quase uma benção. Não vou me alongar explicando a importância disso para os Enaens, exceto que esse poder fazia de mim o meio para esse fim.

Lenór sentiu os pelos do braço eriçarem, compreendendo o significado dessa afirmação.

— É por isso que a chamam de Rainha da Morte?

— Em parte — a fitou de lado. — Mas, quando fiquei presa em Domodo, os humanos e suas crenças me transformaram em deusa e o título pareceu encaixar com perfeição. Suas orações, às vezes, me alcançam também.

O rubor se espalhou pelo rosto da jovem comandante. Compreensiva, Amani apertou a mão dela.

— Eu sei. Você era apenas uma criança sofrendo — deu um sorriso suave, que nem mesmo a escuridão que começava a se espalhar pela mata foi capaz de ocultar. Lenór se sentiu querida e segura.

Amani queria contar o quanto chorou quando percebeu a quem pertenciam aquelas orações infantis, carregadas de tanto medo e sofrimento. Porém, preferiu agarrar-se a leveza do reencontro, pois, estava claro que Lenór superou seus medos e dores.

— Por que enviou Aisen para me “servir”?

A leve mudança no assunto a agradou.

— Não o fiz.

— Mas, foi o que ela me deu a entender.

A vegetação começou a ralear e alguns metros depois, avistaram suas companheiras, na entrada da floresta. As duas daijins ficaram evidentemente aliviadas pela chegada da sua senhora. Cientes do desejo de privacidade delas, seguiram Virnan e as outras quando começaram a andar em direção ao Castelo. Porém, mantiveram uma proximidade suficiente para agir, caso necessário.

Amani tomou um instante para admirar as muralhas e o castelo ao longe, depois, conduziu o olhar pelos acampamentos militares diante delas.

— Zaidarnianos — Lenór explicou, percebendo seu interesse. Ela apontou para um dos acampamentos e após um instante, apontou para o outro lado. — E aqueles são cardasinos.

— A batalha foi brutal — declarou, como se tivesse presenciado o evento.  A evidente curiosidade da mais jovem, a fez esclarecer: — Os sinais da morte estão por toda a floresta. Uma magia cruel e odiosa. As impressões que tive no caminho até aqui foram terríveis e, em alguns momentos, dolorosas.

Ela suspirou longamente e Lenór concordou. Não podia manipular magia, mas suas percepções da batalha foram muito apuradas. Aquela floresta nunca mais seria a mesma. O solo e as árvores, até mesmo o ar, estava impregnado de sofrimento e morte. Entretanto, não queria falar sobre a batalha de dias atrás. Preferia, apenas, aproveitar o momento ao lado da mãe.

Alguns passos depois, Amani retornou ao assunto anterior e contou:

— Não enviei Aisen para servi-la. Curiosamente, quando fez a promessa de ficar ao meu lado até que minha punição acabe, o destino dela não mudou muito. Aisen precisava estar aqui, neste momento, para salvar uma alma.

— Yahira, suponho — juntou as mãos nas costas, refletindo o gesto de Virnan, que seguia vários metros adiante.

— Você é perspicaz — meneou a cabeça. Instantes depois, o silêncio da comandante a fez questionar: — Não está curiosa sobre o que isso significa?

A Azuti fitou o acampamento cardasino, que estava a pouco mais de uma dezena de metros à sua esquerda, enquanto o acampamento zaidarniano ficava a quase uma centena de metros, no lado oposto. Os soldados começavam a notar a presença delas e olhavam, admirados, a deusa das Terras de Aman, visto que já aguardavam. A notícia de que a sua vinda para o Castelo do Abismo era iminente, chegou até as tropas pouco depois da reunião em que Lenór a anunciou.

Em pouco tempo, cochichos percorreram os dois acampamentos e alcançaram as muralhas. Os soldados se ajoelhavam à sua passagem, alguns se curvavam até a testa tocar o chão. Amani aparentava não perceber a movimentação, o olhar fixo nos portões adiante.

— Na verdade, não — Lenór foi sincera, baixando a vista para a lâmina na cintura dela. — Se esse punhal é tão terrível quanto disseram, faz todo o sentido que a alma de Yahira precisasse de ajuda pra não ser corrompida.

— Você é uma criança surpreendente — deu um sorriso bufado.

— Você fez isso soar como algo excepcional.

— De certo modo, é. Não me entenda mal, Lenór — sentiu satisfação ao pronunciar o nome — é que tive poucas oportunidades de conversar e conhecer suas… versões anteriores.

A jovem se perguntou como teriam sido esses encontros, embora já tivesse uma ideia, após o sonho que a levou para as Terras de Aman na noite da batalha. A tristeza que deformou o belo rosto de Amani, parecia quase palpável quando ela se queixou da dor de só encontrá-la no momento da morte.

Decidiu que não era o local e nem o momento ideal para falar sobre isso e retomou:

— Não odeia Yahira por tentar te matar?

A expressão de Amani suavizou.

— Milênios de existência me ensinaram que ódio só leva a mais ódio e sofrimento. Eu não tenho ressentimentos. Ao menos, em relação a Yahira.

— Porque você sabia o que ela iria fazer — supôs.

— Não exatamente, Lenór. Meu dom não me dá certezas, apenas impressões. E quando meus olhos viram Yahira pela primeira vez, o destino dela se apresentou cruelmente para mim. Ela iria se perder de si mesma e, se nada a impedisse, se tornaria pura escuridão. Não fazia ideia que estaria envolvida nisso. Uma coisa interessante sobre dons como o meu, é que eles não permitem ao seu usuário investigar seu próprio destino ou futuro.

— Curioso.

— A magia tem suas próprias regras, criança. Se soubesse o que o destino me reserva e isso não me agradasse, tentaria mudá-lo. E ao fazer isso, poderia colocar em risco vidas e destinos alheios.

— Mas o destino não é mutável?

— Diferentemente do futuro, não. Mas esta é uma conversa profunda demais para termos agora.

— Concordo — Lenór riu de lado. — Uma última pergunta antes de mudarmos de assunto. O que aconteceria se Aisen falhasse? Se ela morresse antes de cumprir seu destino.

— Ela renasceria em outro tempo e reencontraria Yahira e continuaria renascendo até cumpri-lo.

— Mas é o mesmo destino em todas as existências?

— Não, mas falhar nesta significaria renascer com um fardo do passado e só se livrar dele ao cumprir o destino na próxima vida.

— Não me parece tão ruim, porém, sinto que há algo mais além disso.

— Você é mesmo perspicaz. A questão é que isso pode influenciar muitos destinos. Pessoas que não deveriam morrer, morrem. Pessoas que não deveriam nascer neste tempo, nascem. Destinos convergem, a magia que nos cerca se torna instável, catástrofes ocorrem, o desequilíbrio gera mais desequilíbrio…

— Uau! Não poderia imaginar que a vida de alguém poderia ter tanta influência sobre outras.

Novamente, o sorriso delicado de Amani surgiu.

— É assim comigo também?

— Um pouco diferente. Ao fazer a promessa de viver quantas vidas fossem necessárias até me libertar, você conectou seu destino ao meu. E sim, influenciou muitas existências, mas nada que desequilibrasse a magia.

— Por que não?

— Pensei nisso por um longo tempo e a resposta é simples: você sempre esteve ligada ao meu destino.

Lenór soltou um bocado de ar dos pulmões. Era muito para absorver e estava claro que havia mais, muito mais. Então, ficou feliz quando o silêncio se acomodou entre elas, mas não de forma desagradável. E, assim como ela, fitou a muralha que se agigantava a medida que se aproximavam.

— Aisen e Yahira são almas irmãs — Amani voltou a falar. — Eventualmente, se encontram ao longo de outras vidas. Assim como você e a jovem com quem se casou.

— Ah… — um calorzinho gostoso começou a tomar Lenór, que sentiu-se um pouco boba, porém, feliz.

— Não está surpresa — observou a rainha.

— Não. Guardei essas memórias do nosso último encontro. Achei que poderia ser um sonho, mas não era.

— Entendo. Vocês duas se amaram em cada existência que compartilharam.

Diante dos portões da cidadela, a figura de Vanieli surgiu ao lado do Príncipe Ricksen, Mardus e alguns lordes. Lenór deixou o olhar negro unir-se ao dourado da esposa, conectado por um sentimento tão forte e puro, que o sorriso foi inevitável.

— Eu fico feliz. Às vezes, sinto que Vanieli é o próprio ar que respiro.

Enquanto os nobres ensaiavam inclinares de corpo, ela caminhou até a esposa, a tomou pela mão e guiou até Amani, apresentando-a:

Mãe, esta é a mulher que amo.



Notas:

Ainda estou por aqui e vocês? rs…
Beijos e obrigada pela paciência.




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3 Respostas para 51.

  1. Gosto muito dessa estória. Tô sempre passando aqui pra ver se tem capítulo novo. E fico tão feliz quando tem. Vlw, autora.

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